A(nota) mentos - BarreiroFrancisco Naia ‘chorei” ao recordar os nomes de 424 homens e mulheres presos.
“Chorei”, dizia Francisco naia, ao ler as páginas do Boletim Municipal da Câmara Municipal do Barreiro, onde são recordados os 424 homens e mulheres que foram presos pela policia politica.

Por Jornal Rostos
Francisco Naia é um nome que está inscrito nas memórias do concelho do Barreiro. Um voz que nos transporta aos dias de sonho e luta pela conquista da Liberdade.
“Chorei”, dizia, ao ler as páginas do Boletim Municipal da Câmara Municipal do Barreiro, onde são recordados os 424 homens e mulheres que foram presos pela policia politica.
“Gente extraordinária do Barreiro”, comentou e agradeceu a Carlos Humberto, a ideia de ter editado o Boletim Municipal com os 424 nomes de resistentes à ditadura.
“Nos meus concertos, levo sempre comigo este jornal e mostro. Para que não se esqueça. Chorei ao ler estas páginas”, disse, no decorrer do lançamento do livro «Momentos», de Emanuel Gois.
Foi lendo nomes, uns após outros, dos 424 que constam, pois sabe-se hoje que outros há que ali não estão referenciados.
“Estes homens e mulheres que lutaram alguns mesmo até morrer, para que hoje estejamos aqui”, sublinhou.
Francisco Naia.
Recordou Zeca Afonso e cantou aquela sua inesquecível canção – “Amigo, meu amigo, és como és, mesmo que caminhes arrastando os pés”, dedicada a Daniel Cabrita, Júlio Freire e outros presos políticos que numa noite foram subitamente presos na então vila operária.
Uma canção que faz parte da memória, e, de facto, esta como outras, uma de Zeca Afonso - «Por trás daquela janela» - dedicada a Alfredo Matos, deviam começar a fazer parte de um registo histórico de canções da resistência que tiveram a sua génese, aqui, neste lugar, onde muitos lançara sementes da Liberdade.
Uma investigação que devia ser feita, para que se guardem estes sons vivos que fazem parte da nossa memória colectiva, por exemplo, as cantadas por Francisco Fanhais e criadas durante as suas vivências no Barreiro.
S.P.













