A(nota)mento– Barreiro«Bandeiras Vermelhas» - um belo exemplo de Liberdade e Democracia
Mas não havia necessidade...
Não concordo e acho negativo que tenha sido colocada uma bandeira no depósito do Alto da Paiva, aquele é um equipamento municipal, gerido pela autarquia, ali, a bandeira do PCP, é um desrespeito, porque o que é do município não é do PCP.

Por Jornal Rostos
No dia do seu 95º aniversário, uma importante data na vida de um partido que passou, muito desse tempo, em lutas na clandestinidade pela conquista da democracia e liberdade, foi realizada uma acção politica que surpreendeu, pelo seu impacto visual, pela sua dimensão.
Gostei. Quando vi a zona do POLIS colorida de vermelho e, pensei, bela acção politica, com um resultado muito eficiente e eficaz e positivo.
Um sinal vivo que vivemos em democracia, que há liberdade, que é possível espelhar na praça pública os valores de cada partido, esse valor fundamental na vida democrática.
Naturalmente, muito diferente daquilo que aconteceu há 80 anos, quando no Barreiro, foi realizada uma acção politica que ficou na memória das lutas da resistência, a colocação de bandeiras vermelhas nas chaminés mais altas das fabricas do Barreiro, operário e industrial.
Aliás, facto, recentemente celebrado, com o regresso das bandeiras ao Barreiro, que podem ser vistas no Espaço Memória.
As Bandeiras fazem parte do processo da PIDE, arquivado na Torre do Tombo, em Lisboa.
Foi com emoção que li, numa delas a assinatura de Flávio Alves, um homem simples, puro, que tive a honra de conhecer e conversar.
Mas, voltando ao aniversário do PCP, registei que em diversos concelhos, na Moita, Alcochete, Almada, um pouco por todo o país, os 95 anos, foram assinalados com esta iniciativa de colorir as ruas com as bandeiras vermelhas do Partido Comunista Português.
Considero que, desde o 25 de Abril, esta foi uma das acções politicas de rua que mais gostei de ver e vou guardar na memória. Isto nada tem a ver com o «Barreiro é Vermelho», nem considero que seja uma acção impositiva – é um belo exemplo de Liberdade e Democracia.
O PCP está de parabéns, pelo seu aniversário e pela iniciativa, quem sabe, inspirada nesse exemplo da história da resistência vivido no Barreiro.
Só quem tem preconceitos ideológicos e assume uma cultura de superioridade moral ideológica é que interpreta esta acção politica do PCP como algo anti-democrático.
Foi bonito. Foi espectacular. Foi de uma simplicidade e eficácia politica que merece um grande aplauso.
Mas, já agora, quero dizer e sublinhar que não gosto, nem concordo e considero de mau gosto, estragar e introduzir nesta bela e viva acção politica um ruído desnecessário, esse sim desrespeitador dos cidadãos e da expressão da liberdade.
Não concordo e acho negativo que tenha sido colocada uma bandeira no depósito do Alto da Paiva, aquele é um equipamento municipal, com entradas restritas e controladas, o acesso só é possível com autorização de quem está na gestão quotidiana.
Até, admito, que, no dia, um eventual militante do PCP tomasse essa decisão de agir politicamente colocando naquele espaço público a bandeira do PCP.
Mas, ainda hoje, continuar erguida, num equipamento municipal, que é gerido pela autarquia a bandeira do PCP, é um desrespeito, porque o que é do município não é do PCP.
E, por respeito aos barreirenses aquela bandeira devia ser retirada!
E, digo, isto nada tem a ver com o facto de gostar e continuo a gostar de ver as bandeiras vermelhas, nas ruas do Barreiro, Baixa da Banheira ou Alcochete, porque, mais não seja recordar que a muitos homens e mulheres que lutaram, viveram ou morreram com aquelas cores no coração, se deve, também, as lutas pela democracia e liberdade.
E, pode haver quem não goste, mas de facto, o Barreiro foi por muitos anos uma terra conhecida como a «Terra Vermelha» e os comunistas, podemos discordar das suas opções, mas fazem parte da história, do presente e do futuro desta cidade.
Por vezes fico com a impressão que há pessoas desejosas de excluir os comunistas da vida democrática, promovendo e gerando uma espécie de «ódios de estimação».
Ah, é verdade, Freud explica isto!
António Sousa Pereira













