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InferênciasEnvolver 2000 jovens arquitectos europeus a pensar Barreiro é projectar futuro

. Proposta de Concurso Europan para Estação Ferro-Fluvial do Sul e Sueste e zona envolvente recebe voto contra dos socialistas

Uma proposta interessante, até do ponto de vista do “marketing do território”, pois, só por ser efectuada a sua promoção ao nível europeu, tal pode ser uma mais valia, e os 35 mil euros, serão trocos, perante o que se costuma referir como “custo-beneficio”.

É nestes momentos que fico perplexo e penso como, de facto, a CDU é uma força politica com muita sorte. Não tem uma oposição que lhe faça frente e se afirme como alternativa.

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Inferências Envolver 2000 jovens arquitectos europeus a pensar Barreiro é projectar futuro

Por Jornal Rostos

Na última reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro vivi mais um daqueles momentos surrealistas.
Rui Lopo, apresentou uma proposta no sentido de realização de um protocolo visando a realização de um «Concurso Europan» tendo como finalidade envolver cerca de 2000 jovens arquitectos, ao nível europeu, na realização de projectos destinados a criar conceitos de planeamento urbano para a Estação Ferro-Fluvial do Sul e Sueste e zona envolvente.
Pelo referenciado na discussão, dado que não vi o conteúdo da proposta, os seus custos rondam os 35 mil euros, um valor cuja despesa será realizada ao longo de três anos e, pelo que foi dito, se forem concretizadas parcerias, a verba pode, entre eles, ser distribuída.

Uma proposta interessante, até do ponto de vista do “marketing do território”, pois, só por ser efectuada a sua promoção ao nível europeu, tal pode ser uma mais valia, e os 35 mil euros, serão trocos, perante o que se costuma referir como “custo-beneficio”.
Todos nós, estamos cansados e tristes por, de ano apara ano, sentirmos como aquele espaço, um ícone do Barreiro, se degrada.
Todos sabemos que aquele edificado – e não os espaços envolventes – são património da CP ou da REFER.
Passa um governo, passa outro governo – ora PS, ora PSD – e não se perspectivam soluções.

Nos últimos anos, diga-se, com justiça, foi o actual governo que deu alguns passos, com a criação de um Grupo de Trabalho para avaliar o património ferroviário do Barreiro, de forma a procurar algumas soluções.

Muitas vezes, leio criticas, justas, referindo o estado lamentável daquele património e, naturalmente, um dos culpados, sempre acusado – que não tem culpa nenhuma é a Câmara Municipal do Barreiro. Há mesmo quem diga que a Câmara não faz nada.

Ora, neste momento, que perante alguns passos que foram dados pelo Poder Central, a autarquia decide dar um contributo para promover aquele património, coloca-lo num plano de reflexão e estudo que pode envolver 2000 jovens arquitectos da europa.
Mesmo não sendo uma matéria da sua responsabilidade directa – mas assumindo que tem responsabilidades no planeamento do território, a autarquia lança esta “pedrada no charco”.
Par mim, esta era um proposta pacifica e que deveria merecer a unanimidade do executivo municipal, até para lhe dar mais força consensual.
Afinal, não foi isso que aconteceu. Fiquei mais uma vez estupefacto!

O vereador do PSD – Oliveira Soares - interrogou sobre o envolvimento da CP e da REFER. Foi esclarecido que estão em curso diálogos e contactos. E, obviamente, esclarecidas as suas dúvidas, votou a proposta favoravelmente.

O PS, optou por votar contra, arrastando argumentos de se estar a gastar dinheiro, com algo que não é da responsabilidade do município , quando o município tem dificuldades financeiras e que esta proposta era “mandar areia para os olhos”.
É nestes momentos que fico perplexo e penso como, de facto, a CDU é uma força politica com muita sorte. Não tem uma oposição que lhe faça frente e se afirme como alternativa.

Uma força politica que discute trocos – 35 mil euros em três anos, que poderão, até, ser apenas 12 mil em três anos, ou seja 4 mil euros por ano, caso os outros parceiros sejam envolvidos, na promoção de um projecto que pode ser a ponta de uma operação de promoção de um negócio de milhões, atraindo investidores ao nível europeu e contribuindo, eventualmente, para se encontrar uma solução para um problema de degradação de um dos mais importantes patrimónios históricos do concelho, e, diga-se, criando algumas condições para que, de uma vez por todas, as administrações que são tuteladas pelos governos, avaliem possibilidades e tomem decisões – perante a criação de soluções de negócio e com propostas de planeamento para o território.
Uma força politica que vota contra uma proposta destas, o mínimo que se pode dizer é que não tem visão de futuro, não tem estratégia para o concelho do Barreiro.
Uma força politica que vota contra uma proposta desta natureza é míope politicamente e, obviamente, a sua posição é apenas fruto de uma visão sectária, e sem conteúdo ideológico, concepção, estratégia de cidade ou gestão do território. Está contra porque tem que estar contra. Ponto final.
É mais uma daquelas votações, de quem vota contra como forma de dizer que pensa ao contrário do PCP/CDU, e, na verdade, ao votar assim, é incapaz de demonstrar que pensa diferente, nem sequer ao contrário. É criar factos políticos, vazios de conteúdo e cheios de politiquice.

O PS, até podia justificar a sua posição com argumentos plausíveis e percebia-se, a sua tomada de posição, mas, de facto, com aquela retórica, do dinheiro, dos proprietários do edificado, é mesmo de bradar aos céus.
Não será possível que no Barreiro exista uma oposição capaz de demonstrar que existe uma alternativa ao PCP/CDU?!
Assim, na verdade, o PS é uma mera alternância e só consegue lá chegar, com muitos erros do PCP/CDU.

Até admitia, por exemplo, que o PS dissesse que votava contra porque tinha por objectivo, caso o PS ganhe as eleições, lançar ao Governo um repto, arrancar com a concretização da proposta que o Cabós Gonçalves já sugeriu como solução para aquele património – envolvendo empresários e empresas públicas – e querendo assumir esse compromisso politico, achava importante um compasso de espera. Mesmo sendo um argumento para encher balões, mas ao menos tinha objectivos.

É que a degradação daquele património não sendo responsabilidade da Câmara, é lamentável, e por essa razão, de facto, é importante e muito positivo – um facto histórico que registo - que a autarquia assuma lançar este desafio, através do qual lança reptos para pensar futuro.
Faz lembrar o que foi feito pelo então presidente, Pedro Canário, quando lançou o desafio para um projecto destinado ao território da Quimiparque, com base numa proposta de Manuel Salgado ( sem envolver a Quimiparque - o que pelos vistos nem é o caso da proposta do Concurso EUROPAN) e foi o ponto de partida para, a partir daí, se iniciar uma nova abordagem ao território da Quimiparque, indo para além do proposto no PDM em vigor.

Já agora, o PS, podia ter recordado ao presidente da Câmara, Carlos Humberto, que o projecto do Masterplan, não foi da responsabilidade da Câmara, foi desenvolvido pela Quimiparque, no período da gestão socialista. É diferente de ter sido feito pela gestão PS.

Em suma, fiquei perplexo com a votação contra dos socialistas, perante uma proposta que, mais não seja, tem uma estratégia e visão de futuro.
É por tudo isto que penso, o Barreiro precisa de garra e de agentes políticos que pensem em grande e, para além, muito para além, do «bulling partidário».

António Sousa Pereira

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