Almada - Barreiro - Alcácer do SalUm beijo à minha «irmã» Maria Rosa Colaço
Por António Sousa pereira

Por Jornal Rostos
Do cimo da colina olho a planície, estendo o meu olhar naquela paisagem e sinto que estás ali, sorrindo, olhando o céu azul e escutando o chilrear das aves que rasgam o silêncio melódico.
Foi este sentimento que vivi, na minha interioridade, naquele dia que decidi viajar até ao Torrão para colocar uma rosa vermelha no lugar onde descansas.
Faz hoje, sim hoje, dez anos que partiste e nunca deixaste de estar presente na minha companhia. Em muitos momentos de desalento, ou de alegria, sento-me no meu canto, e releio as tuas palavras. Um encontro que me dá energia, porque todos os teus textos, são urzidos com uma textura de esperança e de amor.
Hoje, pela manhã, peguei num dos teus livros – «Ela ainda mora aqui?». Como sempre, abro numa página ao acaso, num encontro que tem a dimensão da ternura de um diálogo.
Hoje, abri no texto – “Tempo de Renascer” – onde nos falas dos “olhos turvos” e das “horas assinaladas de ruídos”. Li e senti a vida pulsar nos meus dedos caminhantes, por dentro dos nervos das tuas palavras.
Li, Reli. Recordei os dias e momentos que partilhamos. Leio a dedicatória do livro: “Ao António – meu irmão – com um beijo de Maria Rosa Colaço”.
O «irmão-poeta» como sempre me chamavas com o teu sorriso feito de sonhos de Abril, de encantos e desencantos.
Recordo-te hoje, dez anos passados, desde aquele dia que eu e a Manuela Fonseca, colocamos uma flor de despedida aos teus pés, com o som de um poema lido, ali, ao teu lado, que espelhava o teu sentido da bondade e amor à vida – a mulher que transportou dentro de si “a criança” e “a vida”, como um grito de quem nunca desistiu e viveu sempre de forma vertical.
Não te esqueço e espero que um dia nos encontremos, por lá, e sorrindo sejamos capazes de dizer um ao outro, isto, apenas isto: BOM DIA VIDA!
António Sousa Pereira













