25 de Abril - a política à hora de almoço
Na SDUB “Os Franceses” as Juntas de Freguesia lideradas por presidentes socialistas, promoveram um almoço integrado no Programa oficial das comemorações do 25 de Abril no concelho do Barreiro.
Na SIRB “Os Penicheiros” as Juntas de Freguesia lideradas por presidentes comunistas promoveram um almoço, com características próprias, que contou com a presença do responsável concelhio do PCP.
De facto é triste que, após 29 anos decorridos sobre esta data libertadora, verificar que nesta cidade, ainda não seja possível festejar o 25 de Abril acima de “divergências” partidárias.

Por António Sousa Pereira
Não conhecemos as razões. Nem procurámos conhecer as razões. Como alguém escrevia há dias – contra os factos é que há argumentos.
No âmbito do Programa Oficial das comemorações do 25 de Abril, constava a realização de um almoço promovido pelas Juntas de Freguesia do concelho do Barreiro.
Pelo que verificámos as Juntas de Freguesia lideradas por presidentes do PCP – Partido Comunista Português optaram por “separa as águas” não participando nesta iniciativa e promovendo outro almoço.
Verificámos que, no almoço realizado na SDUB “Os Franceses” marcaram presença representantes dos partidos políticos, através dos seus dirigentes concelhios, nomeadamente : CDS/PP; Bloco de Esquerda, PSD e PS. O PCP esteve ausente.
De registar igualmente a presença de diversos representantes de instituições da sociedade civil do concelho do Barreiro. Os vereadores do Partido Socialista e Mendes Costa do PSD.
Entretanto, no almoço realizado na SIRB “Os Penicheiros” esteve presente apenas o representante concelhio do PCP, os vereadores do PCP e o vereador Mendes Costa do PSD.
Podem existir muitas razões. Podem existir todas as razões do mundo por parte dos políticos desta cidade.
Mas, uma coisa é certa, nenhuma razão será válida politicamente, hoje, 29 anos após o 25 de Abril, que se utilize esta data para dividir os barreirenses.
O 25 de Abril é um dia de festa, um dia que deve ser para todos os que amam a liberdade – um símbolo de tolerância, de fraternidade e de reflexão em memória de muitos que tudo fizeram para derrubar a ditadura fascista que nos oprimiu durante décadas.
Como pode amar a liberdade quem é incapaz de tolerar as diferenças?
Será que o almoço do dia 27 de Abril foi marcado com o objectivo de assinalar - o dia 28 de Abril – data da abertura do primeiro centro de trabalho de um partido político, após o 25 de Abril? Ou, seja o Centro de Trabalho do PCP no Barreiro.
Este facto, seja qual for a leitura que se faça veio afirmar claramente que abriu a pré – pré - campanha eleitoral para as próximas autárquicas. O PCP utiliza os seus últimos redutos como “bunkers” de combate político.
A partir de agora, cada vez mais, estão abertas as hostilidades, aliás como alguém dizia e repetia – “doa a quem doer, a partir de agora vai ser assim...”.
O PCP aposta em separar as águas. O PCP aponta todas as baterias numa acção, a partir de agora, sem retorno, no tudo ou nada, pela reconquista da presidência da Câmara Municipal do Barreiro.
PSD – que caminho?
O PCP carece como de pão para a boca de recuperar este símbolo nacional.
Ao PSD, de certa forma, até poderá interessar que o PS perca este bastião comunista, ou por outra, é lhe indiferente, embora, neste caso, possa estar a cometer um erro estratégico. O PSD nunca será alternativa ao PCP. O PSD só poderá crescer como alternativa ao PS.
O PS tem, a partir de agora, que saber e decidir em função desta “separação de águas”.
O PS se quer ser a esquerda moderna no Barreiro, tem que erguer os olhos, olhar de frente as provocações do PCP e caminhar ...
A realização do almoço, promovido pelas Juntas de Freguesia, liderada pelos autarcas socialistas, afinal, contando com a presença das forças políticas da cidade veio, claramente, demonstrar quem está no caminho de Abril e da liberdade. E provar, afinal, quem está só...
A verdade é que no Parque da Cidade a população saiu à rua, esteve na festa de Abril e, ali, mesmo que alguns tentassem – e tentaram lançar apupos a Emídio Xavier – a população não respondeu, nem partilhou aquelas provocações antidemocráticas.
Afinal, Abril, está vivo no coração dos barreirenses.
Só quem tem uma visão sectária da “história” pensa que o 25 de Abril lhe pertence em exclusividade.













