A(nota)mentoTerminal de Contentores do Barreiro
Todas as coincidências são puramente matemáticas
Não percebo nada disto, mas cheira-me a esturro isto de centrar tudo em Sines. Não diz a bota com a perdigota, da importância do Porto de Lisboa nas politicas portuárias do país.

Por Jornal Rostos
Pelo que foi divulgado, na reunião da Assembleia Municipal do Barreiro, por Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, o Estudo de Impacto Ambiental relativo à Plataforma Intermodal – Terminal de Contentores do Barreiro, deverá estar concluído este mês de Julho ou em Agosto.
O autarca referiu que pelos contactos que foram estabelecidos considera que a evolução deste processo “é positiva”.
Curiosamente, nesta fase, quando se aproxima a divulgação dos resultados do Estudo de Impacto Ambiental, uma peça de grande importância para o processo de decisão sobre a futura localização da zona de expansão do Porto de Lisboa, eis que, na imprensa é divulgado um estudo, sublinhando que «o Estado não deve investir num novo porto no Barreiro», que opção pelo Barreiro “é um desperdício de recursos” e será um exemplo de “mau investimento público “.
Surgem, igualmente, as noticias que o Porto do Barreiro custa mais de 543 milhões que ampliar Sines.
Não sei quem são estes investigadores. Sei que quando da apresentação deste projecto para o Barreiro, foi sempre referido que a tipologia de navios de Sines nada tem a ver com os navios com destino ao Porto do Barreiro.
Sempre, escutei em diversos debates, comparações com o Porto de Leixões e de Setúbal, no que diz respeito a Sines, esse era um porto para outras realidades.
O que me causa alguma impressão, como cidadão comum, é, porque, só agora, que estão prestes a ser divulgados os resultados do Estudo de Impacto Ambiental, começam a nascer este novos argumentos - dos custos e da opção Sines.
Será que os anteriores estudiosos e investigadores nos andaram a enganar? Ou será que agora querem lançar uma nuvem de fumo para baralhar o debate?
Parece que andam a brincar com o futuro do país.
Parece que andam por aqui interesses diversos e o país, os interesses estratégicos do país, neste mundo global, ficam para segundo plano.
Parece mais uma campanha de desinformação do que de esclarecimento, São achas para a fogueira. Deixa arder!
Então, afinal, Lisboa é ou não central na estratégia portuária nacional?
Lisboa é apenas para cruzeiros?
Não percebo nada disto, mas cheira-me a esturro isto de centrar tudo em Sines. Não diz a bota com a perdigota, da importância do Porto de Lisboa nas politicas portuárias do país e na valorização da Área Metropolitana de Lisboa, para lhe dar dimensão e escala europeia.
E, no meio de tudo isto, o Barreiro que passa a vida a olhar para o território da Baía do Tejo, la vai sendo adiado.
Já se foi a Cidade do Cinema.
A Terceira Travessia do Tejo ficou lá para o ano 2050.
O Terminal de Contentores, por este andar, será que algum dia se concretizará?!
Não me cheira…para mim, como sei, por experiência de vida, que gato escaldado de água fria tem medo, começo a colocar muitas interrogações. Não sei, não!
Além disso, ocorre-me à memória aquela frase batida – todas as coincidências são puramente matemáticas.
Primeiro eram as sondagens e a os efeitos dos passivos ambientais.
Agora, que estão prestes a surgir os resultados do Estudo de Impacto Ambiental, surgem os argumentos dos custos – que, pelo que se sabe, e tem sido defendido serão sempre de responsabilidade de privados e nunca do Estado.
Mas há quem esteja preocupado em proteger eventuais investimentos privados e empurrar os investimentos para o Estado(?) no Porto de Sines. Será?!
O meu país é lindo.
António Sousa Pereira













