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Inferências

Rosto da Semana – BarreiroFilipe Marques- uma voz em defesa do sector ferroviário com mais de 150 anos de história

“O que está em causa não só os postos de trabalho é uma questão histórica do concelho – o sector ferroviário com mais de 150 anos”, disse Filipe Marques, na última reunião da Assembleia Municipal do Barreiro.

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Rosto da Semana – Barreiro Filipe Marques- uma voz em defesa do sector ferroviário com mais de 150 anos de história

Por Jornal Rostos

No ponto de intervenção do público na última reunião da Assembleia Municipal do Barreiro um cidadão usou da palavra, para comentar o facto de no Orçamento de Estado de 2015 estar perspectivada a privatização da EMEF Barreiro.
Referiu que está a registar-se uma transferência “cirúrgica” de trabalhadores do Barreiro para Campolide e Santa Apolónia.
Referiu “a não facturação” do trabalho que está sendo realizado nas Oficinas do Barreiro.
Referiu a “não certificação de equipamentos” nas oficinas do Barreiro situação que “impedirá” o seu desenvolvimento.

Em suma, Filipe Marques, anunciou que a privatização da EMEF irá conduzir inevitavelmente ao encerramento das Oficinas no Barreiro.
“O que está em causa não só os postos de trabalho é uma questão histórica do concelho – o sector ferroviário com mais de 150 anos”, disse Filipe Marques.

Recordou a importância, para o país, das Oficinas da EMEF, para garantir a segurança ferroviária, quer ao nível dos alfa-pendulares, quer no Metropolitano de Lisboa.
Filipe Marques, ferroviário, lançou um apelo à Assembleia Municipal do Barreiro para que “defenda esta empresa” pela sua importância para o sector ferroviário nacional e para o concelho do Barreiro.

A intervenção foi registada. Mas durante os trabalhos - onde até se falou de TGV – não se escutou uma única voz, de nenhuma força politica, a expressar solidariedade ou, até mesmo, lançar o repto de se realizar um debate público sobre o sector ferroviário no concelho do Barreiro e a importância das Oficinas da EMEF.
Quando escutava Filipe Marques, ocorreram-me à memória certas discussões, muito acaloradas, quando da elaboração do actual Plano Director Municipal, sobre o previsto para os territórios das Oficinas da CP/EMEF. Pensei. Limitei-me a pensar.

Escutei Filipe Marques. Notei o silêncio do PCP/CDU, do PS, do PSD, do Bloco de Esquerda ou do MCI. O MRPP esteve ausente da reunião.
Numa reunião que se falou tanto em estratégia e desenvolvimento económico, não houve uma voz politica que desse eco nos trabalhos ao apelo de Filipe Marques e, afinal, sublinhar a importância do sector ferroviário e das Oficinas da EMEF, no Barreiro, quer no contexto da «Plataforma Intermodal do Barreiro», quer mesmo numa visão mais «futurista» do TGV ou Terceira Travessia do Tejo, mesmo que seja, com a sua eventual deslocalização ( já falada, para as zonas da Penalva).

É por tudo isto que registo como «Rosto da Semana» Filipe Marques, porque afinal, ele é a expressão daqueles que sentem na pele uma realidade que há muitos anos afecta o concelho do Barreiro – a sua desindustrialização, com todas as consequências posteriores, nomeadamente o envelhecimento da população, a degradação do património urbano – edificado e público, o desemprego, a crise do comércio, uma cidade que teima em manter-se viva e com vida própria, mas que sente os efeitos de uma decadência e anda há procura de um rumo.

António Sousa Pereira

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