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Inferências

A(nota)mentosBarreiro - AMB «barómetro» do «discurso politico local»
. Do Jazz, às «saudações ritual» ao anunciar a politica de «guerrilha urbana»

As reuniões da Assembleia Municipal do Barreiro são um “barómetro” que permite, a quem segue com atenção, registar os “contornos” do “discurso politico local” e, até, antever as “linhas condutoras” daquilo que será em 2017 o “confronto” politico-partidário nas eleições autárquicas.
Obviamente, caso as eleições locais, continuem a ter apenas como protagonistas os partidos.

7 min de leitura
A(nota)mentos Barreiro - AMB «barómetro» do «discurso politico local» . Do Jazz, às «saudações ritual» ao anunciar a politica de «guerrilha urbana»

Por Jornal Rostos

O mais interessante de registar é distinguir os “pensamentos discursivos” nos quais já emergem as “linhas de reflexão” que vão ser a “matéria condutora” de “agitação e propaganda” ou de “marketing politico”.
E, claramente, existem “dois registos” - o das forças politicas da oposição, com mais ou menos atenuantes entre elas, e o discurso da força politica dominante.
Quanto ao discurso da força politica dominante é coerente, na sua leitura de classe e de interpretação dos fenómenos políticos, traduzindo para a dimensão local a valoração das interpretações politicas de âmbito nacional.
E, ao nível local, na Assembleia Municipal os eleitos da força politica dominante, limitam-se a funcionar como “tampão” e “força de choque” aos ataques, mais ou menos, sempre dentro dos mesmos parâmetros das forças da oposição.
Depois, centra-se na actividade municipal, nos projectos em curso, os quais partilha por unanimidade com as forças de oposição. Não há diferenças.

A consciência social de esquerda

Ontem, por exemplo o PS, decidiu assumir-se como a “consciência social” e, até achou, que a “consciência social” é uma característica do “ser de esquerda”. E, de forma liminar, numa linha de “pensamento único” retirou o direito de uma pessoa de direita ter “consciência social”.
Eu conheço pessoas de direita que têm mais “consciência social” e “intervenção cívica” que pessoas ditas de esquerda só pelo facto de estarem filiados num partido de esquerda.
Conheço pessoas de direita que defendem, por razões humanistas a legalização do aborto, e conheço pessoas de esquerda que, pelas mesmas razões, são contra o aborto. Qual delas tem mais consciência social? E que direito tem alguém por ser de esquerda a considerar que uma pessoa de direita não pode ter consciência social?
É que esta coisa da esquerda e direita, cada vez mais, nos tempos de hoje, é complicado.
E o pensar o mundo a “preto e branco”, feito de bons e maus, os de boa e os de má consciência, de facto, temos mesmo muito caminho para andar.
E, quando a “consciência social” é usada como uma arma de “guerrilha politica urbana”, então, isso ainda é mais complicado.
Por exemplo, utilizando a Quinta da Mina, a Quinta da Amoreira, o Bairro Alves Redol, o Barreiro Velho e tantas situações, dramatizando e procurando um “culpado”, escondendo que essas são realidades, hoje, como ontem, fruto da pobreza emergente da situação de um país. Onde está a consciência social?

Os bons e os maus

Tenho, em algumas conversas, com amigos, por vezes, comentado que aquilo que divide a oposição no Barreiro da força politica dominante é “o muro de Berlim”.
E, quando assisto às reuniões da Assembleia Municipal do Barreiro ou às reuniões da Câmara Municipal do Barreiro sinto essa minha reflexão voar por dentro dos discursos.
É que o PCP/CDU, já consegue, nos dias de hoje, viver sem os dramas dos comunistas que comem criancinhas, Fez a catarse. O muro de Berlim foi.
E confundir as posições programáticas do PCP/CDU com os tempos de guerra fria, é não perceber que o mundo mudou.
A oposição no Barreiro combate em regra geral o PCP/CDU, com base nas memórias, ou evoca Coreias, Cubas, União Soviética, ou os tempos do PREC, depois, na vida real concreta, fala de questões sociais, como se o PCP/CDU fosse a força politica responsável por todas as politicas que conduziram este país ao “estado em que chegámos” e os outros, afinal, os que têm sido o poder são a pureza.
O PCP já vive, por cá, deixando para lá o muro de Berlim. A oposição teima em fazer “guerrilha ideológica”, como se vivêssemos nos tempos da guerra fria, sendo mesmo incapaz de demonstrar o que a separa do PCP/CDU na concepção de cidade e cidadania.

