Barreiro – Por dentro dos DiasDou comigo a pensar nestes acasos da vida
E, sem dúvida, a nossa memória futura serão os resíduos reais, que ficam daquilo que fizermos e partilharmos.

Por Jornal Rostos
Hoje, pela manhã, como é habitual aos sábados, fui até à Avenida da Praia, tomar o café e ler o jornal na Esplanada dos Dadores de Sangue do Barreiro. Um espaço agradável.
Enquanto estou por ali, trocam-se palavras, às tantas, venho a saber que a actual gestora daquele espaço é irmã da minha falecida amiga e vizinha Élia Rita. E, para surpresa minha, ela informou-me que o esposo da Élia ( que eu já não via há uns meses) também faleceu.
Recordei que a Élia, falava várias vezes comigo sobre um romance que estava a escrever e que gostava de editar. Um romance histórico.
Fiquei a saber que a edição desse romance é um compromisso que sua irmã assumiu e que tem vontade de o concretizar doando todos os direitos à Associação Persona, com a qual a Élia, em vida colaborou.
Este, talvez, um desafio para a Persona.
Em casa, ao almoço, comento que, ainda ontem, eu pensava que não via já há algum tempo o esposo da Élia e, hoje, vim a saber do seu falecimento.
A Lurdes comentou que a filha da irmã da Élia – a Joana – foi sua aluna no Ensino Básico. E, recordou, que tem uma lembrança dessa aluna que guarda com muito carinho e, também, por acaso, ontem, esteve com essa lembrança na mão – um caixinha com formato de coração onde, no seu interior está uma mensagem escrita pela Joana – “Gosto de ti!”.
Dou comigo a pensar nestes acasos da vida. Nestes acontecimentos súbitos, que nos trazem à memória amigos e recordações.
Afinal, a eternidade, é, talvez isto, a lembrança que cada um de nós deixa e fica nas memórias dos dias, da vida e das cidades.
E, sem dúvida, a nossa memória futura serão os resíduos reais, que ficam daquilo que fizermos e partilharmos.
S.P.













