A(nota)mento do DiaTem o Barreiro espaço para uma «Galeria de Arte»?
Uma «Galeria de Arte» tem que ser dinamizada com regularidade, com dinâmicas diversificadas, afirmando- se como ponto de encontro de artistas e de públicos.
Tem o Barreiro espaço para uma «Galeria de Arte»? Pode no Barreiro afirmar-se uma «Galeria de Arte»?

Por Jornal Rostos
O mundo da arte, nomeadamente das artes plásticas, no Barreiro é uma temática que merecia uma aprofundada reflexão.
São muitos os criativos, naturais ou aqui residentes, mas, contraditoriamente nunca se concretizou a «consolidação» dum espaço de referência e de promoção das artes plásticas.
A primeira experiência que retenho na memória com a finalidade de promover uma «galeria» de exposições regulares foi, nos anos 80, dinamizada pela Livraria Bocage.
Depois, também por essa época, o Kira, transformou o seu atelier num espaço de Galeria, divulgando nomes de referência nacional.
Também na antiga a Biblioteca Municipal do Barreiro, na cave, eram promovidas exposições.
Com a inauguração da nova Biblioteca Municipal do Barreiro, a antiga Biblioteca transformou-se em Galeria de Exposições, e, também, na nova Biblioteca Municipal realizavam-se exposições regulares.
O Auditório Municipal Augusto Cabrita foi e é outro espaço de realização regular de exposições.
A Artesfera nas suas diferentes instalações tem procurado promover exposições.
Recentemente, a Galeria 71, na Alfredo da Silva, no centro da cidade, apesar do esforço e vontade dos promotores, encerrou, abrindo noutro local, menos acessível, mas demonstrando a vontade de não desistir e continuar a acreditar que as artes plásticas são uma realidade na vida da cidade. Também a Cooperativa Popular tem procurado promover exposições com frequência.
Ao longo do tempo alguns eventos ficaram na memória como referência e vontade de dar às artes plásticas uma visibilidade na vida local. Recordo os Encontros da Arte dos Novos, no 31 de Janeiro, como exemplo.
O facto é que, no Barreiro, não tem sido possível, por diversas razões, afirmar um espaço de referência para as artes plásticas.
No «Espaço Memória», na Baía do Tejo, a autarquia pretende dinamizar um espaço que irá substituir a «Galeria Municipal de Arte».
Ontem, foi inaugurada a Galeria Santa Bárbara, no Bairro Operário. Um espaço de qualidade.
Quando dou comigo a pensar sobre esta matéria o que sinto é que, ou por razões de mercado, ou por inexistência de uma estratégia com objectivos de curto, médio e longo prazo, a existência de uma «Galeria de Arte» no Barreiro é um bico de obra.
Admiro a coragem de Nolasco Lima. Admiro a coragem de quem sonha e quer afirmar a arte como uma referência na vida local.
Recordo que um dia sugeri que o Kira, fosse designado Comissário de uma «Galeria de Arte», pelos seus contactos, pelos seus conhecimentos, de forma a fazer-se um percurso e afirmar um espaço de arte de referência na AML.
O Barreiro tem criativos. O Barreiro tem potencialidades. Que falta?
Uma «Galeria de Arte» tem que ser dinamizada com regularidade, com dinâmicas diversificadas, afirmando- se como ponto de encontro de artistas e de públicos.
Tem o Barreiro espaço para uma «Galeria de Arte»?
Pode no Barreiro afirmar-se uma «Galeria de Arte»?
Penso que sim, se em torno do projecto, se unirem vontades que nas diferenças e diversidade consigam contribuir para que o espaço seja sustentável para si próprio e uma mais valia para os artistas.
E, no mundo de hoje, que a arte é negociada na internet, uma galeria não pode esquecer esta vertente, porque a arte é também uma realidade económica para os criativos e para o público.
Talvez, a nova «Galeria Santa Bárbara» um projecto de iniciativa privada, de um criativo, abra espaço para discutir, dialogar e dar uma nova forma das artes plásticas se afirmarem como referência cultural e económica na vida do concelho do Barreiro.
António Sousa Pereira













