A(nota)mento do Dia - BarreiroDa coerência do PSD à incoerência do PS
Os socialistas aprovaram uma proposta que classificaram de «neo-liberal», sem "visão de cidade" e sem "estratégia".

Por Jornal Rostos
No âmbito da discussão no essencial o PSD, lamentou a “falta do PDM” e considerou que o documento apresentado “é um factor positivo”, sublinhando que “em relação ao nada é um passo”.
O PSD no final optou pela abstenção.
Documento Neo-liberal
Por outro lado, o PS, optou por recordar o trabalho que terá realizado sobre esta temática na sua gestão, projectos que se não tivessem sido suspensos pelo PCP/CDU, tudo – “podia ter avançado algo mais”.
Criticou o documento como tendo- “falta de estratégia e visão da cidade”, sublinhou que este “não é um documento estratégico”, “não define objectivos”, nem “parcerias”, nem “áreas prioritárias”.
Para o PS a proposta apresentada – “é um documento eminentemente técnico” e “não tem definição de politicas de cidade”, remetendo as soluções como sendo “um problema dos privados”.
Para o PS, com este documento – “a Câmara não tem papel nenhum, não quer assumir papel”, e considerou que a proposta em discussão tem uma – “ideologia neo-liberal” e permite entender que há “intenções obscuras”.
O PS considerou mesmo que o documento “não tem politica de cidade”, nem tem “politica de reabilitação” e tem “uma visão neo-liberal” de cidade.
E, para fechar este conjunto e avaliações politicas, os deputados do PS aprovaram a proposta.
Leiam o documento
Rui Lopo, Vereador da área do Planeamento, expressou a opinião que os deputados do PS não deviam ter lido o documento, onde são perspectivados a importância de envolvimento dos actores, a gestão dos recursos, a intervenção nos espaços públicos e a necessidade de promover estímulos sócio-económicos.
“Afirmam que não tem visão estratégia, é falso, leiam o documento”, disse.
Estas notas, meramente ao acaso que, afinal, caracterizam no global o debate realizado na Assembleia Municipal do Barreiro sobre o tema «Estratégia de Reabilitação Urbana para o Barreiro», são elementos cruciais para entender a acção politica da oposição no concelho do Barreiro.
A abstenção do PSD
O PSD, ao menos, é coerente, assume que o documento “é um passo”, perante inexistência do PDM, aprovar este documento “é positivo”.
Defende a criação de uma Sociedade de Reabilitação Urbana. É uma proposta concreta. Discutível.
Discordando, mas, perante a sua avaliação politica, optou pela abstenção.
Porque, afinal, o PSD entende que ser oposição não é estar contra, é ter opinião diferente.
Aliás, tem sido ao longo de muitos anos esta a postura do PSD localmente – trabalha, critica, separa águas – age com intencionalidade política pela positiva.
PS entre o discurso académico e o marketing
O PS que “desfez” o documento, que o classificou de “neo-liberal”, que o definiu sem “visão de cidade” que o reduziu a um “documento técnico”, para espanto de quem estava a assistir aos trabalhos e que, perante toda a narrativa vivida, em coerência, só se esperava um voto – Votar contra, afinal, lá viu os deputados do PS a votar a favor de um documento – “neo-liberal” e “sem estratégia”.
Esta prestação politica demonstra, também, a forma como o PS se posiciona localmente, vê a politica como um caminho de expressão de um discurso académico, que seja motivador de acções de marketing politico.
Demonstra que o PS continua a viver no passado, a olhar para a sua gestão autárquica no Barreiro como aquela que perspectivou o melhor dos mundos – repudiado nas urnas pelos barreirenses.
A incoerência do voto dos socialistas é de bradar aos céus.
Quem tem aquela opinião expressa sobre um documento não pode votar a favor, quanto muito, por o classificar como um bom documento técnico optava pela abstenção.
Esta posição do PS na reunião da Assembleia Municipal é uma marca da acção politica local do PS, quer demonstrar que pensa ao contrário do PCP/CDU, mas, afinal, nem é capaz de demonstrar que pensa ao contrário, e muito menos que pensa diferente.
Uma bolsa de oportunidade
E, em suma para que serve o documento aprovado ontem sobre «Estratégia de Reabilitação Urbana para o Barreiro». Pode servir para alguma coisa e pode não servir para nada.
Serve para deixar em aberto “uma bolsa de oportunidade”, caso existam fundos nacionais, ou europeus para reabilitação urbana, então, existir, já, no terreno, uma estratégia de promoção de acções com agentes locais e uma delimitação territorial.
Não vai resolver nada porque a Câmara Municipal não tem dinheiro, nem capacidade para se substituir aos privados.
Um problema da sociedade
Afinal, este documento, até é consensual, abre um caminho, abre uma porta para o debate de um problema que afecta o concelho do Barreiro, e que, por muito que se pretenda olhar para o lado, tem que ser encarado com coragem politica de forma que, pouco a pouco, não vão sendo lançadas as sementes de criação de guetos.
E este não é um problema da Câmara – o PS sabe isso, o PSD sabe isso, o PCP sabe isso – é um problema da sociedade, afectada pela “bolha”, a tal “bolha imobiliária” e não só…
Por isso é positivo que adequando à legislação tenha sido dado este passo.
O documento está aprovado, agora, fica em aberto, o debate sobre a reabilitação urbana que tem que ter três eixos, tão simples como isso – basta pensar a Cidade para Todos, na Cidade Sol: o edificado; o espaço público, a vida social.
António Sousa Pereira













