A insustentável leveza da Amélia Antunes
O Congresso do Partido Socialista do Distrito de Setúbal foi marcado pela presença de um protagonista ausente – Aires de Carvalho.
A moção “Voltar a Crescer” apresentada pelos socialistas do Barreiro acabou por ser o barómetro do Congresso.
Aires de Carvalho foi, afinal o grande vencedor deste Congresso dos socialistas de Setúbal, dado que a lista apresentada em sua memória acabou por, de uma forma ou outra, marcar as diversas sessões de trabalho e as votações, nomeadamente, o facto de os eleitos por esta moção para a Comissão Política Distrital puderem vir a assumir um papel de “charneira” nas definições de opções políticas regionais.
A moção “Voltar a Crescer” apresentada pelos socialistas do Barreiro acabou por ser o barómetro do Congresso.
Aires de Carvalho foi, afinal o grande vencedor deste Congresso dos socialistas de Setúbal, dado que a lista apresentada em sua memória acabou por, de uma forma ou outra, marcar as diversas sessões de trabalho e as votações, nomeadamente, o facto de os eleitos por esta moção para a Comissão Política Distrital puderem vir a assumir um papel de “charneira” nas definições de opções políticas regionais.

Por António Sousa Pereira
Amélia Antunes revelou neste Congresso que poderá não estar preparada para “controlar” as diferenças de um partido que está marcado por memórias que fizeram a sua realidade actual no Distrito.
Quando da abertura dos trabalhos a nova líder socialista ao ser criticada a composição da Mesa que iria presidir ao Congresso foi incapaz de “unir em torno daquilo que é possível unir” ao defender a sua proposta valorizando “questões podres” e contestando “unanimidades” forjadas em torno de questões podres.
Amélia Antunes, com esta sua posição deu o flanco, fragilizou a aceitação da sua liderança porque se colocou como a guardiã da pureza e empurrou para cima de todos os outros o estigma das “questões podres”.
Esta sua posição foi um mau presságio e acabou de uma forma ou outra por marcar os trabalhos do Congresso.
Um líder tem que ter consciência das forças em confronto, da história e da memória do seu partido.
E, como recordou Cabós Gonçalves, nestas coisas de “arrumar forças” todos fazem o mesmo, mas os maus são sempre os outros.
O segundo momento negativo de Amélia Antunes foi marcado pela farpa que dirigiu a José Reis, do Seixal, que motivou que Catarino Costa, de Setúbal, parafraseando Amélia Antunes colocasse a mesma pergunta desta vez evocando o nome de Aires de Carvalho.
Amélia Antunes não tinha necessidade de “separar as águas” desta forma até porque tinha acabado de fazer uma brilhante intervenção que, pela primeira vez, galvanizou os congressistas e colocou o PS acima de todas as questiúnculas de bastidores.
O resultado destes seus dois erros estratégico foi sentido no final do Congresso quando da votação da Comissão Política Distrital tendo a sua lista obtido 27 lugares, enquanto a lista do seu rival directo, Alberto Antunes, obteve 22 lugares e a lista do Barreiro alcançou 6 mandatos.
A liderança de Amélia Antunes saiu fragilizada deste congresso, embora a líder distrital conte com apoiantes eleitos nas listas dos “opositores” nomeadamente Eduardo Cabrita que foi eleito na lista do Barreiro.
Eduardo Cabrita terá que gerir a “solidariedade política” com as posições da lista liderada por Emídio Xavier e o apoio que, desde a primeira hora, manifestou a Amélia Antunes, porque, de facto, ele será o voto que poderá eventualmente “desequilibrar” as futuras votações na Comissão Política Distrital em favor de Amélia Antunes.
Um congresso marcado por pedido de impugnação, por José Reis, presidente da Comissão Organizadora do Congresso e por uma votação para a Comissão Política que abriu claramente as clivagens que existem no PS, no distrito de Setúbal, são factos políticos que não irá dar à nova presidente da Federação Distrital do Partido Socialista um grande espaço de manobra, porque, afinal, a nova líder distrital que demonstra ter um discurso forte e uma grande coragem política apostada num desejo de mudança, acabou por ignorar que as mudanças só podem ser feitas se levar consigo todos aqueles que fazem e fizeram a história do seu partido, aqueles que foram construindo vitórias e gerindo as derrotas, e, de certa forma souberam sempre manter viva a chama do ideal socialista.
Amélia Antunes não pode querer “renovar o PS” contra o PS e deve ter em atenção as palavras de Paulo Pedroso no final do congresso “os adversários do Partido Socialista não estão no seio do PS” são os outros partidos, nomeadamente o PCP, ao nível do distrito e o PSD ao nível nacional.
E, acima de tudo, reflectir sobre as suas próprias palavras – “se não formos solidários internamente, não seremos para os cidadãos”.
Amélia Antunes bateu Alberto Antunes no seu discurso final de defesa da sua moção, mas, ao mesmo tempo, perdeu porque, conhecendo o seu partido e as suas memórias, quer dar a volta ao PS e deixar para trás aqueles que afinal são a sua história interna e real e quer colocar-se acima do aparelho e do sistema que ela própria integra e também gere. Se não é assim porque foi feita tanta força para aceitar os delegados de Palmela?
