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Inferências

InferênciasAfinal Alfredo da Silva faz parte da «memória» do Barreiro

Ontem à noite na reunião da Assembleia Municipal do Barreiro fiquei a saber que afinal Alfredo da Silva é reconhecido como parte integrante da memória do Barreiro.

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Inferências Afinal Alfredo da Silva faz parte da «memória» do Barreiro

Por Jornal Rostos

Numa intervenção de José António Batata, deputado da CDU, para dar exemplos que a “memória não seja a memória dos vencedores”, recordou que no Barreiro, há exemplos concretos, após a Revolução de 1974, como se manteve a memória, quer ao nível da toponímia, quer ao nível da estatuária, caso que não aconteceu noutras localidades.
Sobre estatuária, após o 25 de Abril pouco haveria para derrubar, apenas a estátua de Alfredo da Silva e a do Padre Abilio Mendes.
Ambas mantiveram-se, porque ambas são de duas personalidades que inscreveram seus nomes na memória desta terra, não por palavras, mas por actos, que todos reconhecem como únicas e insubstituíveis. Com obras exemplares.
Quanto à toponímia foram muitas as mudanças que se registaram. Há uma mudança que, ainda nos dias de hoje, não me sai da memória e que, acredito, um dia será reposta, nomeadamente ter sido retirado o nome de Avenida dos Descobrimentos, junto à Escola Álvaro Velho, porque os “descobrimentos eram um feito colonialista e fascista”.

Mas, voltando à intervenção do deputado da CDU, António José Batata, este autarca recordou que temos no Barreiro – a Escola Alfredo da Silva (tenho dúvidas que alguém ousasse mudar o nome a uma escola criada pelo impulso da CUF para formar jovens e mão de obra qualificada de qualidade); que existe o Mausoléu Alfredo das Silva, (tenho dúvidas que alguém optasse por tomar a decisão de derrubar o mausoléu do empresário, não só como obra de arte, mas pelo simbolismo do patrão para muitos operários).
Referiu, igualmente, que temos a Avenida Alfredo da Silva e a Estátua Alfredo da Silva. Mudou-se o nome do Parque para Catarina Eufémia, retirando-lhe o nome do ditador António Oliveira Salazar, mas não existiu força, nem vontade para mudar o nome da Avenida, até podiam existir argumentos e voltar a dar-lhe o nome de Avenida da Bélgica.
Salientou que existe o Estádio Alfredo da Silva, um estádio inaugurado há 50 anos e cuja efeméride foi assinalada este ano, no dia 30 de Junho e passou ignorada.
Nem na Assembleia Municipal uma única força politica, saudou – saúdam tanta coisa – este facto, a inauguração de um equipamento desportivo de referência europeia, projectado por um arquitecto barreirense – Cabeça Padrão. Não mereceu aplauso no seu cinquentenário.
Há, é verdade, foi lembrado que existe a Casa Museu Alfredo da Silva.
E, também, que existe o Bairro Alfredo da Silva.

Fiquei estupefacto ao verificar que, afinal, Alfredo da Silva faz parte da “memória” do Barreiro.
E, acima de tudo, gostei, por ser reconhecido por um deputado municipal da CDU.
É que, há dias, assisti à projecção do espectáculo multimédia nos silos da Nutasa e, registei, que naquele conjunto de imagens não existiu um momento para sublinhar que Alfredo da Silva é um nome de referência na “memória” do Barreiro.
Por isso, gostei de ouvir José António Batata citar, as diversas referências a Alfredo da Silva, pena é que, depois, em coisas de «história» seja ignorado.
Mas, nessa projecção multimédia, também fiquei estupefacto, com a referência, quando da “memória da CUF” surgiu a frase – HOMEM OPERÁRIO.
Ao ler esta frase fiquei indignado, porque imaginei os milhares de MULHERES OPERÁRIAS da zona têxtil, e o contributo da CUF para dar à mulher um lugar no mundo do trabalho e da fábrica. Um fenómeno histórico que o Barreiro ainda não estudou, nem divulgou com a devida atenção.
E, é verdade, até nisso, podiam ter falado na Família Operária, já que no Barreiro foi construído um monumento à família operária.

Pronto, mas valha-nos isto, uma coisa é certa, ontem fiquei esclarecido: Alfredo da Silva não foi apagado da história nem da memória do Barreiro.
Mas será que alguém se convence, seja lá quem for, que Alfredo da Silva, está inscrito na memória e na história desta cidade e que nada nem ninguém o vai retirar da memória.
Podem existir discussões, divergências, pontos de vista de avaliação, interpretações politicas, seja, lá o que for, uma coisa é certa, Alfredo da Silva tem mais peso na nossa memória colectiva, que dez segundos que pretendam ignorá-lo, naquelas cenas de operários a entrar em “cadeia” numa cena que fazia lembrar Charlie Chaplin no filme «Tempos Modernos».
E, digo-vos escrevo estas palavras porque não gostei que apagassem Alfredo da Silva na história da CUF e fiquei perplexo ao escutar a alusão à sua “memória” inscrita na vida da cidade, como exemplo de tolerância e respeito pelas diferenças.

Até gostei de uma forma global do «Barreiro Light on», embora, sentisse que teve na sua concepção uma linha de pensamento assente no «nós», reduzindo tudo a movimentos colectivos e ignorando nomes e coisas essenciais.
Falei de Alfredo da Silva. Podia ter falado de Augusto Valegas e da falta naquela projecção de imagens evocativas da epopeia do Jogos Juvenis do Barreiro.
Ou até, porque não, falar de futebol e da importância do futebol na nossa “memória”. Tantos nomes que orgulham o país e que o Barreiro podia, num canudo do silo mostrar aos barreirense – José Augusto, Bento, Chalana, Corona, Azevedo, Carlos Gomes, Pireza. Outra história que o Barreiro um dia deverá escrever.
Ou, até, se quiserem”, o excesso de referência ao comboio e a completa ignorância da importância dos TCB’s na vida do concelho. Ao menos um autocarro dos TCB´s a ligar aos barcos – marcando o quotidiano de milhares de barreirenses desde os anos 60. A história das gentes do Barreiro que, ontem como hoje, vive no Barreiro, gosta do Barreiro, mas trabalha na outra margem. Outra história que é preciso escrever e enquadrar na “memórias do futuro”.

António Sousa Pereira

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