A(nota)mento do DiaO Barreiro tem condições para se colocar na «Rota da Fotografia Mundial»

Por Jornal Rostos
"A beleza existe, de facto, em toda a parte a dificuldade é saber encontrá-la"
Augusto Cabrita
Desde há muitos anos que defendo a dinamização do binómio «Barreiro-Fotografia». Faço-o por diferentes razões. Uma delas é o facto de termos espaços lindos que permitem produzir fotografias de grande qualidade.
Os espaços industriais. Os resíduos industriais. O rio Tejo. O Sapal do rio Coina. O Barreiro Velho. A Mata da Machada. Alburrica. Parque da Cidade. Copacabana. Praia de Palhais. O Lavradio Velho. O espaço ferroviário. Muitos recantos da cidade. Coina - aquele monumento único que resta da Igreja de S. Salvador (talvez a única memória residual do terramoto de 1755). Tantos lugares com memórias.
Depois, temos uma «cultura de fotografia». O Concurso Internacional da CUF. O próprio Concurso Augusto Cabrita (mantido para fazer calendário).
Nomes que se inscreveram na história da fotografia nacional e internacional . Augusto Cabrita – o grande mestre. Guta, o primeiro fotógrafo português admitido no Museu de Arte Moderna de Fotografia, em Nova Iorque.
Quando foi decidido dar o nome de Augusto Cabrita ao Auditório Municipal, pensei que esta seria uma oportunidade para colocar a fotografia como uma arte de referência na vida cultural local.
E, defendi que naquele espaço, devia ser efectuado um estudo de forma a criar uma galeria permanente evocativa da biografia e memória do Mestre Augusto Cabrita. Parece existir resistência por essa opção. Não vou desistir de insistir. Tal como demorou alguns anos a ser tomada a decisão de na entrada do auditório existir uma fotografia do Mestre, também, acredito, um dia esse espaço será criado ( hoje ao visitar a exposição de Rosa Reis, registei dois pormenores que podiam num recanto do AMAC, proporcionar a todos os visitantes esse encontro com a obra de Augusto Cabrita – a box de fotografia e os paineis electrónicos, com fotos). Talvez no próximo aniversário de Augusto Cabrita, possam avançar com a criação dessa «Galeria de memória».
Já agora, até podiam colocar alguns desses painéis electrónicos dedicado à divulgar os trabalhos dos Irmãos Rezende e porque não evocar os Concursos de Fotografia da CUF.
O Auditório Augusto Cabrita tem uma programação diferenciada, sem dúvida, mas a fotografia podia ser uma vertente estruturante das suas dinâmicas culturais. Também já por várias vezes defendi essa estratégia.
Quando surgiu o grupo «uma fotografia por dia», na rede facebook, senti que estava a nascer a partir da «sociedade civil» um grupo de entusiastas que podiam despoletar uma nova consciência e forma de sentir a fotografia na vida cultural da cidade. Foram realizadas exposições colectivas, pagas pelos próprios expositores-autores. Fui um deles, sem ser fotógrafo, nem ter essas pretensões.
Depois nasceu o Clube de Fotógrafos do Barreiro. E recebi esse projecto com entusiasmo de cidadania, dado que, podia ser um “empurrão” para dinamizar o binómio «Barreiro-Fotografia», estimulando a fotografia como uma actividade cultural e económica.
Contribuindo para promover, de forma integrada, o Barreiro como uma cidade onde pode «olhar pela objectiva”, divertir-se na sua diversidade e depois, aproveitar, para saborear uma agradável refeição com base nas tradições gastronómicas ribeirinhas.
Pela primeira vez, este mês, é celebrado o «Mês da Fotografia», o que desejo e sonho é que não seja mais um mês para juntar a outros meses, mas que seja um ponto de partida para pensar a fotografia e a cidade. Porque se é mais um mês, entra no calendário. Cumpre-se anualmente. E ficamos todos felizes.
Uma estratégia para a fotografia não pode ficar «presa» a programas municipais, é preciso envolver diversos agentes, dinamizar actividades ao longo do ano. Debater. Discutir. Não pode, nem deve, ficar circunscrita às dinâmicas do Clube de Fotógrafos do Barreiro. É preciso abrir portas a grupos informais e não deixar ninguém de lado. Fiquei triste por ver o grupo «uma fotografia por dia» - da rede facebook – ausente da programação do Mês da Fotografia. Não sei se foi contactado. Mas gostava de o ver participar.
O Mês da Fotografia tem que ser um ponto de partida.
A fotografia tem que ser encarada como uma vertente da «dimensão estética» de sentir e viver a cidade na sua criatividade e pulsar cultural.
E, uma nota que considero central, a importância de associar o nome de Augusto Cabrita a uma estratégia de promoção da imagem da cidade e da sua apetência pela fotografia.
Recuperar a casa onde nasceu Augusto Cabrita, ali, perto do coração de Alburrica, na Rua Miguel Pais. Não perder aquele património. Criar ali – pode ser daqui a dez anos, vinte, mas pensar numa forma de ganhar aquele espaço como ponto de referência que atraia visitantes ao Barreiro.
O Barreiro tem condições para se colocar na «Rota da Fotografia Mundial».
É preciso sonhar, acreditar e lutar.
António Sousa Pereira













