Por dentro dos dias - BarreiroSentindo e partilhando o pulsar da cidade.
Uma obra estruturante que vai permitir mais fluidez do trânsito e abrir o caminho para que a zona do Parque Empresarial da Baía do Tejo se aproxime do centro da cidade. Gostei.

Por Jornal Rostos
Regressei ao Barreiro, após uns dias de descanso. Um tempo que deu para ver, noutros lugares, situações de prédios emparedados, edifícios com as obras de construção civil paradas, ruas com buracos, passadeiras por pintar. A decadência, adorada pelas oposições locais, que, por vezes, parece nada mais têm para apontar, senão os sinais, reais de um país decadente, que se espelha na vida das comunidades e na acção de um Poder Local sem recursos, que só os terá, no futuro, se existir a coragem de mudar e dar-lhe outra «dimensão de escala», de competências, de dimensão territorial e de recursos financeiros.
Já não será no meu tempo de vida. O sistema não deseja essa mudança. O Terreiro do Paço pesa muito na vida política portuguesa. Herança do século XIX.
Cheguei ao meu mundo real, aquele que faz o meu quotidiano. Encontro uma pessoa que me diz «Bom Dia», com um sobrolho carregado. Encontro outra pessoa que me diz «Bom Dia» com um grande sorriso. A vida real.
Entro no café, onde digo, bem alto - “que não gosto de esperar”. Começo a interiorizar a mudança. E entrar no ritmo de mais um ano de actividade.
Visitei a minha SFAL, aquela que é a Colectividade mais antiga do concelho do Barreiro e que se prepara para assinalar os seus 150 anos de vida. Lá cumprimentei amigos. Beijos. Abraços. Brincadeiras. Ali, aquela porta que se abriu para a minha integração na vida desta comunidade, que é a terra dos meus filhos.
E, naturalmente, lá estavam os meus «queridos ódios de estimação». Coisas naturais, que já não ligo, principalmente, quando nem sei as razões desses ódios. Eles consomem-se a si mesmos. Alimentam-se de mim, dou-lhes energia para sentirem que estão vivos. Até, dá, de facto, para me sentir importante. Sorrio.
Houve um tempo que isto me incomodava, agora, com o passar dos anos. Só dá para sorrir.
Vou buscar os jornais à Vitorius. A D. Cacilda, comenta - «Bom filho a casa torna». O ritual dos sábados.
Leio o artigo do Pacheco Pereira, leitura obrigatória, no Público, aos sábados. Concordo com as suas palavras acerca do nosso Presidente da República.
Recordei que, nos dias de descanso, ao escutar os telejornais, por vezes, dei comigo a pensar, agora temos comentário politico do Marcelo todos os dias. Temos um Presidente que não consegue despir a farda dos anos que foi uma presença assídua de comentador. Eu sempre o gostei de ouvir. Não votei nele, mas tinha e tenho simpatia pelo seu «modus vivendi». Por um lado é um presidente proactivo, mas, por outro lado, pode banalizar a força do «poder da palavra» da Presidência.
Fui dar um passeio. Ah, finalmente a Rua Manuel Arriaga já não está fechada ao trânsito, com o desvio para a Rua Manuel Pacheco Nobre.
Reparei que as obras de ligação da Rotunda da Paz – onde se encontra o Monumento de Malangatana, junto à entrada do Forum Barreiro – e o Largo Alexandre Herculano ( vulgo Largo das Obras) estão a avançar a bom ritmo.
Uma obra estruturante que vai permitir mais fluidez do trânsito e abrir o caminho para que a zona do Parque Empresarial da Baía do Tejo se aproxime do centro da cidade. Gostei.
Fui beijar o Tejo. Vi gaivotas nas águas. Vinha com esta curiosidade de observar gaivotas. É que nos últimos dias que por ali andei, parecia que as gaivotas tinham abandonado o Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita, porque o espaço estava dominado por pombos.
Sorri ao Tejo. Disse-lhe - Bom Dia! Ao menos parece que a paisagem do Tejo, esta varanda mais bela, que alegra o nosso olhar, por tudo o que lá está e tudo o que lá não está, por enquanto, não é olhada como um espaço de decadência.
Bom, talvez, retirando as centenas de apanhadores de ameijoas, que por ali proliferam, sinal de gente que luta pela sobrevivência, mas isso, ninguém fala, só se um dia, alguém considerar que, esta realidade, também é culpa do Poder Local. Que não intervém. Que não cria condições para a depuração. Está mais próximo e, assim, sempre é mais fácil apontar como culpado. Fica tudo resolvido.
A escola está prestes a começar. Reparei que foi limpo o espaço exterior da Escola Básica nº 2 do Lavradio, das ervas secas, que por ali existiam, antes de partir para os dias de descanso.
A minha rua está limpa. Os contentores não estão cheios. Vinha com ideia de criticar o lixo na rua e os contentores cheios de lixo. Fiquei sem assunto.
Na Praceta Teófilo Monte, na Urbanização dos Loios, os passeios estão a nascer e o espaço está a ficar bonito. O pessoal teve que aguentar sem estacionamento, uns tempos, mas vai ficar com uma praceta gira. Não é, Milene?!
Sento-me, no meu escritório. Pego no meu cachimbo. Escrevo esta crónica. Apenas para vos dizer que regressei. Vou estar por aí, todos os dias, serenamente, sentindo e partilhando o pulsar da cidade.
António Sousa Pereira













