Saltar para o conteúdo
Inferências

Entre o “histórico” e a “actualidade”

Quando Luís Tavares, do Conselho da Administração do Quimiparque, referiu na sua intervenção no decorrer da apresentação do “Master Plan”, que o Parque Empresarial Quimiparque desde 1991 tinha como linha de orientação estratégica a criação de um projecto desta natureza, tal, na verdade, não pode passar como um mero acontecimento, um mero comentário, o ficarmos apenas por sabermos que isto “é história”.
O Barreiro deve saber as razões que atrasaram o seu desenvolvimento durante uma década. Porquê?
6 min de leitura
Entre o “histórico” e a “actualidade”

Por António Sousa Pereira

Na verdade, Luís Tavares, de forma simples e com perspicácia colocou o dedo na ferida e deixou claro, para quem quis entender que existiram razões que conduziram a um atraso inexplicável na concretização de um projecto essencial ao desenvolvimento do concelho do Barreiro.
Uma das condições reconhecidas como fundamentais para o desenvolvimento do projecto de revitalização da Quimiparque, com base numa proposta de futuro a realizar ao longo do tempo, era, obviamente, que a Quimiparque contasse com a colaboração da autarquia.
Na opinião expressa por Luís Tavares, o Master Plan foi possível, agora, concretizar-se porque, da parte da autarquia foi tomada uma posição, neste último ano, disse – “quanto a nós correcta”.
Luís Tavares preferiu ignorar o passado, porque tudo o que está para trás, na sua opinião – “é história”.

Conflito autarquia – Quimiparque

Aliás, Emídio Xavier, na entrevista que deu à revista “Rostos”, em Dezembro, salientou que se registaram alterações nas relações entre a autarquia e a Quimiparque, onde, disse, “existia uma indefinição e um conflito sobre quem decide o quê”.
O autarca acrescentou que – “hoje está a haver um acompanhamento muito grande da autarquia em relação ao projecto de enquadramento da Quimiparque naquilo que nós consideramos ser o projecto de desenvolvimento do Barreiro”.
Nessa mesma entrevista, Emídio Xavier referiu que o “o projecto lançado pelo anterior executivo conflituava, por razões de responsabilidade do terreno, com os responsáveis da Quimiparque. O projecto começou mal, tinha que ser alterado radicalmente”.
Segundo o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro – “Existe um acordo de cavalheiros que permite que nenhuma das pretensões da Quimiparque sejam satisfeitas à revelia da autarquia. Muito do que é o projecto da autarquia está consagrado no Master Plan”.

O coração da cidade

O Master Plan foi entregue à Câmara Municipal do Barreiro no passado dia 17 de Janeiro de 2003.
Este, aliás, um projecto anunciado, igualmente, em primeira mão, por Luís Tavares, em entrevista editada na revista “Rostos” de Abril de 2002, revelando na altura que- “finalmente estamos, agora, a elaborar o Master Plan, um plano de desenvolvimento global do Parque, enfim, é evidente, em colaboração com a Câmara Municipal do Barreiro, através de reuniões periódicas, que nos conduzirão a ter uma ideia mais exacta daquilo que poderá ser o Parque no futuro, que nos levará a uma diversidade muito grande de utilização das áreas e dos espaços que temos”.
No decorrer da cerimónia de entrega do Master Plan, Emídio Xavier, salientou que este nasceu de “uma vontade conjunta de requalificar uma área estratégica do concelho” e referiu que este era um “documento de ruptura”.

Master Plan e a participação dos cidadãos

Outro aspecto de referir, da sua intervenção, é que o autarca perspectivou que o Master Plan, é uma base de trabalho para a discussão e como tal vai ser sujeito a uma discussão pública, porque esta é “uma área que será o coração da cidade”.
Segundo o autarca – “não há obras perfeitas, mas só é possível realizar obras com uma base de trabalho”.
Hoje o Barreiro conta com um instrumento de trabalho, um projecto que irá, sem dúvida, marcar o século XXI.
Um projecto que aponta para a abertura do Quimiparque à cidade. Um projecto que rasga novas vias de comunicação e irá proporcionar novas ligações rodoviárias, novos espaços urbanos e manterá a componente de Parque Empresarial.
Afinal, sendo esta uma proposta de trabalho que a Quimiparque tinha em aberto desde 1991, que razões motivaram o seu adiamento durante uma década?
Quais as condições de trabalho que, finalmente, foram criadas para que existisse um diálogo eficaz entre a autarquia e a Quimiparque?
Isto não é história. Isto não é para esquecer.
Estes são factos que só vêem provar que, por razões que a população do Barreiro não conhece e deveria conhecer, a Quimiparque durante uma década não encontrou na autarquia um parceiro aberto ao diálogo e disponível para encontrar soluções que permitissem abrir as portas ao futuro. Porquê ?

A ruptura como motor das “histórias”

Na verdade aquilo que é “história” pode ser colocado de lado quando começam a abrir-se novos caminhos e a nascer projectos inovadores mas, aquilo que é “história” pode também ser um contributo para nos ajudar a pensar posições de actualidade.
O ano 2002 acabou num clima de ruptura, pela negativa, dado que foram quebrados os equilíbrios na gestão da vida municipal.
O ano 2003 começa também com outra ruptura agora, pela positiva, quebrando o gelo que marcava as relações entre duas instituições que são, ambas, motores de desenvolvimento do concelho do Barreiro.
Tudo isto só prova que as “histórias” são úteis para ajudar a compreender o passado e também para compreendermos o presente.
São, afinal, estas “histórias” que vão acontecendo que contribuem para que o Barreiro vá dando passos em frente e tal, infelizmente, só vai acontecendo com rupturas contra a incapacidade de diálogo.
Sublinhar, ainda que a apresentação do Master Plan foi a segunda grande vitória política de Emídio Xavier, neste seu primeiro ano de mandato a primeira, de facto, foi a aprovação do POLIS.
Referir, igualmente que, nestes dois casos, o líder da autarquia contou ao seu lado com a presença de Luís Pedro Cerqueira, o vereador do Planeamento, que, no silêncio e pelo trabalho, tem vindo a dinamizar propostas inovadoras que irão marcar e revolucionar o futuro do concelho do Barreiro.
Emídio Xavier foi a figura política da semana e, no seu discurso, no Auditório da Biblioteca Municipal, disse o necessário e o importante num momento histórico para o concelho. Marcou pontos.
E quando um político marca pontos há sempre quem fica a roer as unhas... é assim, a história é feita de “pequenos nadas” que marcam a diferença!
Talvez, por isso, Luís Tavares tem razão: o Master Plan é a actualidade o resto... é história.

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção