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Inferências

A(nota) mentoUm novo paradigma dos Transportes Colectivos do Barreiro

O novo paradigma da gestão de carreiras, não pondo em causa aquele que existe, passa pela criação de uma nova tipologia de oferta, que vá ao encontro do desenvolvimento do conceito concelho cidade – colocando a oferta mais de proximidade e estimulando o uso do transporte colectivo.

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A(nota) mento Um novo paradigma dos Transportes Colectivos do Barreiro

Por Jornal Rostos

Rui Lopo, vereador da Câmara Municipal do Barreiro, em intervenções públicas recentes, sublinhou a possibilidade de se proceder à renovação da frota dos Transportes Colectivos do Barreiro, com recurso à eventualidade de ser possível o recurso a fundos comunitários, no âmbito de linhas de financiamento relacionadas com a diminuição das emissões de carbono.
Aliás, salientou mesmo a implementação de uma estratégia que aponte para a Certificação Ambiental de Qualidades dos serviços prestados pelos TCB’s.

Outro aspecto que tem sido, diversas vezes referido, nomeadamente pelo Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, é o facto do concelho do Barreiro ocupar uma posição de referência ao nível nacional, sendo considerado o concelho com maior mobilidade colectiva do país.
Carlos Humberto, no dia que foram assinalados os 59 anos dos Transportes Colectivos do Barreiro, salientou como este serviço público é marcante na vida do concelho e contribuiu para a coesão da vida local.

Escutando estas diversas tomadas de posição, ocorria-me ao pensamento algumas criticas que são feitas ao serviço prestado pelos TCB’s, muitas delas relacionadas com o estado da frota e alguns atrasos nas carreiras.

Mas, a reflexão central que me ocorreu centrou-se em torno do modelo de gestão da frota. Não percebo nada desta matéria, nem faço estas reflexões com sentido critico ou de quem pensa que este é, de facto, o caminho necessário e a verdade.
Dou comigo a pensar que uma das principais preocupações da gestão de uma rede de transportes deve centrar-se numa procura permanente de ajustar a oferta à procura e se necessário alargar a rede, desde que as carreiras não sejam deficitárias.
Pelo que tenho acompanhado e escutado, ou até mesmo em entrevistas que realizei, registo a existência de um esforço na gestão dos TCB’s, no sentido de aumentar a oferta de serviço, alargar as carreiras, alterar percursos, sempre com a preocupação de manter o equilíbrio financeiro e melhorar a prestação do serviço.

No entanto, quando Rui Lopo falou na possibilidade de renovar a frota com recurso a fundos comunitários ocorreu-me que esse investimento deveria ser acompanhado de uma mudança de paradigma na gestão de carreiras.

Considero que ao longo dos anos a gestão de carreiras dos TCB’s partiram sempre de um modelo que tem como núcleo central a ligação aos barcos e a ligação às escolas ( em tempos a ligação às fábricas).
Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, dizia-me que 1/3 das carreiras servem a ligação aos barcos, 1/3 a ligação às escolas e 1/3 para os circuitos internos do concelho.

Ora, a minha reflexão é que o novo paradigma da gestão de carreiras, não pondo em causa aquele que existe, passa pela criação de uma nova tipologia de oferta, que vá ao encontro do desenvolvimento do conceito concelho cidade – colocando a oferta mais de proximidade e estimulando o uso do transporte colectivo.
Sei que já houve uma experiência desta natureza com a criação da chamada «linha azul», que pelos vistos não foi um sucesso.
Não sei de sr foi feita a avaliação do insucesso, mas, de modo empírico, fiquei com a sensação que resultou do facto de estas linhas terem sido desenvolvidas nos percursos naturais das carreiras já existentes, e, essencialmente no circuito de ligação aos barcos.
São meras especulações.

O que coloco à reflexão, naquilo que considero ser um paradigma de futuro ( TCB«s estruturantes do conceito concelho-cidade), passa pela existência de uma frota nova, que sirvam não as redes já existentes, mas criando uma nova rede, de circuitos internos, realizados com autocarros pequenos que liguem as dinâmicas polinucleares do concelho-cidade.
Ligar os Fidalguinhos ao centro da cidade. Ligar o centro da cidade aos Hospital e ao Parque da Cidade- AMAC. Ligar Coina, Palhais, Penalva e Santo António ao Retail Planet. Ligar o centro da cidade à Mata da Machada. Ligar os Centros de Saúde aos circuitos dos seus utentes.
Seriam carreiras com horários específicos, pequenos circuitos internos, bem estudados e direccionados para servços chave e zonas comerciais e de lazer, bem divulgados, geradores de circuitos de circulação interna e de formação de hábitos de utilização interno. Motivando o uso do transporte colectivo e contribuindo para a redução da pegada ambiental.
Claro que esta matéria pode, ou não, merecer um estudo bem elaborado – de custos e benefícios, mas seria, se viável, o arranque para um novo paradigma de gestão de carreiras e de, mais uma vez, na história do concelho do Barreiro, os seus TCB’s serem um factor determinante para desenvolver o conceito de cidade – um concelho polinuclear, com diversas zonas de comércio e com uma centralidade – o centro da cidade - como núcleo centrífugo e centrípeto da diversidade de circuitos de proximidade geradores de uma vida própria, com a criação de valor social e económico.
É uma mera reflexão. Vale o que vale. Compete a quem sabe da poda avaliar.

António Sousa Pereira

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