O Jazz e o Barreiro

O PCP faz politica ideológica. Por vezes levada ao extremo. Um exemplo, foi ontem, na Assembleia Municipal aquela evocação do Dia Mundial do Jazz.
Até pensei, que, a certo momento da intervenção, existisse uma, mesmo que breve referência, ao trabalho positivo realizado no concelho do Barreiro, na promoção e valorização do Jazz, com o apoio da Câmara Municipal do Barreiro. Um trabalho exemplar, mais reconhecido no exterior que no próprio concelho.
Quantas vezes já escutei, na Antena 2, referências e elogios à Escola de Jazz do Barreiro. Isso não contou na intervenção do deputado municipal da CDU, o importante era dar aquele cunho de anti racismo e de classe da cultura jazz. Obsessões.
Ah, é verdade, e cheguei mesmo a pensar que ia ser feita uma referência e a Fernando de Albuquerque, o maior trompetista português de todos os tempos, famoso nas décadas de 40 a inícios da de 70 do século XX, com actuações por toda a Europa, América do Norte, África do Sul, 1º Prémio Ibérico de Jazz, 1º Prémio de Imprensa para Instrumentistas, 1º Prémio Nacional de Trompetistas. Um homem que foi referência no mundo do Jazz dos EUA, com noticias muitas páginas da imprensa daquele país e que o Barreiro, sua terra, sempre ignorou ou esqueceu. Nem o seu nome foi atribuído a uma artéria do concelho.
Mas, o objectivo era politizar o Dia Mundial do Jazz. Não havia necessidade. Toda a gente que gosta de Jazz gosta, porque gosta e sabe as suas origens. O resto cada um sente, como pensa.

A moção inócua

O ponto alto do «discurso politico de guerrilha urbana», que vai marcar as próximas eleições autárquicas, foi aquele do PS, criticar a saudação do PSD sobre a esquadra no antigo Café Barreiro.
Uma saudação classificada de inócua e depois, para surpresa, o PS vota a favor de algo que é inócuo, porque, afinal mesmo inócua, era preciso estar a favor da inocuidade deste que ela sirva para separar o mundo em bons e maus.
O mesmo com o PCP, que reconhece o papel do Governo, que até vai assumir as obras de recuperação, mas opta por votar contra – que é isto de saudar o Governo. Isso nunca.
Uma história que se repete, repete…e, certamente, vai em crescendo até às próximas eleições autárquicas.

Saudações ritual

Uma nota final. Não sei quantas vezes, em quantos anos, que a Assembleia Municipal do Barreiro aprova saudações aos aniversários do Futebol Clube Barreirense e do Luso Futebol Clube. Este ano acrescentou o Galitos Futebol Clube, e, ainda, por sugestão, ocasional, lá ficou também o Grupo Desportivo Ferroviários do Barreiro.
Raramente, perde-se na memória, ou não existem mesmo registos de saudações a outras associações do concelho. Algumas centenárias – SFAL ( acho que nunca mereceu uma saudação da AMB) e muitas outras espalhadas pelo concelho do Barreiro. O Paivense. O União de Coina. O Recreativo de Palhais. O União da Penalva. Os Leças. Por vezes, mais não fosse, serem saudadas, sem ser pelos aniversários, mas por projectos que desenvolvem e dinâmicas de referência de voluntariado que são as suas práticas associativas. Mas, os deputados municipais vivem naquele redoma de «narrativa», enquanto o mundo lá fora gira.
Por vezes, parece que as saudações aos aniversários do Movimento Associativo estão reduzidas aos clubes do centro da cidade. O Fabril, uma vez por outra também é evocado. E, circunstancialmente lá uma ou outra Colectividade é saudada. Mas o FCB, o LFC esses é imperativo. Todos os anos, umas vezes por umas razões, outras por outras, são as «saudações ritual».

António Sousa Pereira

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