A(nota) mentos - BarreiroPerdoais-lhe Pai, eles não sabem o que fazem!
Gostei do concerto. Não gostei da abertura do concerto.

Por Jornal Rostos
Os ciclos de concertos para órgão que anualmente são realizados na Igreja de Nª Srª do Rosário, são, já, parte integrante da programação do Mês da Música no concelho do Barreiro.
A Igreja abre as portas à comunidade. E proporciona belos concertos no órgão, um instrumento que é uma referência na região.
O órgão é da comunidade católica e como tal um instrumento musical que existe para servir os serviços litúrgicos.
Quando a Igreja decide promover concertos abertos à comunidade, mesmo que estes sejam, como foi o caso de ontem, em homenagem a Nª Srª do Rosário, não deixam de ser concertos abertos à comunidade.
E, como tal, abrir as portas é endereçar um convite para que todos que desejem possam assistir ao concerto, sejam ateus, budistas, muçulmanos, protestantes, sejam lá o que forem e gostem de fruir momentos deslumbrantes de sonoridade única.
Por essa razão, não gostei que o Sacerdote, solicitasse, na abertura do concerto que todos se levantassem e rezassem uma Avé Maria.
Não me incomodava nada que ele solicitasse aos Católicos presentes que, por ser dia de vésperas da Padroeira do Barreiro, que, com ele, rezassem, e, naturalmente, pedindo desculpa aos outros – que não sabe se são Católicos ou outra coisa qualquer - que, por uns instantes respeitassem aquele momento de oração da comunidade católica, em sua casa.
Não gostei daquela «ordem» : Levantem-se e rezem! Assim como quem diz, se está na Igreja tem que rezar.
Que se saiba os concertos que a Comunidade Católica promove são abertos a todos, e se, no futuro, em cada concerto existe a obrigatoriedade de rezar, então, os concertos deixam de ser uma acção cultural aberta e ecumémica dos Católicos para a Comunidade e passam a ser uma acção com uma marca de religiosidade que, certamente, poderá afastar, quem respeitando o espaço religioso, e goste de música, no entanto, não quer, por outro lado, violentar a sua consciência – esse espaço sagrado que existe dentro de cada um de nós, de intimidade, de sentir, de olhar, de amar e de crer ou não crer.
Foi por isso que não gostei da abertura do concerto, porque a tolerância é cada vez mais um imperativo dos tempos de hoje.
Abrir as portas à comunidade é abrir o coração e, assim, respeitar quem aceita o convite como um amigo, e, naturalmente, não fazer de um concerto aberto um momento de imposição de fé e um acto litúrgico.
É mesmo caso para dizer: Perdoai-lhes Pai, eles não sabem o que fazem!
S.P.
BREVE REGISTO
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