Ou seja, quem tem razão afinal é Cabós Gonçalves – todos fazem o mesmo. Só que quando uns fazem “estão a exercer a cidadania e a democracia” quando são os outros então esses “são caciques”.
Em conclusão Aires de Carvalho esteve ausente, mas venceu o Congresso e Amélia Antunes, na sua insustentável leveza vai ter que ser capaz de viver com o sistema ou vai ter um confronto muito doloroso.
Como alguém dizia no final dos trabalhos – “mais seis ou oito meses e vamos ter um novo Congresso”.
Com estas perspectivas Amélia Antunes que merece um aplauso, por se afirmar como uma política que parece viver com paixão o seu ideal, sai fragilizada deste Congresso porque foi incapaz de “unir aquilo que é possível unir”.
Quando da abertura dos trabalhos a nova líder socialista ao ser criticada a composição da Mesa que iria presidir ao Congresso foi incapaz de “unir em torno daquilo que é possível unir” ao defender a sua proposta valorizando “questões podres” e contestando “unanimidades” forjadas em torno de questões podres.
Amélia Antunes, com esta sua posição deu o flanco, fragilizou a aceitação da sua liderança porque se colocou como a guardiã da pureza e empurrou para cima de todos os outros o estigma das “questões podres”.
Esta sua posição foi um mau presságio e acabou de uma forma ou outra por marcar os trabalhos do Congresso.
Um líder tem que ter consciência das forças em confronto, da história e da memória do seu partido.
E, como recordou Cabós Gonçalves, nestas coisas de “arrumar forças” todos fazem o mesmo, mas os maus são sempre os outros.
O segundo momento negativo de Amélia Antunes foi marcado pela farpa que dirigiu a José Reis, do Seixal, que motivou que Catarino Costa, de Setúbal, parafraseando Amélia Antunes colocasse a mesma pergunta desta vez evocando o nome de Aires de Carvalho.
Amélia Antunes não tinha necessidade de “separar as águas” desta forma até porque tinha acabado de fazer uma brilhante intervenção que, pela primeira vez, galvanizou os congressistas e colocou o PS acima de todas as questiúnculas de bastidores.
O resultado destes seus dois erros estratégico foi sentido no final do Congresso quando da votação da Comissão Política Distrital tendo a sua lista obtido 27 lugares, enquanto a lista do seu rival directo, Alberto Antunes, obteve 22 lugares e a lista do Barreiro alcançou 6 mandatos.
A liderança de Amélia Antunes saiu fragilizada deste congresso, embora a líder distrital conte com apoiantes eleitos nas listas dos “opositores” nomeadamente Eduardo Cabrita que foi eleito na lista do Barreiro.
Eduardo Cabrita terá que gerir a “solidariedade política” com as posições da lista liderada por Emídio Xavier e o apoio que, desde a primeira hora, manifestou a Amélia Antunes, porque, de facto, ele será o voto que poderá eventualmente “desequilibrar” as futuras votações na Comissão Política Distrital em favor de Amélia Antunes.
Um congresso marcado por pedido de impugnação, por José Reis, presidente da Comissão Organizadora do Congresso e por uma votação para a Comissão Política que abriu claramente as clivagens que existem no PS, no distrito de Setúbal, são factos políticos que não irá dar à nova presidente da Federação Distrital do Partido Socialista um grande espaço de manobra, porque, afinal, a nova líder distrital que demonstra ter um discurso forte e uma grande coragem política apostada num desejo de mudança, acabou por ignorar que as mudanças só podem ser feitas se levar consigo todos aqueles que fazem e fizeram a história do seu partido, aqueles que foram construindo vitórias e gerindo as derrotas, e, de certa forma souberam sempre manter viva a chama do ideal socialista.
Amélia Antunes não pode querer “renovar o PS” contra o PS e deve ter em atenção as palavras de Paulo Pedroso no final do congresso “os adversários do Partido Socialista não estão no seio do PS” são os outros partidos, nomeadamente o PCP, ao nível do distrito e o PSD ao nível nacional.
E, acima de tudo, reflectir sobre as suas próprias palavras – “se não formos solidários internamente, não seremos para os cidadãos”.
Amélia Antunes bateu Alberto Antunes no seu discurso final de defesa da sua moção, mas, ao mesmo tempo, perdeu porque, conhecendo o seu partido e as suas memórias, quer dar a volta ao PS e deixar para trás aqueles que afinal são a sua história interna e real e quer colocar-se acima do aparelho e do sistema que ela própria integra e também gere. Se não é assim porque foi feita tanta força para aceitar os delegados de Palmela?
Ou seja, quem tem razão afinal é Cabós Gonçalves – todos fazem o mesmo. Só que quando uns fazem “estão a exercer a cidadania e a democracia” quando são os outros então esses “são caciques”.
Em conclusão Aires de Carvalho esteve ausente, mas venceu o Congresso e Amélia Antunes, na sua insustentável leveza vai ter que ser capaz de viver com o sistema ou vai ter um confronto muito doloroso.
Como alguém dizia no final dos trabalhos – “mais seis ou oito meses e vamos ter um novo Congresso”.
Com estas perspectivas Amélia Antunes que merece um aplauso, por se afirmar como uma política que parece viver com paixão o seu ideal, sai fragilizada deste Congresso porque foi incapaz de “unir aquilo que é possível unir”.













