A(nota)mentos - BarreiroO «sossego» e o «desasossego» na reunião de Câmara
Foi mesmo a última intervenção na reunião pública, onde, afinal, tal como no jogo Portugal- Dinamarca, Carlos Humberto marcou golo, ao levar Luis Ferreira a anunciar, desde já, que se prepara para “sossegar”, porque esse é o desejo de sua família.

Por Jornal Rostos
Assisti hoje, via internet, à reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro, sentado no meu sofá, fumando o meu cachimbo e bebendo um café.
É sempre divertido assistir às reuniões públicas, porque permitem avaliar o nível do debate politico local e as preocupações estratégicas discursivas.
Hoje, valha-nos isso, os eleitos do Partido Socialista não nos obrigaram a assistir à reposição de mais um ponto do programa eleitoral na discussão da ordem de trabalhos.
Mas, a vertente «sindicalista» do Vereador Luis Ferreira, de novo foi marcante, nesta reunião, na defesa das posições do Sindicato Nacional dos Motoristas, com tanta firmeza que Regina Janeiro, acabou por dirigir-se ao autarca socialista, dizendo-lhe que pelas suas tomadas de posição “os vereadores são sempre os maus”, são “os mauzões”, são “o bicho papão”, enquanto o sindicato “são sempre os verdadeiros”, “são sempre os bons”.
Luis Ferreira, defendia-se escudando-se no que dizia serem comunicados com linguagem “abrasiva” do sindicato e afirmando a sua disponibilidade e dos vereadores socialistas, para participarem no processo negocial entre a Câmara e o Sindicato.
O presidente da Câmara, Carlos Humberto, esclarecia que a negociação era entre o Sindicato e a Câmara, e não entre eleitos PS, ou eleitos CDU e o sindicato. E salientava que Luis Ferreira na reunião de Câmara assumia-se como porta-voz do sindicato.
Luis Ferreira insistia no clima de “tensão nos TCB’s e recordava a presença do presidente da Câmara em manifestações da CGTP/IN.
Rui Lopo, referia que foram realizadas reuniões com os trabalhadores e com outros sindicatos.
Foi assim nesta troca de galhardetes que decorreu grande parte do ponto de antes da ordem do dia.
Eu fumava, escutava e revia outras situações, quase, como vivendo um “dejá vu” de décadas de politica local.
Bruno Vitorino, apelou ao “bom senso” e lamentou que as greves e os plenários afectem os utentes.
A reunião continuou. Voltou a velha discussão do Arco Ribeirinho Sul e o território da Baía do Tejo, sempre com os mesmo contornos.
Quem é o pai da criança?
Quando escuto estes debates, raramente, muito raramente, num retorno ao passado, há um nome que me ocorre sempre ao pensamento – Sardinha Pereira. E por aqui me fico.
Depois outro momento hilariante, foi a discussão da legalidade da ilegalidade, numa proposta de atribuição de verba ao Galitos, no âmbito do Contrato Programa do Basquetebol, que contou com o voto contra dos autarcas socialistas.
De tal forma que Regina Janeiro, voltou-se para Luis Ferreira e disse-lhe: “Você esgota-se e esgota os outros. Tome comprimidos. Só quem não conhece a vida dos clubes, pode querer que seja retirada a proposta”.
Luis Ferreira, lamentou que no “debate democrático” sejam utilizadas expressões de mandar alguém “tomar comprimidos” .
“É uma barreira que não se pode atravessar”. – disse.
Carlos Humberto, recordou a Luis Ferreira os seus muitos excessos de linguagem, com as suas tomadas de posição com seu “debate politico ofensivo às pessoas”.
A reunião findou com a discussão da proposta dos vereadores socialistas de uma auditoria financeira , reprovada pelos eleitos da CDU e PSD.
No decorrer do animado e esclarecedor debate da proposta, falou-se em sossegos e desasossegos.
Carlos Humberto, dirigindo-se a Luis Ferreira, dizia-lhe: “Não estou aqui para o sossegar. Quero que seja interventivo. Não o quero sossegar. Pode haver alguém que o queira sossegar, mas esse é um problema vosso”.
Em resposta, Luis Ferreira, esclareceu afirmando: “a minha família quer que eu esteja sossegado, o mais cedo possível”.
Foi mesmo a última intervenção na reunião pública, onde, afinal, tal como no jogo Portugal- Dinamarca, Carlos Humberto marcou golo, ao levar Luis Ferreira a anunciar, desde já, que se prepara para “sossegar”, porque esse é o desejo de sua família.
Ao anunciar que vai “sossegar” Luis Ferreira deu um “tiro politico nos pés” é que, se, eventualmente, as suas posições politicas “irreverentes” podiam ser lidas, ou interpretadas como um possível candidato ou candidatável, em luta politica, preparando-se para as próximas eleições autárquicas, com este seu discurso anunciou que está por ali, apenas e só, a gerir, um afastamento para o “sossego” que deseja se concretize – “o mais cedo possível”.
Afinal, valeu a pena, estar sentado no meu sofá e aguentar até ao fim da reunião!
António Sousa Pereira













