A(nota) mentosOs árbitros, o Barreiro, os ferroviários e a «cultura associativa»
Inácio Almeida, que marcou presença numa final da Taça dos Clubes Campeões Europeus e também Carlos Valente, que marcou presença em duas fases finais de campeonatos do mundo.

Por Jornal Rostos
Assisti, ontem à noite, a sessão evocativa do cinquentenário da criação do Núcleo de Confraternização dos Árbitros de Futebol do Barreiro, vivida num ambiente de cordialidade, familiar e de muita simpatia.
Antes de mais, quero, aqui, agradecer publicamente, as simpáticas palavras dirigidas ao jornal «Rostos», quer por Inácio Almeida, presidente da Mesa da Assembleia Geral, árbitro de referência nacional e internacional, que marcou presença numa final da Taça dos Clubes Campeões Europeus.
Agora, com 83 anos, sublinhou que acompanha as noticias da região através do «Rostos on line».
Escutar estas palavras, no dia que o jornal «Rostos on line» assinalava os seus 13 anos de actividade, é um estímulo e honra o nosso trabalho diário.
Igualmente, Sousa Marques, presidente da Direcção da Associação de Futebol de Setúbal, fez elogiosas referências aos contributos do jornal «Rostos» na divulgação do futebol e da vida da Região.
São palavras simples, que não esperávamos, mas sabem bem escutar. O nosso obrigada!
Os árbitros e os ferroviários
Mas, voltando à sessão, queria referir que esta actividade jornalística permite conhecer e contactar com diferentes realidades da vida da região. Conhecer e aprender com as experiências de vida.
Porque houve ao longo dos anos tantos árbitros no Barreiro e na região de Setúbal? – perguntava Nuno Roque, presidente da Direcção do Núcleo de Confraternização dos Árbitros de Futebol do Barreiro.
E deu a resposta: porque quase todos eram ferroviários e beneficiavam do transporte para se deslocaram nos serviços de arbitragem.
Os árbitros e o associativismo
Porque nasceu no Barreiro o primeiro Núcleo de Árbitros no país, com personalidade juridica? – voltou a interrogar.
Porque no Barreiro há muito associativismo e os árbitros tinham nas suas vidas essa vivência em colectividades.
Isso motivava-os a encontrar-se para conviver e discutir os casos de cada semana. Mas encontravam-se não para a «confrontação», sim para a «confraternização».
E daí, nesse convívio regular, surgiu a ideia de criação do Núcleo. Sonharam e Construíram.
Barreiro terra de árbitros
O Núcleo de Árbitros do Barreiro já inscreveu vários nomes na história do futebol nacional e internacional. Inácio Almeida que acima referimos, mas também Carlos Valente, que marcou presença em duas fases finais de campeonatos do mundo.
Mas, há muitos outros nomes de referência: Raul Nazaré, Ezequiel Feijão, Sebastião Pássaro, José Moedas, Joaquim Marques e, até, actuais como Bruno Paixão.
Destes nomes, tive o privilégio de conviver mais de perto e com ele partilhar os meus dias, o meu saudoso amigo Sebastião Pássaro, com quem integrei a Comissão Organizadora dos Jogos Juvenis do Barreiro, sendo ele um empenhado e dedicado organizador da modalidade de futebol.
Pelo que registei, o Núcleo de Confraternização dos Árbitros de Futebol do Barreiro, continua a ser uma referência no futebol regional e nacional e os seus estatutos têm sido e são o ex-libris, para a fundação de muitos núcleos de árbitros no país.
Os tempos mudaram muito, hoje a arbitragem, em alguns níveis, já não tem a carga de voluntariado de outrora, mas continua a ser necessário fazer um trabalho de base, junto das comunidades para captar e atrair jovens – homens e mulheres.
O Núcleo do Barreiro conta com seis mulheres.
Escrevo estas notas à margem da reportagem porque senti, ali, ontem à noite, esse clima que é força e a energia da vida associativa – estar e viver na comunidade; promover a formação; dinamizar o convívio e solidariedade, com respeito pelas diferenças e com uma grande fraternidade, simplicidade humildade.
Ora não fosse um núcleo, nascido no Barreiro, terra de ferroviários e de cultura associativa.
Obrigado pelo convite.
António Sousa Pereira













