Saltar para o conteúdo
Inferências

A(nota) mentos - Barreiro>Memória e Futuro – o «Sítio Pré-histórico da Ponta da Passadeira»

Este, sitio da passadeira, um dia, verifiquei que está geo-referenciado, numa carta europeia, onde estão registados os lugares da Pré-história europeia das zonas ribeirinhas. E são muito poucos. Do Norte a Sul da Europa.

4 min de leitura
A(nota) mentos - Barreiro> Memória e Futuro – o «Sítio Pré-histórico da Ponta da Passadeira»

Por Jornal Rostos

Um dia escutei com muito interesse, no Auditório da ETAR Barreiro/Moita, uma intervenção de Joaquina Soares, Directora do Museu de Setúbal, sobre o «Sítio Pré-histórico da Ponta da Passadeira», que, sublinhou pretender falar sobre - «o futuro da memória».
Foi, talvez a primeira vez que registei, no concelho do Barreiro, este conceito de associar o «futuro» à «Memória».
E gostei, gostei mesmo. Até porque esta ideia liga-se a um pensamento diversas vezes expresso por Agostinho da Silva que fala em «saudade do futuro», pensamento que também encontramos na poesia pessoana.
Por isso fico perplexo quando se fala em paternidades, com sentido irónico e de cátedra.

Escutei, no sábado à tarde, e registei a proposta que se pretende avançar com a apresentação de uma candidatura do Barreiro a Património Nacional de Arqueologia Industrial. Numa primeira fase e depois passar para o patamar de «Arqueologia Industrial Mundial».
Não é seja uma ideia sem fundamento, mas, fico a pensar se alguma vez terá pernas para andar, ou se irá mesmo andar.
Ao escutar aquela proposta recordei, de imediato, que o Barreiro tem coisas no seu património já referenciadas ao nível europeu e nada faz para dinamizar ou mesmo potenciar.
Estou, efectivamente, a referir-me ao «Sítio Pré-histórico da Ponta da Passadeira». Tantas vezes tenho comentado esta matéria que, qualquer dia, começam a classificar-me como o «maluquinho do Bico da Passadeira», como classificavam o José Caro Proença como o «maluquinho do Álvaro Velho», até que um dia, através dele e sua influência, o Barreiro – foi a cidade escolhida, pela Marinha Portuguesa, para assinalar os 500 anos da partida de Vasco da Gama para a India.

Afinal, o sitio da Passadeira até se insere nessa dita estratégia do património de arqueologia industrial, como se insere a Real Fábrica de Vidro de Coina, ou os Fornos de Cerâmica da Mata da Machada.

No sitio da passadeira, referem os historiadores que investigaram – a memória do futuro – ali, foram realizadas as primeiras explorações de sal, enquadradas nos estudos da Pré-história europeia das zonas ribeirinhas.
Na Ponta da Passadeira foi encontrado o 1º forno de cerâmica identificado em Portugal.
Este é o sitio arqueológico onde a exploração do sal por via ígnea foi melhor documentado, relativamente ao IV milénio antes de Cristo, segundo estudos referenciados, por Joaquina Soares, Directora do Museu de Setúbal.

Na sua palestra, em Setembro de 2012, recordou as zonas com importância de exploração do sal na Pré-história no tecido territorial da Europa, sendo a Península de Setúbal uma das referências.

Referiu que o sitio da Passadeira, há cinco mil anos, era um extenso bosque, com pinheiro e carvalho, e pelos estudos sobre a “organização do povoamento humano”, ali existente, foi possível concluir que se dedicavam à pesca, à apanha de moluscos, à agricultura e à exploração do sal.
Na altura foram projectadas imagens tridimensionais, visando dar uma ideia do espaço, sua cobertura vegetal e estrutura.

Este, sitio da passadeira, um dia, verifiquei que está geo-referenciado, numa carta europeia, onde estão registados os lugares da Pré-história europeia das zonas ribeirinhas. E são muito poucos. Do Norte a Sul da Europa.

Esta uma pérola, já identificada, já registada, que tem potencialidades. Que devia ser avaliada. Que carece de atenção.
Uma realidade, classificada ao nível europeu, que trazia ao Barreiro, investigadores das zonas ribeirinhas ao nível de toda a europa, e, certamente, contribuía para dar um dimensão metropolitana à nossa ribeirinha.
Já existem estudos. A própria SIMARSUL tem procurado valorizar este património e, certamente, seria um parceiro interessado e dar projecção a esta realidade arqueológica.
Na entrada da ETAR existe um, fragmento arqueológico das escavações.

O Museu de Setúbal onde existe o espólio seria outro potencial parceiro.
E, como, agora, já nem se sabe se aquela zona do território é do concelho do Barreiro ou se é do concelho da Moita, então que se trabalhasse um projecto intermunicipal.

Este, não precisa de ser referenciado, ele, já é reconhecido ao nível europeu. Tratem-no. Classifiquem-no. Divulguem-no!

Barreiro – Património Nacional de Arqueologia Industrial – Sim! Pois!
Barreiro – Património Mundial de Arqueologia Industrial – Sim! Pois!
Mas…comecemos por defender e promover aquilo que já tem dimensão histórica única ao nível europeu e integremos nessa «memória de futuro».
Porque afinal, foi aqui que começou a nossa MEMÓRIA E FUTURO!

S. P.

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção