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Inferências

InferênciasO que define as dinâmicas politicas em Portugal é a «bolha» - entre a «esperança» e a «confiança»!
Por António Sousa Pereira
Barreiro

Quando a «bolha do pensar», nos dias de hoje, é colocada a reflectir sobre os “deficits”, dos novos bancos, dos bpn’s, da segurança social e como solução apontam «plafonamentos» - verticais ou horizontais – ainda mais, a «bolha» se agita e trepida entre as duas palavras – esperança e confiança.

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Inferências O que define as dinâmicas politicas em Portugal é a «bolha» - entre a «esperança» e a «confiança»! Por António Sousa Pereira Barreiro

Por Jornal Rostos

Nos últimos tempos tenho reparado nas discussões sobre a veracidade das sondagens.
Não me incomodam as sondagens, mas, de facto, regra geral ao longo dos anos elas aproximam-se de uma forma, ou outra, aos parâmetros que depois emergem nos resultados nas urnas. Porque é assim, porque Portugal se espelha facilmente nos seus comportamentos, que, afinal, são o reflexo da sua realidade sócio-económica e social.

E as sondagens que vão sendo divulgadas que apontam de forma regular a ideia de “empate técnico” , na verdade, espelham o nosso país real.
Está tudo um pouco dividido entre duas palavras – “a esperança” e a “confiança”.
No dia 4 de Outubro saberemos qual destas opções vence e, depois, ambas as opções “a esperança” ou “a confiança” ficam a gerir e em “análise", talvez, até às autárquicas de 2017.
Os portugueses não vão arriscar dar maioria absoluta a ninguém, porque os votantes centraram o seu pensamento nessas duas ideias-força: esperança e confiança!
Mas, porque será que considero ser essas as palavras-chave das presentes eleições. Vejanos.

Dizia hoje, numa conversa que sinto, cada vez mais, que de facto o que define as dinâmicas politicas em Portugal é a «bolha».

É a «bolha da divida imobiliária», que condiciona e faz pensar no pagamento da prestação da casa e que muitos, ainda recordam, tempos recentes e actuais de famílias que as perderam e outras que tiveram que renegociar com a banca. Foram momentos dolorosos e cruéis de vida real, vivida – com falta de esperança e perda de confiança.

É a «bolha das dividas» - pública e privada -que tal como a divida imobiliária, colocou em muitas vidas situações dramáticas e a perda de muitas vivências equilibradas.
A divida que conduziu a cortes de salários e pensões e aumentos de impostos.
E, digam o que disserem, na busca da paternidade da troika, a realidade é que, de facto quem sentiu na pele, tem memória, e, na verdade, não esquece, esta uma situação emocional que contribui , pelo menos, para que o país continue dividido entre essas duas palavras – a esperança e a confiança!

A «bolha da empregabilidade» que atingiu milhares de pessoas, levou muitos a partir por esse mundo fora, levando conhecimentos e saberes que podiam estar ao serviço do país, mas, onde de facto não existiam condições, quer devido à ausência de investimento público – do Poder central e Local – quer devido à ausência de investimento privado.
O grande empregador do país o «estado» - Local ou Central - suspendeu admissões e iniciou despedimentos.
E, também neste campo do emprego, o direito ao trabalho, as palavras «esperança» e «confiança» entraram na consciência e todos os dias se escutava nas mais diversas conversas: “Agora, é preciso viver um dia de cada vez”. Tantas eram e são as incertezas.

A «bolha financeira» que nos amarra ao euro, que nos coloca o garrote do deficit, que nos exige que cumpramos planos de equilíbrio orçamental, e, depois, dá os fundos comunitários, que geram negócios e movimentam milhões e condiciona os políticos e as politicas.

