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Inferências

A(nota)mentos - BarreiroPerdi os preconceitos e mergulhei no Tejo

Nos textos que vão sendo espelhados nas redes sociais, muitas vezes, encontramos reflexões que tocam por dentro de vivências dos nossos dias e permitem reflectir sobre as mudanças que vão caracterizando a vida da comunidade.

5 min de leitura
A(nota)mentos - Barreiro Perdi os preconceitos e mergulhei no Tejo

Por Jornal Rostos

Neste tempo, que as máquinas partidárias começam a olear as baterias para o próximo debate autárquico, tudo serve para tecer comentários.
Uns são por mero acaso, outros sente-se, são deliberadamente com o objectivo de gerar um “clima” negativo e de desvalorização da vida local.

Recordo, que, pouco tempo depois dos socialistas terem conquistado a Câmara começaram a chover criticas de ruas sujas, espaços degradados. Quase como de um dia para o outro, tudo parecia que estava num caos, segundo os eleitos da CDU.
Na altura, Tó Zé Ferreira, naquelas suas intervenções irónicas e muito objectivas, referiu que, pelas intervenções dos autarcas da CDU, parece que, subitamente, no Barreiro se gerou um efeito químico ou físico na vida quotidiana, de tal forma que tudo o que estava bem, no melhor dos mundos, de repente, tudo passou a estar mal em degradação acelerada, isto, porque a Câmara tinha sido conquistada pelos socialistas.

Nestes tempos que antecedem as autárquicas estes fenómenos químicos ou físicos são sempre uma das marcas do tempo que antecede o arranque do processo eleitoral.
É o buraco na rua, é o lixo nas areias da praia de Alburrica, são os maus cheiros, é a falta de limpeza nas ruas. Tudo se amplia. O que estava mal, passa a estar muito, mas muito pior.
Passamos da cidade onde “ser do Barreiro é outra coisa” para a “cidade do terceiro mundo”.

Nunca, nas páginas do jornal Rostos, deixámos de criticar situações que afectam a vida quotidiana, até, porque, era muito fácil, sair pelas ruas registar. Mas, também, obviamente, seria justo também registar o que se vai fazendo para melhorar a qualidade da vida urbana, por vezes, resolvendo problemas com décadas.
É por isso, que quando a análise politica desce ao nível do buraco da rua, isso, só pode ser resultado – ou de não ter mais nada para apontar, ou então, porque se opta pelo populismo, porque, como costuma dizer-se – com papas e bolos, enganas os tolos.

Sei que o confronto politico, as diferenças, sem duvida devem ser assinaladas. Mas, considero que há coisas, sobre as quais deve existir avaliação – com o seu histórico e ter a visão de como a realidade que se transformou, e muita coisa é diferente.
Durante anos, critiquei e comentei, ainda no JB, como o Barreiro estava de costas voltadas para o Rio Tejo. Recordava os dias que passei com meu filhos, pequenos, nas praias do Clube Naval e Alburrica, ou, até mesmo na Barra-a-Barra.

Depois, ir para essas praias era coisa de gente «pobre». E criou-se o estigma.
Isto tudo, vem a propósito de um texto, deslumbrante, de uma pessoa que estimo - Advogada - escrevia na sua página do facebook, transcrevo:

“E, esta podia ser uma mensagem de reflexão numa praia paradisíaca! Mas é apenas a imagem de alguém a pensar que nem uma toalhinha trouxe para se secar e ir trabalhar!
Ao fim de 42 anos despi-me de preconceitos e atirei-me de cabeça ao rio da minha terra! Que desilusão: sem lodo, sem lixo, sem mau cheiro, sem sabor a óleo! Uma água e uma areia digna da nossa presença!
E, eu só posso ser feliz por ter aventuras destas com pessoas mais loucas do que eu!”.

Gostei de ler. Gostei de sentir, este e outros contributos são necessários e essenciais, para se quebrar o estigma de anos. Valorizando o que temos de bom e belo e ligar mais a cidade ao rio.
Mas, isto, também exige, uma responsabilidade acrescida, porque, será necessária mais intervenção, mais limpeza, e, estratégias de valorização, nomeadamente dar condições para que germinem actividades económicas que valorizem o espaço, aumentando a sua atractividade.

Neste tempo, que já começa a surgir, o tal fenómeno químico e físico da degradação acelerada, foi, agradável ler este texto, despido de preconceitos e estigmas, mas, marcado por esse sentimento, esse, apenas, esse, expressar o amor pelo Barreiro e reconhecendo as mudanças e a cada vez maior abertura do Barreiro ao Rio Tejo.

S.P.

Nota – Escrevia este texto ontem pela manhã, depois, fui até ao Clube Naval – Praia Norte – onde almocei e tive uma agradável conversa com o Henrique Contente.
Estava a recomeçar este texto, toca o telemóvel. Era o André Pinotes a dar-me a triste noticia do falecimento do Tó-Zé. Uma dor imensa da perda de um amigo e colaborador deste jornal desde a primeira hora.
Ao recomeçar, hoje, a escrever este texto, deixei ficar o que já tinha escrito, com a recordação das palavras do Tó Zé que, na altura, na reunião da AMB, fez-me rir a bom rir. Ele era assim, irreverente, irónico e critico, com eficiência e eficácia. Fica recordação. Até sempre.

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