A(nota) mentos - BarreiroUm debate «municipal» não é um debate «autárquico
O tema de hoje será «Desenvolvimento Económico: turismo, comércio e empresas», uma matéria central para pensar a cidade que somos e a cidade que queremos construir nas próximas décadas.>

Por Jornal Rostos
Não participei em todas as Oficinas mas procurei estar presente naquelas que as ocupações permitiram.
Vivi debates animados, escutei criticas, comentários, propostas e sugestões que podem ser notas de trabalho – ideias/força – para desenvolver a estratégia que irá ser orientadora do Plano Director Municipal.
Nestas coisas de “pensar a cidade” há conceitos base que todos reconhecem como essenciais e devem ser a essência de implementação de estratégias, são conceitos que estão estudados, estão aplicados, depois, adaptam-se, evoluem, transformam-se de acordo com as realidades específicas.
Assim, todos reconhecem, independentemente dos seus valores ideológicos, culturais ou humanistas, que uma cidade se “pensa” a partir de três pilares determinantes:
– a gestão dos seus espaços públicos e planificação do território;
- o seu edificado, quer ao nível do histórico consolidado ou futura expansão, quer na perspectiva da reabilitação e revitalização;
- a sua vida social da económica às práticas culturais, desportivas e lazer.
E, sabemos, que em todos estes três pilares exista uma centralidade – as pessoas.
É assim para uma cidade, até para uma vila, uma aldeia, um bairro, um sítio ou um lugar. Tudo isso existe, porque, ali, há pessoas, porque são espaços de cidadania.
Uma cidade não se pensa para grupos de pessoas, com tal ou tal ideologia, uma cidade é de todos e para todos.
Uma rede de esgotos, uma rede de águas, os espaços públicos, as dinâmicas da cidade, são dirigidas a todos que nela vivem, independentemente das suas opções religiosas, politicas ou culturais.
Este conjunto de Oficinas, pelo menos naquelas a que assisti, senti essa pluralidade, debates abertos e intensos, no pensar e sentir a cidade.
O concelho do Barreiro tem características muito próprias, marcado pela existência de uma diversidade de lugares e sítios, muitos deles com vida própria – a vida, aliás, que é típica num país cuja economia assenta em pequenas, micro e médias empresas.
Um concelho do Barreiro no seu actual Plano Director Municipal, afirma um conceito que deve ser aprofundado e ser um vector determinante para pensar e promover o futuro - “concelho-cidade”.
O concelho do Barreiro tem um território na ordem dos 36 km 2, a sua distância máxima de uma ponta a outra rondará os 8 km - é um concelho-cidade.
O tema em análise na oficina de hoje - « Desenvolvimento Económico: turismo, comércio e empresas» - é central no pensar a estratégia para o concelho do Barreiro e a sua importância regional, que no âmbito da AML, quer na Península de Setúbal.
Depois seguir-se-á o Congresso no próximo dia 2 de Julho, onde a temática central será a “Estratégia de Desenvolvimento – BARREIRO 2030”.
Estou expectante. Com muita curiosidade de ver como irá decorrer este evento.
O que está em discussão são as ideias força para o futuro próximo do Barreiro e este não é um problema da autarquia, é um problema de todos aqueles que fazem a cidade e sonham com o seu futuro.
Os políticos, esses, que querem ser gestores da cidade, esses, seja qual for a força politica, então, têm uma responsabilidade a duplicar - como cidadãos e como protagonistas de gestores da polis . Aqui e agora, devem demonstrar e dar o seu contributo neste debate municipal.
Este é um debate municipal, não é um debate «autárquico», nem sequer é da força politica dominante.
É um debate municipal – de munícipes, com munícipes, do município para o município, que é de todos. Este concelho onde todos queremos viver felizes e com o respeito pelas diferenças.
Gostava de ver e viver um amplo debate aberto no próximo dia 2 de Julho, até mesmo, assistir ao confronto de visões diferentes ( se é que existem), daquelas foram expressas ao longo de dez oficinas temáticas.
Cá estaremos para ver e ouvir.
António Sousa Pereira













