Teatro Projéctor - «As três mulheres» de Edward AlbeeOnde as aprendizagens dilacerantes da vida emergem de memórias
Esperemos que não, é bom para o teatro e para quem ergueu este brilhante espectáculo, que noutros palcos do Barreiro e da região, outros espectadores possam fruir os momentos mágicos da peça "As Três Mulheres", de Edward Albee, com encenação de Abilio Apolinário.

Por Jornal Rostos
A primeira nota sobre a peça «As três Mulheres» tem que ser obrigatoriamente para a brilhante interpretação das três actrizes - Elsa Assunção, Lara Nayr e Anabela Pereira. São três excelentes interpretações.
Elsa Assunção no papel de mais idosa representa um papel que, certamente, vai guardar nas memórias vividas nos palcos.
Sendo uma peça onde, de facto, o texto, os discursos e os diálogos entre as personagens assumem uma importância vital, obviamente que, isto, exige da parte das actrizes, um pleno domínio do papel e a sua plena vivência. Só assim as personagens ganham vida no palco e exprimem a riqueza do texto e transmitem as ambiguidades das personagens.
Elsa Assunção faz uma excelente composição física da personagem idosa. Dá-lhe vida sentimental e corporal.
Lara Nayr, segue as suas pegadas ( é caso para dizer tal mãe tal filha).
E a interpretação de Anabela Pereira é naturalmente uma presença verdadeiramente teatral.
Três actrizes, três mulheres, três personagens, que enchem a cena, dão-lhe ritmo e fluem com intensidade.
Uma peça que exige ao espectador ( que o encenador enquadra e coloca no próprio contexto do espaço cénico), que viva de olhar atento e bem sintonizado, com todos os movimentos, com todas as expressões e sinta aquele jogo de ironia e reflexão sobre a vida. A plateia faz parte do teatro e da vida.
O que somos. O que fomos sendo. O que não fomos. O que desejamos ser. A vida. A morte. As aprendizagens dilacerantes que emergem de memórias.
Abilio Apolinário através da encenação cria um espaço cénico onde nascem as próprias ideias do texto e os confrontos entre as personagens -. o jogo de espelhos, o jogo da vida.
Abilio Apolinário é daqueles encenadores que não se limita a marcar o espaço cénico, gera equilíbrios e os seus cenários são criação com uma beleza estética que dá qualidade ao espectáculo e permite que as personagens vivam e se afirmem, no próprio espaço cénico. Uma encenação que é arte.
Luz e som perfeitos. Interpretações estão cinco estrelas. Encenação para guardar na memória como um quadro onde se escreveu uma estória e a vida.
António Sousa Pereira
Hoje à noite, dia 20 de Maio, pelas 21h30, no Auditório da Verderena, no Barreiro, vai realizar-se o último espectáculo.
Esperemos que não, é bom para o teatro e para quem ergueu este brilhante espectáculo, que noutros palcos do Barreiro e da região, outros espectadores possam fruir os momentos mágicos da peça "As Três Mulheres", de Edward Albee, com encenação de Abilio Apolinário.
Sinopse
Uma jovem, um mulher de meia- idade e uma idosa. Nelas se projecta, confessadamente a mãe adoptiva do dramaturgo.
Como num jogo de espelhos, estas mulheres transformam-se na mesma mulher, e sobre nós paira a dúvida que as assalta sucessivamente desde o primeiro minuto: “como me transformei nisto?”
Foi escrita após a morte da mãe adoptiva do dramaturgo norte-americano Edward Albee. Perversamente engraçada, e dita com uma verdade intransigente, a peça reflecte sobre a condição humana a partir do olhar das três mulheres em diferentes fases da vida. As três debruçam-se sobre os caminhos e as contrariedades dessa vida enquanto elas próprias caminha para a morte. três mulheres Altas é apontada como a peça mais autobiográfica de Albee.
Um pouco da biografia sobre o Autor
Quase três décadas de pois de, “Quem tem medo de Virgina Woolf?”, Edward Albee via estrear num teatro austríaco «Três Mulheres Altas». O autor norte-americano era, na época, considerado pela imprensa especializada um “esquecido”, e a peça passaria despercebida. Porém, pouco tempo depois, em Londres e Nova Iorque, Maggie Smith e Myra Cartes, respectivamente, interpretariam o papel da nonagenária protagonista. O mundo redescobria Albee, e« Three Tall Women» venceria, em 1994, o Pulitzer para teatro.
«Três Mulheres Altas», de Edward Albee é considerada uma das peças mais pessoais, mesmo autobiográficas em muito do seu traçado do autor de «Quem tem medo de Virginia Woolf?» que escreveu pouco tempo após a morte da sua mãe adoptiva.
Ficha Técnica
Grupo de Teatro Projéctor
Autor - Edward Albee
Encenação – Abílio Apolinário
Actrizes e Personagens
Anabela Pereira
Elsa Barata
Lara Nayr
Estreou no dia 13 de Maio, no Auditório da Freguesia da Verderena, no concelho do Barreiro.
O espectáculo foi inserido na 5ª Festa de Teatro, promovida pelo Teatro Projéctor.













