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Inferências

Uma pedra redonda«Interstellar» - um filme para ver e sentir!
Por António Sousa Pereira
Barreiro

Fui sempre um apaixonado pelo cinema. Mas, nos últimos anos a opção por ver filmes em casa afastou-me das salas de cinema.
Ontem, quando estava no Forum Barreiro, senti, profundamente, como tenho estado errado. De facto ver um filme em casa, em nada, mesmo nada, se compara com estar numa sala de cinema. E no Forum Barreiro as condições são de qualidade.

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Uma pedra redonda «Interstellar» - um filme para ver e sentir! Por António Sousa Pereira Barreiro

Por Jornal Rostos

Ontem à tarde, fui até ao cinema, no Forum do Barreiro, mais a minha Lurdes. Fomos ver o filme se "Interstellar", este mês comentado, por Diogo Coelho, nas páginas do «Rostos», na sua crónica mensal.
Eu adoro cinema. Na minha juventude era um cinéfilo. Estava sempre em cima da actualidade. Era fã de Lauro António, no Diário de Lisboa. Não perdia as sessões especiais no Império.
Recordo momentos inesquecíveis em salas de cinema, como naquele dia que fui ver ao Monumental «Os Tempos Modernos» de Chaplin e, no final do filme, a sala aplaudiu de pé. Um dia inesquecível.
Não perdia uma sessão, no Teatro Cine, do Cine Clube do Barreiro, aliás, parece-me mesmo que foi uma das primeiras associações onde me integrei como associado.
Recordo o curso sobre cinema que ajudei a estruturar, promovido pelos Jogos Juvenis do Barreiro, durante vários fins-de- semana, com o Padre Vilas Boas. Na altura editei, semanalmente uma folha policopiada – Objectiva Zero – onde era divulgada uma síntese das sessões.

Fui sempre um apaixonado pelo cinema. Mas, nos últimos anos a opção por ver filmes em casa afastou-me das salas de cinema.
Ontem, quando estava no Forum Barreiro, senti, profundamente, como tenho estado errado. De facto ver um filme em casa, em nada, mesmo nada, se compara com estar numa sala de cinema. E no Forum Barreiro as condições são de qualidade.

Como aprendi e escrevi, a propósito de conversas com o Mestre Augusto Cabrita – “o cinema na televisão não tem sonho”, porque “somos interrompidos pelo mundo que nos envolve” e “o sonho desaparece sempre que toca o telefone, ou alguém quebra o nosso silêncio interior”.

Sem dúvida, numa sala de cinema “o convívio com as imagens” tem outra dimensão. Outra sonoridade. Outra magia.
Há, sem dúvida, uma mística própria, um ritual, um ambiente único. Ali, sentimos que somos parte integrante do mundo que se dilui na tela, mergulhamos por dentro das personagens.

Não conheço a obra de Christopher Nolan, que segundo Diogo Coelho – “é, sem margem para dúvidas, um dos melhores realizadores a trabalhar hoje em dia”.
Gostei do filme. Os feitos especiais são espectaculares. A banda sonora é uma epopeia musical.
Sentimos de forma emocionante as situações.
O filme tem ritmo e, apesar de longo, prende-nos a cada instante, com as emoções à flor da pele.

Sempre que vejo um filme interrogo-me sobre que mensagem pretende transmitir o realizador – mesmo que seja um filme de mero entretenimento ou acção.
Procuro sempre, descobrir, nas entrelinhas discursivas, um contexto.
Que reflexão recolhi no «Interstellar»?
Em primeiro lugar, mergulhei por dentro da temática do tempo, a sua relatividade. Acima de tudo a importância de aproveitarmos e vivermos este “recurso” único colocado ao nosso dispor, enquanto por aqui estamos.
O tempo é uma preciosidade que, muitas vezes, ignoramos quando o gastamos inutilmente.
Foi esta a primeira lição que retirei deste filme.

Outra, foi sobre a forma como “gastamos” o tempo, cujo final, todos sabemos qual é, por essa razão, ali, senti a importância de viver os desafios, lutar por objectivos, mas, tal só se concretiza quando o fazemos por amor, com amor.
O amor na sua diversidade é uma ideia força deste filme – o amor pela humanidade, o amor entre pais e filhos. O amor como força que estabelece relações intemporais e que é energia da nossa vontade – querer e ser.

Depois, para finalizar, ficou aquela nota do pensar uma nova dimensão de sentir o tempo, a vida, os movimentos da história da humanidade – uma nova forma de sentir e pensar o mundo, aquela dimensão tri-dimensional, que nos deixa em aberto o caminho pela incerteza e dúvida.

Fiquei a pensar na história, nos discursos das personagens e de facto como escreve Diogo Coelho o filme tem cenas – “tensas a deixarem alguém sem respiração”.
Um filme para ver e sentir!

António Sousa Pereira

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