Rosto da Semana – BarreiroSFAL - uma Colectividade que é ponto de encontro de gerações
Um momento para homenagear associados e recordar o trabalho realizado e as dificuldades, nomeadamente com a manutenção das instalações.>

Por Jornal Rostos
A SFAL – Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense foi fundada em 24 de Dezembro de 1867, reinava em Portugal D. Luis I, em plena Monarquia Constitucional.
As Filarmónicas foram um movimento que surgiu em Portugal estreitamente ligadas ao desenvolvimento e consolidação da Monarquia Constitucional. A música foi o leit motiv para os «senhores» da época envolverem as populações no regime politico-social.
A SFAL passou pela Monarquia, pela República, pelo Estado Novo e tem sido, e é, uma colectividade activa e dinâmica neste processo pós 25 de Abril, contribuindo para a formação de diferentes gerações.
As suas actuais instalações que nasceram de um movimento social dinâmico nos anos 50 e foram concluídas nos anos 60, e ampliadas no principio deste século XXI, estão a carecer de remodelação.
Os actuais dirigentes sentiram a necessidade urgente de realizar uma intervenção que, sei, afecta a vida financeira da Colectividade e causa preocupações. Os apoios são escassos. E, de facto, as dificuldades são um entrave à criatividade.
Fui dirigente desta colectividade e apesar de ainda integrar os seus corpos sociais a minha participação actualmente é praticamente nula.
Sinto, cada vez mais, que é preciso muita coragem e amor ao associativismo para aceitar as funções de dirigente.
Admiro os que neste momento assumem o comando dos destinos desta velhinha associação. Uma equipa jovem, pela primeira na história centenária da SFAL, liderada por uma mulher que vive de forma intensa e apaixonada esta experiência – sinto em casa – e, sei que nem dou o contributo que poderia dar e ela merecia. Mas outras causas me movem, sendo a principal a dedicação ao jornal Rostos.
Quando penso na vida associativa e na SFAL, sinto que o problema das instalações mereciam uma atenção muito especial.
De há muito anos que defendo a importância de ser dinamizado um plano de intervenção para resolver, numa década, as dificuldades que existem em muitas instalações, degradadas pela passagem dos anos.
Um plano que tinha que ser enquadrado numa dimensão de recuperação urbana, porque todo o património das colectividades é um património da comunidade.
Pensar esta realidade no âmbito de uma candidatura a apresentar a fundos Europeus, envolvendo as colectividades numa parceria com as autarquias, dando relevo às actividades que desenvolvem no âmbito da promoção da cidadania e perspectivando a sua dimensão comunitária como uma «Rede de Cidadania» ao nível concelhio.
Uma estratégia pensada e dinamizada no âmbito do conceito «Cidade da Participação».
Estava a assistir à Sessão Solene da SFAL e a pensar em tudo isto, na incapacidade dos dirigentes discutirem ao nível concelhio um programa desta natureza e a inexistência de uma estratégia municipal que promova estas dinâmicas.
É, talvez, por tudo isto, quer como associativista, quer como cidadão que, esta semana, destaco a SFAL como Rosto da Semana, por ser a Colectividade mais antiga do concelho do Barreiro e por sentir que há uma nova geração que ainda acredita no fazer associativismo.
O associativismo como ponto de encontro de gerações, como se viu naquela sessão solene com a brilhante actuação do Grupo Coral «As Mordomas da SFAL» e os jovens da Escola de Música ou os atletas da Acrobática e os que integram o TISFAL – Teatro Infantil da SFAL.
Dói ver os dirigentes associativos a lutar contra o tempo, desviando energias e esforços para resolver problemas que deviam ser merecedores de um plano estruturado e de valorização do património da comunidade.
Parabéns à SFAL aos seus jovens dirigentes. Nunca deixem de acreditar no associativismo como força que alimenta sonhos e dá momentos de grande motivação para sentirmos que a vida só faz sentido partilhada com os outros.
António Sousa Pereira