A «bolha do pensar» que, é, afinal aquela que filtra e sintetiza todas as «bolhas» atrás referenciadas.
Essa bolha que de novo trouxe para o terreno essa forma de olhar para os dias a «preto» e «branco», os «bons» e «os maus».
Mas, agora, esse pensar centrou-se nas duas palavras – esperança e confiança – num país onde a «bolha do pensar» se traduz politicamente, hoje como ontem, no «centrão».
Um «centrão» que vive nas margens e do orçamento do estado – reformados, pensionistas, funcionários públicos – saúde, educação, segurança, serviços públicos diversos, partidos, pequenos empresários que dependem do estado – local ou central.

A «bolha» tal como o «nível» dos pedreiros, que oscila de um lado para outro e que, na verdade, só está equilibrada quando se coloca no centro, mas que, de facto, oscila, oscila…sempre na procura de garantir que todas as «bolhas» atrás referenciadas, não estraguem o «modos vivendi».
Estas são as «bolhas» que, afinal marcam a nossa forma de viver, e tem caracterizado os sucessivos actos eleitorais e se expressam nas sondagens.

E depois, quando a «bolha do pensar», nos dias de hoje, é colocada a reflectir sobre os “deficits”, dos novos bancos, dos bpn’s, da segurança social e como solução apontam «plafonamentos» - verticais ou horizontais – ainda mais, a «bolha» se agita e trepida entre as duas palavras – esperança e confiança.

Uma primeira reacção da «bolha do pensar» expressa-se na abstenção, principalmente, daqueles que já perderam a «esperança» e cada vez têm menos «confiança».
Depois, a «bolha do pensar» olha para um lado, olha para outro, num mundo real, que é este pequeno país, uma aldeia global, onde todos se conhecem, com uma rede local de referências, e que quer ser cosmopolita, porque se sente na Europa, então, fica indecisa.
Pensa. Move-se. Dá sinais para um lado e para o outro e, naturalmente, as sondagens, expressam nisso mesmo, o dito «empate técnico».
E, diga-se, até, os crescimentos registados, são naturais, porque vão para aqueles que sempre estiveram e estão ao lado dos indignados. Uma porta que se abre à confiança e à esperança. Mas...
A «bolha do pensar» que procura o centro, um centro que lhe dê algumas certezas, nesse conflito, ela, na realidade, exige pouco, muito pouco – quer ter apenas a «esperança» ou ter a «confiança»!

Mas, as dúvidas existem, porque afinal, o que todos sentem é que vão ser plafonados, seja na vertical ou seja na horizontal.
Pensam na Grécia. Pensam nos tempos recentes vividos.
E, até pensam, que este ano, tiveram uns dias de férias.

É por isso, por tudo isso, que não vejo o que é que as sondagens, hoje, reflectem de diferente de outras em eleições anteriores. É o país real- que vive e sente a presença das «bolhas».
Hoje, apenas, o que vai fazer os portugueses decidir votar, ou não votar, é, mesmo sabendo que vão ser plafonados, e, que, talvez, daqui a um ano e meio ou dois anos, vão de novo ser chamados a votar, é, pelo menos agora, deixar campo aberto para que o eventual vencedor, sem maioria absoluta – aquele que fala em esperança, ou aquele que fala em confiança, desta vez cumpra a palavra.

Se a palavra dita for cumprida, daqui a dois anos será compensado, se não cumprir daqui a dois anos, cá estaremos para ver os movimentos da «bolha do pensar»...porque uma coisa parece, que todos, até ver, estamos mesmo convencidos - nada nos livra de sermos plafonados!

Mas, por favor, votem, não abdiquem deste direito civico e democrático.
Talvez se todos forem votar, então, as sondagens sejam apenas um «mito urbano» porque a vida real, neste país, é feita de gente que arregaça as mangas todos os dias e trabalha…mesmo sem esperança, mesmo sem confiança, porque aprenderam a viver e a sobreviver por si mesmos. Por isso estão cansados!
E, mais não seja, uma coisa todos aprendemos desta vez com a troika – que, afinal, ninguém é responsável pela sua vinda - enquanto estivermos no euro, isto é mesmo a doer…porque, Bruxelas decide e vai vigiar os orçamentos!

António Sousa Pereira

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