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Inferências

CRITICAS E CRÓNICAS – «Um momento no cinema»Mad Max: Fury Road
Por Diogo Coelho

O futuro o dirá. Por agora, é já um marco na história dos filmes de acção do século XXI e decerto um caso de estudo para o cinema. Sem querer estragar a experiência, diria apenas que deve ser visto com o minimo de informação prévia, deve ser "bebido" como uma bebida refrescante na altura ideal e deve ser encarado como um encontro a sós entre o público e o cinema.

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CRITICAS E CRÓNICAS – «Um momento no cinema» Mad Max: Fury Road Por Diogo Coelho

Por Jornal Rostos

Após uma ausência no mês passado, decidi focar esta minha crónica a um filme pertencente, também ele, a uma franchise "ausente" das salas de cinema durante mais de duas décadas. Estou a falar naquele que é possivelmente o melhor filme de acção desde o inovador The Matrix em 1999 e, atrevo-me a dizer, candidato a filme do ano corrente. Sim, falo de Mad Max: Fury Road.
Descrever todas as qualidades e a real importância para o cinema mundial deste filme numa crónica parece-me verdadeiramente escasso tendo em conta o projecto em si. Tratarei sim de tentar convencer as poucas pessoas que ainda não viram este filme...falando antes da sua trilogia original. Estranho, não é? Mas valerá a pena.
Mad Max, o original de 1979, tratou-se de um pequeno filme da mente do até aí desconhecido George Miller e foi um sucesso local (na Austrália) de grande envergadura. Com uma história de vingança simples mas ancorada por excelentes personagens, efeitos práticos de assombrar e um protagonista que cedo roubou todas as atenções (Mel Gibson), esta ideia original de um cenário pós-apocaliptico tinha tudo para deixar a sua marca na história do cinema. E cedo conseguiu tal distinção.
No ano de 1981 estreou nas salas de cinema a obra-prima absoluta do género, Mad Max: Road Warrior. Foi através deste filme que se consolidou verdadeiramente a qualidade dos filmes de acção pulsantes, com trabalho real de duplos e sequências de acção até aí impossiveis de filmar. Tudo isto num universo original, repleto de personagens marcantes e um tom visual que iria ser copiado sem nunca manter a sua qualidade inicial. Depois do sucesso desta sequela, naturalmente outro filme se seguiu: Mad Max 3: Beyond Thunderdome. Este último, infelizmente, tratou-se de um filme pouco equilibrado com algumas das melhores sequências do franchise mas também repleto de cenários pouco caracteristicos do ambiente e sobretudo um 2º acto que ainda hoje não faz sentido no contexto da obra.
Apesar de tudo, foi e é ainda uma trilogia marcante na história do cinema. Infelizmente também se tratou de uma série de filmes que demorou imenso tempo a ter luz verde para continuar. Trinta anos para ser exacto.
Mas como diz a incrivelmente aborrecida expressão, "quem espera sempre alcança" e passado todo este tempo George Miller regressou ao seu mundo que tanto prazer nos deu visitar e ofereceu-nos, do abismo do inferno e dos mais recônditos cantos da loucura humana e do desespero sufocante, uma pelicula que rivaliza com o segundo filme da obra e, quem sabe, não será ainda melhor. O futuro o dirá. Por agora, é já um marco na história dos filmes de acção do século XXI e decerto um caso de estudo para o cinema. Sem querer estragar a experiência, diria apenas que deve ser visto com o minimo de informação prévia, deve ser "bebido" como uma bebida refrescante na altura ideal e deve ser encarado como um encontro a sós entre o público e o cinema. Entre a arte e o entretenimento e entre a saudade e o prazer. Pois no meio de tanta loucura e destruição visual que o filme oferece, existe uma faisca de esperança que transita das personagens para o público e isso é, na verdade, o que se procura incessantemente na vida e sobretudo na arte.

Diogo Coelho

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