Uma pedra redondaParque Zeca Afonso - uma pérola nas margens da cidade
Por António Sousa Pereira
( Moita )

Por Jornal Rostos
Hoje, pela manhã, fui dar um passeio ali, pelo Parque Zeca Afonso, na Baixa da Banheira, concelho da Moita. O dia estava tépido, sem sol, as nuvens escondiam o azul do céu.
Olhei uma borboleta voando sobre as águas do Tejo. Senti aquele silêncio matinal que me colocava no centro do universo.
Escutava o suave ruído que chegava da vida da cidade. Do Tejo os sons das gaivotas e o murmulhar das ondas.
Um latido de um cão soava na distância. Olho à minha volta e sinto a paisagem. Descanso o pensamento no olhar.
Um silêncio rasgado pelo som matinal de um galo, que ecoa lá dos lados da Quinta dos Morgados ( num lado da Rua Barreiro, no outro lado da rua Moita).
Vou percorrendo aquele lugar nas margens da cidade.
Passa uma idosa no seu crosse matinal – uma amiga – sorri e comenta: Veja lá essas fotografias!
Depois, mais à frente, encontro as duas gémeas – nunca sei distingui-las. Comentam que aquele parque é uma maravilha. Lá vão, levando pela coleira o cãozinho.
Um jovem passa transpirando, saltitando. Sentia-se a felcidade no seu rosto.
Num banco um homem sentado lê calmamente o jornal. Certamente debruçado sobre a crise do dia - os célebres gold!
Os barcos no tejo nem ondulam. No Parque – o lago – é um verdadeiro espelho de água.
O Parque Zeca Afonso é um belo parque urbano, um bom projecto de enquadramento e salvaguarda da zona ribeirinha. Dizem que um dia, no futuro, está previsto que se prolongue até Alhos Vedros ou, até mesmo à zona da Quinta da Prata. Será para outras gerações.
Passei por ali, parte da manhã, caminhando, sentando-me num ou noutro banco, ou nas pedras da muralha, lendo o jornal e sentido aquele silêncio matinal. Uma delicia!
Uma gaivota voava e eu escutava os sons do Zeca Afonso: vejam bem que não há só gaivotas em terra…
Ao fundo a Ilha do Rato. O Tejo sempre o Tejo – com a memória das naus, as tágides que brotam nos cânticos do poeta e imaginar que por ali, naquelas ondas, rasgámos as portas para o mundo.
Sento-me e «pinto» - no meu caderno de anota(mentos) - um poema de branco, para sentir os murmúrios do silêncio. Mergulho no meu cérebro e sinto a alma, perder-se no infinito.
Escrevo estas palavras para reviver aquelas emoções que senti, hoje, pela manhã, no Parque Zeca Afonso, uma pérola nas margens da cidade!
António Sousa Pereira
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