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Inferências

A(nota)mentos - BarreiroPrestação do serviço dos TCB’s no concelho da Moita abriu a «caixa de pândora»

Os Transportes Colectivos do Barreiro ao longo da sua história deram um importante contributo para o «desenvolvimento circular» do concelho do Barreiro, criando a sua policentricidade.

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A(nota)mentos - Barreiro Prestação do serviço dos TCB’s no concelho da Moita abriu a «caixa de pândora»

Por Jornal Rostos

As gerações dos anos 60 e 70 que “migraram» para o Barreiro e contribuíram para o desenvolvimento e explosão demográfico do concelho, todos, que regra geral, viviam no Barreiro e trabalhavam em Lisboa guardam dos Transportes Colectivos do Barreiro muitas memórias.
Os passageiros das carreiras da manhã, ou de fim de tarde, muitos conheciam-se nas correrias de saída do barco, ou de aguardar a chegada do autocarro nas paragens.
Mas, também, os trabalhadores das fábricas, sabiam que contavam com os TCB’s que, junto às portarias, iniciavam as suas carreiras, ou chegavam pela manhã. Outros tempos.
Depois, os TCB’s criaram circuitos para servir escolas à medida que se alargava o Parque Escolar no concelho. Serão muitos que recordam as carreiras para a Escola Alfredo da Silva, para Casquilhos, ou para a Escola de Santo André.
A expansão urbana, nomeadamente para a Cidade Sol, alargaram a rede, mas, regra geral, o paradigma central dos circuitos dos TCB’s tinham como «eixo estruturante» a ligação aos barcos.
Embora, pouco a pouco, outro paradigma fosse surgindo, mas, regra geral, todas as carreiras tinham por base um circuito de ligação ao Terminal, e, por vezes, esse continua a ser dominante.

Os TCB’s tiveram e de facto, continuam a ter, um papel central na construção do Barreiro que somos.
São muitas as dificuldades para que possa cumprir em pleno uma dimensão de afirmação de um novo paradigma, ou seja, que os TCB’s se transformem nas “veias” de circulação da vida no desenvolvimento de um concelho policêntrico, sendo um dos grandes motivadores do uso do transporte colectivo em detrimento do transporte individual.
Para isso, era necessário que cada um dos habitantes do Barreiro, ao sair de casa, do trabalho, da escola, para ir ao Hospital ou a um Centro de Saúde, ir ao centro da cidade, ou querer deslocar-se à Mata da Machada, a Alburrica, ou qualquer outro ponto, sentisse que – “não vou de carro, porque tenho aqui os meus TCB’s”.
Este será um novo paradigma, aquele que se sente, em algumas cidades europeias.
Para isso é preciso investimento em frota, em aumento de carreiras e que existam politicas nacionais que estimulem o uso do transporte público nas comunidades, dando responsabilidades às autarquias, mas também recursos.

Os TCB’s podem dar dimensão e «escala de vivências» interconcelhias ao alargar o seu serviço aos concelhos limítrofes, motivando o intercâmbio de comunidades.
O alargamento ao concelho da Moita é um exemplo, mas, não se pode é criar novas carreiras e destapar de outro lado, uma critica que alguns munícipes estão a comentar. Um assunto que deve ser avaliado ou esclarecido, caso, tal resulte da falta de informação de novos circuitos e carreiras criadas.

Os TCB’s são essenciais na construção de um concelho policêntrico e também na aproximação interconcelhia.
Os TCB’s são estruturantes na estratégia de um «concelho-cidade» e são estruturantes no aproximar as diversidades interconcelhias – Moita, Palmela, Sesimbra, são vectores a considerar.

O dia histórico que se viveu ontem, com o inicio das prestação de serviço dos TCB’s no concelho da Moita, é, de certa forma, o abrir da «caixa de pândora» e, tal, exige, muito diálogo entre os autarcas da região, de forma a avaliarem e aprofundarem a análise e discussão do papel do serviço publico de transportes, na valorização e desenvolvimento dos concelhos e da região.
E, isto, igualmente, pode ser um contributo para dar dimensão à centralidade do Barreiro, porque, este é , um concelho nuclear no eixo entre a Margem sul e Lisboa – não está num beco, está no centro.
O futuro do papel dos TCB na região começou ontem, a importância dos TCB no concelho do Barreiro, essa, é óbvia e sobre este assunto, ainda, há muito a aprofundar, principalmente com o Poder Central, e, certamente, após 2017, com a anunciada autarquia metropolitana.
Parabéns ao TCB’s!

António Sousa Pereira

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