PSD não quer regresso do PCP
A diferença entre o “SIM” e o “Não” foi curta, mas, nas respostas dadas pelos que votaram venceu o “Não”.
Na verdade, 52% daqueles que responderam ao nosso “Inquérito de Opinião” consideraram que o PSD “não quer o regresso do PCP à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro”, enquanto 48% optou por considerar que “SIM”, o PSD quer o regresso do PCP à presidência da Câmara Municipal do Barreiro.

Por António Sousa Pereira
Esta pergunta é colocada, naturalmente, pela leitura que vamos fazendo dos acontecimentos que fazem o quotidiano político da nossa região.
De facto os comportamentos políticos do PSD são contraditórios. Por um lado, o seu representante na Câmara Municipal do Barreiro vota favoravelmente os Planos de Actividades e Relatórios e Contas, por outro lado os Deputados Municipais, votam contra ou abstêm-se quando na avaliação desses mesmos documentos.
Percebe-se, perfeitamente, que o líder concelhio do PSD, Bruno Vitorino, queira demarcar-se da gestão municipal e “separar” as águas em relação à Presidência liderada pelos socialistas, no entanto, tal posição, obviamente, permite interpretações políticas – ou que o líder concelhio não está de acordo com as posições do seu representante na Câmara Municipal, e, não esqueçamos, na verdade, por razões desta natureza, em tempos não muito distantes, foi retirada a confiança política pelo líder concelhio ao Vereador eleito pelo PSD; ou então é mera estratégia para “obrigar” o PCP a optar por votar favoravelmente, para evitar rupturas políticas.
Ou seja, o PSD na Câmara é o apoio institucional do PS, mas pelas suas votações na Assembleia Municipal retira ao PCP argumentos políticos para que o possa acusar de “muleta” do PS.
Sendo uma postura táctica e estratégica inteligente não deixa de ser perigosa e colocar o PSD numa posição de fragilidade política, quando pretende afirmar-se como alternativa a médio ou longo prazo no concelho do Barreiro.
Quem pode acreditar numa força política que tem dois pesos e duas medidas?
Esvaziar Mendes Costa?
Talvez a primeira interpretação que pode ser retirada destes posicionamentos políticos é que o líder concelhio do PSD, de forma discreta, está a esvaziar o papel do seu dinossauro autárquico – Mendes Costa - e a afirmar-se como o próximo potencial cabeça de lista do PSD à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro. Será esse o objectivo ? Ou ha um acordo tácito entre estas duas personalidades da vida política local do PSD, nestes sentidos de voto?
Ao PSD pouco interessará, num contesto da AML, que o PS continue a liderar o Barreiro.
Mas, ao PSD, enquanto partido que se está a afirmar, pouco a pouco, como alternativa no concelho do Barreiro, um regresso, pouco provável, mas não impossível, do PCP à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro só irá adiar para muito mais longe essa sua opção estratégica de afirmação como alternativa ao PS.
Enquanto a luta política no concelho do Barreiro estiver bipolarizada entre o PS e PCP, o PSD não será mais que um partido charneira.
Ao PSD interessa, numa estratégia de médio prazo esvaziar o papel do PCP no concelho do Barreiro, para que o eleitorado de centro- direita e centro- esquerda supere a “herança histórica” e não tenha receios de aceitar novas lideranças políticas emergentes da sua área política.
O PSD tem vindo a dar a mão ao CDS/PP no concelho do Barreiro, esta, na verdade, pode ser uma opção para galvanizar em torno de si todo o eleitorado de centro-direita, o que, sublinhe-se, politicamente é correcto, mas insuficiente para se afirmar como alternativa.
Se o PSD se encosta à direita e dá, simultaneamente, espaço de manobra ao PCP, está a deixar todo um vasto campo de acção para o PS galvanizar o eleitorado natural do concelho do Barreiro – a esquerda e o centro esquerda.
Por vezes, parece que o PSD está interessado no regresso daqueles que acusa de serem os responsáveis pelo atraso do Barreiro e falta de diálogo com o Poder Central, e, de facto, nem dá ao PS espaço para se afirmar como a força que pode introduzir a mudança e uma nova mentalidade política no concelho do Barreiro que assente no respeito pelas diferenças.
Mendes Costa tem uma estratégia de longo prazo. Bruno Vitorino parece afirmar uma estratégia de curto prazo. Ou será que Mendes Costa está a fabricar o seu “delfim” ?
Uma coisa é certa, no concelho do Barreiro, actualmente, a única força política que está a agir com estratégia, intervenções estruturadas e pensadas, que age com uma dimensão política é o PSD.
Intervém estabelecendo pontes com o Poder Central. Intervém sobre os acontecimentos que fazem a agenda política local. Empurra o PCP para as mãos do PS. Age na vida associativa local.
O PSD sendo um partido comparativamente com o PS ou PCP, com menos influência na vida local, consegue agir, de forma permanente, com mais agilidade e capacidade de intervenção que as restantes forças políticas. Ou seja, o PSD não brinca em serviço.
Mas não estará a colocar, precipitadamente, a fasquia demasiado elevada?
Se de facto o PSD não quer o regresso do PCP à Presidência da CMB tem que o provar.
Porque, não parece, que o diálogo entre o PSD e o PCP seja mais franco do que tem sido com o PS.
Quantas vezes um Secretário de Estado, ou um qualquer governante do PSD, esteve no Barreiro, quando o PCP liderava a CMB, a propósito de acontecimentos de mera dimensão local ? Quantas vezes?
Será que o PSD já esqueceu os apupos aos seus líderes, mesmo quando vinham ao Barreiro, para contribuir para o desenvolvimento da vida local, como aconteceu com Cavaco Silva?
Ficamos à espera ..para sabermos até onde vai conduzir esta, eventual, “aproximação” táctica, de forma subtil, entre o PSD e PCP no combate aos socialistas.
Será que um dia deste vamos escutar a voz do PSD gritando : “Voltem Comunistas estão perdoados!”













