A(nota) mentos - BarreiroA galinha da minha vizinha é sempre pior que a minha

Por Jornal Rostos
Numa recente entrevista ao jornal «Sol», Álvaro Beleza, dirigente do Partido Socialista, afirmava - “Sou amigo de Seguro. Sou solidário com os meus amigos, mas para além disso a politica não é para amigos”.
Salientava que em relação a Seguro – “houve um acto de crueldade. Mas quem anda na politica sabe que às vezes, ela é cruel e injusta. A liderança de Seguro deixa uma marca: a ética e decência na vida politica e abertura do partido aos cidadãos”.
Defendeu ainda que, neste período, pós Seguro – “Tem que haver uma equipa e todos têm de dar a cara”.
Referiu igualmente que- “O PS não deve ser um partido de quotas. Gostava que o debate fosse ideológico e menos de grupos de amigos do líder ou ex-líder”, acrescentando que – “este critério também serve para os apoiantes de Sócrates”.
E, por fim de referir que na sua entrevista salientava- “O PS tem de acabar de vez com esta disputa de facções”.
Sublinhou que – “Por vezes, as lutas internas são mais ferozes que as externas, o que é desagradável. Mas passa, somos camaradas”.
Por fim afirmou - “Se não correrem bem as legislativas e o PS não ganhar, todo o PS perde. Seria inimaginável”.
Quando estava a assistir à última reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro e foi divulgado que, por razões pessoais, dois eleitos socialistas pediam suspensão do mandato até ao dia 5 de Outubro, ocorreu-me ao pensamento esta entrevista.
As razões pessoais invocadas, cheiravam a “gato escondido com rabo de fora”, e, não foi preciso muito, nesse mesmo dia surgiam noticias que a suspensão dos mandatos era um “protesto” e expressavam a vontade dos autarcas socialistas, ditos apoiantes de Seguro, não pretenderem manter actividade politica até às eleições legislativas.
Todos ficámos esclarecidos.
Mas, entretanto, nas redes sociais o assunto continuava a ser tema, e o líder do Partido Socialista do Barreiro, André Pinotes Batista, escrevia : “ Há dois tipos de maníacos que fazem campanha contra o António Costa nas redes sociais, os do Insurgente - que confesso que têm piada - e os outros que não têm gracinha nenhuma. Nunca o Passos Coelho julgou vir a ter apoiantes, ainda que poucos, dentro do PS. É verdade que não somos o PCP e aqui pode-se ter opinião, mas há atitudes que trespassam os limites do razoável.”
Nesta sua declaração, achei piada, ao facto de um líder politico, para falar da sua realidade interna, falar de outro partido, em termos de se ter, ou não, opinião. Como se ter opinião fosse um exclusivo de alguns.
Mas, afinal, que culpa tem o PCP que os vereadores socialistas decidam “meter férias na politica” e, com a sua decisão, por razões de guerras de politica partidária interna, não respeitem o voto que os barreirenses lhes deram e cumpram o seu mandato autárquico, em vez de o utilizar como arma de arremesso politico.
E, igualmente, referir que, no seu partido, quem não apoiar António Costa, está com Passos Coelho. Isto é mesmo pensar que só há mesmo os maus e bons.
Ou, seja, é uma espécie de “a galinha da minha vizinha é sempre pior que a minha”, ou “quem não é por mim, está contra mim”.
Leio tudo isto. Recordo as palavras de Álvaro Beleza e penso, citando Mia Couto – “A política é desses incêndios que se acendem na casa do outro e quem arde é a nossa casa”.
“ Mas passa, somos camaradas”- como diz Álvaro Beleza.
Depois, ainda acham que os cidadãos têm uma opinião muito negativa sobre a politica e os politicos.
Enfim!
S.P.













