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Inferências

InferênciasUm dia para a história de Portugal

Hoje, o dia de hoje, marca o começo de um novo ciclo politico na história de Portugal, pós 25 de Abril, mais que baixar o discurso politico para patamares negativos de difamação dos próprios políticos, a hora é de dar à politica a sua dimensão ética, republicana e democrática.
Que se faça uma luta politica por valores, princípios, ideais.

6 min de leitura
Inferências Um dia para a história de Portugal

Por Jornal Rostos

O dia de hoje vai inscrever-se na história de Portugal ao registar-se pela primeira vez a nomeação de um Primeiro-Ministro que conquistou o 2º lugar nas eleições legislativas.

Hoje findou o ciclo do «arco da governação» e do mito da eleição do Primeiro-Ministro.
Um acontecimento que marca a abertura de um novo ciclo politico, uma nova forma de encarar as eleições legislativas e que o eleitorado pode tomar consciência que o seu voto conta para a definição de opções politicas que vão para além da permanente, que marcou os últimos 40 anos, da opção entre o PS apoiado pelo PSD, o PSD apoiado pelo PS, o PSD apoiado elo CDS, ou o PS apoiado pelo CDS.

E, contrariamente ao que tenho escutado, não acredito que o chamado eleitorado do «centrão» que, afinal, foi quem contribuiu para este momento politico, vá deixar de ter um papel na vida politica nacional.
Os milhares de eleitores que, nas eleições anteriores votaram PSD, diz-se que mais de 260 mil, e, no dia 4 de Outubro votaram Bloco de Esquerda, assim como, os mais de 160 mil que votaram PSD, e, agora, votaram PS, são um registo vivo desse «centrão» que vai estar por aí, atento, e nas próximas eleições, igualmente irá decidir os rumos do país.
Esse eleitorado que defino como PRD – Pode Riscar a Direita, ou Pode Regressar à Direita, é de grande importância na vida política nacional, num país que se habituou a ter o Estado como «tutor» e muito precisa fazer para desenvolver o seu tecido económico produtivo, para além, muito para além da sua realidade que assenta em PME’s.

Este é o dia histórico que estamos a viver. As forças de esquerda assumem um protagonismo de referência na vida politica nacional e vão ser escrutinadas diariamente, pelos seus eleitorados, mas, muito especialmente por esse «centrão», que, não vai deixar de ser um importante actor da vida politica nacional.
É o tal eleitorado que está à margem da vida partidária, está, até, descontente e critica diariamente a acção dos partidos, mas depois, nas urnas, decide e coloca o seu voto para obter resultados. E agora sabe que há mais vida para além do «arco da governação».
É o eleitorado que se cansou de ver os cofres a encher à sua custa e que acreditou em promessas eleitorais, que afirmaram ser possível manter os compromissos do PEC, e com a Europa, sem tão forte austeridade sobre quem trabalha e respeitar os compromissos com os idosos e reformados.

Os dados estão lançados. Se o Governo de Passos Coelho tivesse passado com uma eventual abstenção do PS, certamente não seria para uma legislatura, quanto muito iria arrastar-se até às eleições autárquicas que, de facto, serão o novo ponto de avaliação da vida politica nacional.
É talvez, pelo menos esta a meta que se exige ao novo governo, que se mantenha, pelo menos até às autárquicas, a esquerda tem esse compromisso minimalista pela frente, apesar de se apontar politicamente a «perspectiva da legislatura».

Vão ser dias difíceis, que vão exigir muito diálogo e muita capacidade de agir com nervos de aço.

O PSD tem um problema que vai ter que resolver neste período, se quer voltar a ganhar o eleitorado PRD – Pode Regressar à Direita - tem que ter coragem de se afirmar como alternativa, mas, isso, penso será muito difícil com base na coligação PAF.
O PSD afirma que o PS está refém do PCP e do BE, e não nota, ou não quer notar, que também está refém do CDS.
A bipolarização da vida politica nacional, entre dois blocos, é pouco provável. O eleitorado PRD sabe o que quer e não quer, de certeza, voltar de novo a ver uma coligação PAF no poder. Isso é mesmo irrevogável.
Mas esse eleitorado PRD, nas próximas eleições legislativas sabe uma coisa, sabe que o seu voto pode decidir e, sabe que a Assembleia da República, finalmente, tem uma importância decisiva nas decisões de formação de um governo, apara além do dito, agora, extinto, «arco da governação».
Desta vez foi o segundo partido e nada nos diz que no futuro outras realidades não possam emergir, de acordo com a composição do Parlamento. Até que, novas forças politicas possam emergir.

Os partidos tradicionais têm que capazes de fazer evoluir o discurso politico para além dos «bons» e «maus», do «preto» e «branco», da «esquerda» «direita» ( quando esquerda e direita significam apenas ódio) e fazer da discussão politica um debate de pluralidade e de respeito pelas diferenças, e, já que tanto falam de Europa, descobrirem que estamos na Europa.
Hoje, o dia de hoje, marca o começo de um novo ciclo politico na história de Portugal, pós 25 de Abril, mais que baixar o discurso politico para patamares negativos de difamação dos próprios políticos, a hora é de dar à politica a sua dimensão ética, republicana e democrática.
Que se faça uma luta politica por valores, princípios, ideais.>
E, depois, os eleitores que decidam e quem tiver unhas que toque guitarra…chegou a hora de fazer politica e não politiquice.
Este é o caminho que, hoje, fica aberto para o futuro e, queiram ou não, os políticos da actualidade, a história da vida democrática entrou vai entrar numa nova fase – a fase do aprofundamento da democracia.

Os políticos têm essa responsabilidade de ser os primeiros a dar esse passo em frente.
Vai ser longo o caminho…mas, lá diz o provérbio, o primeiro passo é sempre o que marca o começo de uma caminhada.

Isto vale para os que pensam à direita, que tem que ser olhada como uma opção politica legitima, assim como para os que pensam a esquerda, que igualmente tem que ser pensada com a sua legitimidade politica.
A luta futura será por valores e não por revanchismos.
A esquerda tem nas suas mãos a maior responsabilidade neste «caderno encargos» de aprofundamento da democracia.

Ah, já agora, ainda bem que o Presidente da República teve o bom senso de não transformar as próximas eleições presidenciais, num eventual «plebiscito» a um governo de gestão.
Elas, assim vão seguir o seu ritmo normal… e não serão manchadas por «sombras chinesas».

António Sousa Pereira

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