A(nota) mentosAs mulheres e o associativismo
Talvez, de facto, já seja tempo de o Barreiro, nas suas distinções reconhecer o papel das mulheres na vida associativa

Por Jornal Rostos
Hoje, dia 13 de Setembro, comemorou o seu aniversário Filipa Lopes. Na sua página de facebook deixei a minha saudação : “Parabéns, minha linda Tesoureira! Bejocas muito, muito grandes!”.
Ao escrever “minha linda tesoureira” ocorreram-me ao pensamento anos de vivências associativas, dias de trabalho e entrega a uma causa que me apaixonou, quer no mundo associativo, quer no mundo cooperativo.
Muitas horas. Muitos dias. Dias de partilha de projectos. Dias de trabalho de equipas dedicadas.
No associativismo, de facto, nada se faz se não existir um coeso trabalho de equipa.
A Filipa Lopes foi uma peça essencial nas equipas que integrei, com dedicação, rigor, honestidade e critica sempre que tinha que expressar as suas diferenças de opinião e pontos de vista.
A Filipa, a Irene, a Lurdes, e muitas outras mulheres que foram, ou são, dirigentes associativas não têm o devido reconhecimento associativo.
Foi isso que me ocorreu ao escrever a saudação de aniversário à Filipa, é, que, na verdade, ao longo de décadas de atribuição do galardão «Barreiro Reconhecido», na área do Associativismo, se não estou errado, nunca houve uma mulher que fosse distinguida, quando, elas, um pouco por todo o lado, nas mais diferentes colectividades são activistas e dedicadas a esta causa nobre de acção cívica na comunidade.
No concelho do Barreiro até existem exemplo de colectividades que, estando as portas fechadas, foram as mulheres que se organizaram e formaram corpos sociais. Há pelos menos duas situações em Palhais e Coina. No caso de Palhais, até, tendo sido constituídos todos os órgãos sociais apenas por mulheres, talvez caso único e pioneiro.
E, ainda hoje, em muitas colectividades são as mulheres que se dedicam com muita paixão a manter vivas e dinâmicas associações, porque sentem que estes são espaços cívicos de fruição e formação humanista.
Talvez, de facto, já seja tempo de o Barreiro, nas suas distinções reconhecer o papel das mulheres na vida associativa. Há muitas, só que, tal como a Filipa, trabalham na sombra, dedicam-se trazendo para a vida associativa um sentimento familiar e próprio de quem sabe partilhar os dias – dando sem estar à espera de aparecer, estar em todas, mas dando com o coração.
Parabéns Filipa! E, através de si, uma mulher que aprendi a ter no meu coração, com grande amizade, aqui fica a minha saudação às muitas mulheres que, nos dias de hoje, apesar de todas as dificuldades, continuam a manter viva a chama do associativismo.
Talvez, o Barreiro, um dia, descubra que no associativismo também há mulheres!
S.P.













