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Inferências

Por dentro dos dias – BarreiroA «escola do quadro negro» e a mais antiga colectividade do concelho do Barreiro

. Escrevo estas notas, afinal, apenas, para dizer ao Feliciano Carvalho: “Obrigado!”.

A “escola do quadro negro”, esse modelo que marcou os mais de cem anos de ensino no mundo, nasceu no ano de 1867, no decorrer da Exposição Internacional de Paris. O ano de 1867 é o ano da fundação da SFAL, a mais antiga Colectividade do concelho do Barreiro.

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Por dentro dos dias – Barreiro A «escola do quadro negro» e a mais antiga colectividade do concelho do Barreiro

Por Jornal Rostos

Ontem à noite, por mero acaso, passei uns momentos agradáveis a escutar, na internet, uma conferência de Sampaio da Nóvoa, que decorreu no Brasil, sobre formação de professores.
Despertou-me a atenção para ouvir a conferência um extracto da mesma editado no facebook, pela deputada Euridice Pereira, do Partido Socialista, eleita pelo distrito de Setúbal, onde Sampaio da Nóvoa, citando S. Tomás de Aquino, no seu Tratado sobre Gratidão, refere a existência de três níveis de agradecimento, comparando esses níveis com as formas de agradecer em diferentes países.
Sublinha, Sampaio da Nóvoa que os alemães e ingleses, agradecem no 1º nível, o racional, quando agradecem, enquanto os franceses, espanhois ou italianos, agradecem num 2º nível, de agradecimento de “graças” partilhadas, mas, para ele, o agradecimento dos portugueses é, que ele saiba, o único que se faz ao 3º nível, da partilha, do “obrigado”, que nos motiva a sentirmos que estamos envolvidos numa acção comum e vivência comum ao agradecermos uma dádiva.

E, adorei, passar aqueles momentos de grande lição sobre o ensino, pedagogia, a escola e os professores – que aconselho aos professores e pais que consultem.
Curiosamente, registei o facto de Sampaio da Nóvoa, sublinhar que a “escola do quadro negro”, esse modelo que marcou os mais de cem anos de ensino no mundo, nasceu no ano de 1867, no decorrer da Exposição Internacional de Paris.
O ano de 1867 é o ano da fundação da SFAL, a mais antiga Colectividade do concelho do Barreiro e que tem um simbolismo enorme na minha vida, pois, foi essa a porta que se abriu para a minha integração nesta terra que não é minha, mas que é a terra dos meus filhos.

Hoje, pela manhã, como acontece aos sábados, lá fui tomar o pequeno almoço.
Lá, no Café- Bar estava à minha espera, Feliciano Carvalho, um artesão, com uma obra imensa de grande criatividade e expressividade.
Convidou-me para visitar o seu espaço, onde dedica muitas das horas de sua vida, recriando o Alentejo em obras lindas, muitas delas já hoje, expostas, numa sala museu, numa escola, na sua terra natal, Vila Nova da Baronia.

Então, ele, apresentou-me o seu último trabalho a recriação de uma sala de aula da “escola do quadro negro”.
Uma maravilha em todo o seu esplendor.

De repente imaginei-me naquele espaço, muito idêntico, onde aprendi as primeiras letras e números, nomes de rios e montanhas, cognomes de reis e onde fiz amigos para a vida inteira, mesmo que cada um tenha partido por rumos diferentes.

O Feliciano Carvalho ofereceu-me uma “carteira” da sala de aula.
Trouxe junto ao meu coração. Regressei à SFAL. Encontrei a Filipa Lopes, a minha amiga de muitas lutas na vida associativa. Uma mulher de garra. Uma mulher que merecia a distinção de «Barreiro Reconhecido» na área do Associativismo, pelo muito que deu e por ser um exemplo activo da presença das mulheres na vida associativa. As mulheres que, em todos estes anos, nunca houve uma, apenas que fosse, que merecesse receber esta distinção do municipio e existem tantas que trabalham de forma incansável nos bastidores.

Mas, dizia, que mostrei a “carteira” à Filipa Lopes e a Dulce Marques. Troca de palavras. Recordações. Aquele é um símbolo da nossa vida. Uma marca da nossa educação – a escola do quadro negro.
Eu, por vezes, até costumo dizer que essa escola é uma marca da nossa geração e de muitas gerações – a “Geração da Reguada” que aprendeu a aprender, levando e calando.

Escrevo esta crónica a pensar nas coincidências da vida. Nos acasos que nos transportam por dentro do tempo e da vida.
Comentei com a Filipa, esta coincidência, ela, referiu: “São sinais, são sinais!”.

Escrevo estas notas, afinal, apenas, para dizer ao Feliciano Carvalho: “Obrigado!”.

António Sousa Pereira

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