InferênciasO meu país vive de «jogos de sombras chinesas»
Fazer politica com base em papões de um passado que ficou na história
Por isso, perante esta realidade, os nossos políticos mexem-se e agitam-se como «sombras chinesas».

Por Jornal Rostos
Os dias que fazem a nossa actualidade são marcados por “jogos de sombras chinesas». Ouvimos falar em diálogo, em troca de propostas. Discutem ou fazem que se discutem, soluções para um governo de Portugal. Escutamos os protagonistas.
Quanto mais as ditas «conversações» se adensam e vão crispando, tomamos a consciência que toda essa realidade politica é mesmo um «jogo politico de sombras chinesas». Ninguém diz o que quer dizer, e ninguém diz o que não quer dizer.
Na nossa frente surgem cenários, cenários de sombras – tácticas, estratégias.
E, talvez, um destes dias haja governo, o governo possível, o, tal governo que, todos sabem, com base nos resultados eleitorais e pelas diferenças que todos conhecemos será um governo para gerir estas fase de transição que nos vai conduzir, inevitavelmente, a eleições antecipadas, só falta saber quando, e, obviamente, os factos que as vão motivar.
Até lá, vamos continuar, neste jogo de “sombras chinesas”.
Entretanto, para acalmar e só como compasso de espera aí estão a ganhar força no terreno as eleições Presidenciais.
Dizem que mais de uma dezena de candidaturas estão anunciadas.
Mas, depois de António Sampaio da Nóvoa, que surgiu como uma opção emergente da sociedade civil, com ligações ao PS e apoio à esquerda, agora já estão na corrida Marcelo Rebelo de Sousa e Maria Belém.
Maria Belém, trouxe, no seu discurso, uma novidade politica, que, até aos dias de hoje, não recordo ter sido colocada por nenhum candidato à Presidência.
Normalmente, todos apresentam um programa ou um pensamento programático.
Maria Belém foi clara, o seu programa já está escrito e existe, comprometendo-se a cumpri-lo: a Constituição.
Gostei. Gostei porque de facto um Presidente da República não tem que governar, nem tem poderes para governar.
O seu papel politico é ser o guardião da defesa e respeito pela Constituição da República, devendo, ser, sempre, o primeiro a erguer a voz e a utilizar os seus poderes para requerer pedidos de constitucionalidade de todas e qualquer legislação, venha do Governo ou da Assembleia da República.
Um Presidente da República que seja o garante da defesa da Constituição cumpre a sua missão no sistema politico nacional. Quer sendo árbitro, quer sendo protagonista de acções que tenham a defesa dos valores e princípios consagrados na nossa Lei Fundamental.
Gostei e foi interessante escutar as motivações pessoais de combate à pobreza, com sentido ético e politico.
E, nestes dias que vivemos, ao escutar o combate ao empobrecimento, também me ocorre, esse «jogo de sombras chinesas» que marcam o nosso quotidiano.
Vai ser celebrado o Dia Internacional da Pobreza – dia 17 de Outubro – e, esta é uma celebração que dói, porque a pobreza no meu país é real. É uma pobreza com rostos simulados em «sombras chinesas».
Os novos ricos, que são pobres, mas querem passar por ricos.
Os novos pobres, que eram ricos, e querem passar por pobres ricos.
Os pobres que se tornaram ricos, mas que são pobres, porque ricos são os seus amigos.
Os pobres que são mais pobres e já nem sonham em sair da pobreza.
Um país que é pobre, que teve a troika à pega e que quer ser aquilo que não tem para ser, nem industria, nem pescas, nem agricultura com dimensão e vive da «bolha» que se escreve «estado».
Um país onde os políticos afirmam que decidem, mas que sabem que, com as nossas contas públicas, a última palavra está em Bruxelas, que vai apertando e aumentando esta nossa pobreza, Porque a Europa é a Europa e Portugal se quer ser europa, tem para receber e dar....
Como dizia Ortega y Gasset, em 1910, para Espanha, o mesmo se aplica, hoje, a Portugal - "A Espanha é o problema e a Europa é a solução", porque "a regeneração é inseparável da europeização".
Por isso, perante esta realidade, os nossos políticos mexem-se e agitam-se como «sombras chinesas».
E, no meu país, sinto há um povo que trabalha, que faz as terras - localmente - mexer e andar, um país de gente que todos os dias arregaça as mangas, ergue os olhos e mete mãos à obra, produzindo em milhares de micro, pequenas e médias empresas, este que é o nosso tecido económico real.
Gente que chegou a indignar-se mas que o sistema, rapidamente, absorveu, porque a nossa «democracia estadual», tudo assimila e devora, transformando a indignação em votos que se espelham na vida real, dos dias de hoje, neste «jogo de sombras chinesas».
Leio nas páginas do jornal de hoje: “Na Palestina há uma geração com raiva, que já não acredita na Paz”. Pois..
E penso, parafraseando: “Em Portugal há uma geração com raiva que já não acredita na politica”. Pois..
Mas, é ela, que nos condiciona e dá sentido aos dias e pode melhorar os dias, pena é que em Portugal, a politica seja, de forma permanente, este «jogo de sombras chinesas»...e não se aprenda o sentido determinante de fazer politica, sem papões de um passado que ficou na história e não se entenda que o mundo mudou, e, afinal, gostem de nos iludir com estas tácticas e estratégias que são isso, apenas isso: sombras chinesas.
António Sousa Pereira













