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Inferências

Rosto da Semana – BarreiroGinja de Natal – a tradição que inventa futuro

É, isso mesmo que sinto, aquilo que é a «Ginja de Natal». Uma marca do Barreiro, dessa vontade que esta comunidade sempre inscreveu na sua história de luta pela Liberdade, inscrita no sentir e pensar barreirense.
A «Ginja de Natal» é mesmo uma forma de inventar futuro e como escrevia a minha amiga Cacilda – “cada vez somos mais” – mesmo aqueles que lá não vão, não podem, sentem a ginginha no coração.

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Rosto da Semana – Barreiro Ginja de Natal – a tradição que inventa futuro

Por Jornal Rostos

O encontro no dia 24 de Dezembro, no centro da cidade do Barreiro – Ginja de Natal – é o rosto da semana.
Um evento que é um ponto de encontro anual, para conviver e reencontrar amigos.

Há quem diga que tudo começou nos finais dos anos 80 quando um grupo de amigos começou a encontrar-se, anualmente, ao fim do dia 24 de Dezembro, no Manuel da Galega, para saborear uma ginginha e conversar, antes de partir para a noite de consoada com a família.
Juntavam-se e davam uma volta pelas tascas do Barreiro Velho para assinalar o encontro anual.
Depois a ideia foi sendo partilhada por jovens, antigos colegas de escola, de trabalho, de diferentes opções politicas e religiosas, com ou sem, todos tinham em comum – viver no Barreiro, sentir o Barreiro.
Entre eles o que prevalecia era esse sentimento de AMIZADE.

Depois, há quem diga, que em tempos idos era uma prática corrente os operários juntarem-se nas tascas para a «ginginha de natal». Coisas que não existem estudos mas que “passam de boca em boca”.

O facto é que já há algumas décadas este encontro do dia 24 de Dezembro, no centro do Barreiro tornou-se uma «tradição», sendo um momento que muitos que, até residem e trabalham fora do concelho, aproveitam para reencontrar amigos de longa data – aqueles que se inscrevem na vida de cada um, com sorrisos, dúvidas, tristezas e alegrias.

Estava a pensar neste Rosto da Semana e no sentido de ser, ou não ser uma tradição, quando pego no jornal «Público» de hoje e deparo com uma frase do meu filosofo de cabeceira – Agostinho da Silva - que escreve – “O que é verdadeiramente tradicional é a invenção do futuro”.

É, isso mesmo que sinto, aquilo que é a «Ginja de Natal». Uma marca do Barreiro, dessa vontade que esta comunidade sempre inscreveu na sua história de luta pela Liberdade, inscrita no sentir e pensar barreirense.
A «Ginja de Natal» é mesmo uma forma de inventar futuro e como escrevia a minha amiga Cacilda – “cada vez somos mais” – mesmo aqueles que lá não vão, não podem, sentem a ginginha no coração.
É por isso mesmo o Rosto da Semana.

António Sousa Pereira

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