Saltar para o conteúdo
Inferências

Inferências - BarreiroNão foi Deus, foi a troika e as suas politicas

Não foi Deus, foi a troika e as suas politicas, que começaram com os PEC’s e vão continuar no futuro, porque, o «Deus financeiro», infelizmente, é quem comanda os nossos dias.

O problema que se coloca aos nossos políticos nos dias de hoje, não é travar a história, nem o movimento da história…é descobrir o novo que está a emergir!
Pelos vistos, Francisco Assis, se pudesse parava a história, só que, na verdade…ela move-se!

5 min de leitura
Inferências - Barreiro Não foi Deus, foi a troika e as suas politicas

Por Jornal Rostos

Os trágicos acontecimentos que marcaram Albufeira, fruto do mau tempo, são um tema do dia, de conversas e comentários, principalmente, em torno das palavras proferidas pelo Senhor Ministro da Administração Interna, um homem, que todos ficámos a saber veio de pobre e aprendeu o que é subir, a pulso, a outros patamares da vida.
Escutava, ontem, as suas palavras e na minha mente ocorria-me uma rúbrica, feita de citações, que regulamente era publicada na revista «Seara Nova», antes do 25 de Abril.
O seu discurso sobre a “fúria da natureza”, que “não foi nossa amiga”, e que “Deus nem sempre é nosso amigo”, porque, – “Também acha que de vez em quando nos dá uns períodos de provação”.

Foi, ao escutar estas palavras que se fez luz no meu espirito, afinal não foi a Troika, que me causou, nos últimos anos momentos de “provação”, de amargura, de imensas dificuldades, não porque vivesse acima das minhas posses, mas porque tinha compromissos de acordo com as minhas posses e de repente, sem mais nem menos, fui sujeito a uma imensa “provação” de cortes de rendimentos do meu “patrão” Estado.
Pensei na minha “provação” e milhares de portugueses nos últimos anos, de perdas de habitação, de carros, de empregos, de renegociações com bancos, uma situação que, pensando nas palavras do Senhor Ministro, finalmente, descobri a razão – “Deus nem sempre é nosso amigo” e sujeita-nos à “fúria da natureza humana” e, de vez em quando – “nos dá uns períodos de provação”.
Obrigado Senhor Ministro, por me fazer compreender as razões que movem a história da humanidade.

Ah, é verdade, escuto as palavras do Senhor Ministro e, na minha mente, passam as imagens publicadas por José P. Batista, uma antiga e outra actual da zona de Albufeira, onde as águas tudo inundaram, e, penso: Que culpa tem Deus que os homens não aprendam com as experiências da vida.
Na minha mente, igualmente, ocorrem-me as inundações na zona de Odivelas no ano de 1967.

Pois é Senhor Ministro, Deus não pode ser acusado de, por vezes, “não ser nosso amigo”, porque, que eu saiba a ideia de Deus é indissociável da ideia de amor e, Senhor Ministro acusar Deus de ser culpado da incúria humana é muito triste.
Por momentos, por breves momentos, convenceu-me que a “provação” que vivi nos últimos anos tinha sido por culpa de Deus, mas, afinal, compreendi que estava errado.
Não foi Deus, foi a troika e as suas politicas, que começaram com os PEC’s e vão continuar no futuro, porque, o «Deus financeiro», infelizmente, é quem comanda os nossos dias.

Nesta minha reflexão, deparo com o Francisco Assis - não aquele que protegia os pobres – mas o eurodeputado socialista a erguer a sua voz e a movimentar as “espingardas” contra o que considera ser “erro histórico”, esta coisa de PS formar governo com o apoio parlamentar do PCP e do BE.
E, apenas penso, Francisco Assis, vem dar razão ao PCP e ao BE de optarem por ser partidos protesto, pois, afinal, eles, na sua opinião, devem ser excluídos do chamado “arco da governação”.
Francisco Assis condena a “deriva de esquerda” do PS e defende uma “solução diferente”.
Leio e releio. Afinal Francisco Assis não entende que o movimento da história é imparável.
Não entende que, um pouco, por toda a Europa, da Grécia à Espanha, da Inglaterra a Portugal, está em marcha um movimento que se opões ao domínio radical do capital financeiro – que se manifestam ao nível eleitoral com expressões quer de direita, quer de esquerda.
Francisco Assis, não entende que o tempo de “estereótipos ideológicos” está sendo enterrado e, aquilo. que marca os tempos de hoje é esse conflito entre construir uma sociedade mais humanizada, ou manter uma sociedade de “provações”.

Afinal, o que está hoje em marcha, por toda a Europa, é dar força e vitalidade a uma cultura secular, que foi marcada por lutas e conflitos, mas manteve sempre na sua génese a tolerância, a diversidade e pluralidade.
O que está a acontecer em Portugal nos dias e hoje é a sua europeização, o aprofundamento da cultura democrática e acabar com essa radicalização dos bons e dos maus, herança de antes do 25 de Abril e, que, em Portugal, tem a sua génese no século XIX.
Por muito que por aí falem de “deriva radical”, de “apropriação do PS pela extrema esquerda”, os dados estão lançados e. sublinhe-se, mais que viver agarrados a conflitos ideológicos do passado, a conceitos de “arco de governação” ou à eleição do Primeiro Ministro, é preciso olhar para o presente, este presente histórico de uma nova agenda politica para Portugal.
Muita coisa vai mudar nos próximos tempos, os ditos “varrimentos do PS”, pode estender-se ao “varrimento do PSD”, ou de outros partidos.
O problema que se coloca aos nossos políticos nos dias de hoje, não é travar a história, nem o movimento da história…é descobrir o novo que está a emergir!
Pelos vistos, Francisco Assis, se pudesse parava a história, só que, na verdade…ela move-se!

António Sousa Pereira

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção