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Inferências

Por dentro dos diasAfinal parece que há vida no Barreiro

. Grande evento : Barreiro - «capital dos Jogos Juvenis de Portugal».

A própria Torre do Relógio – da CUF – dá o sinal que o Barreiro existe, está vivo, tem pessoas.
Há alunos prestes a iniciar mais um ano lectivo. Há escolas a mexer. Há professores a planear.

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Por dentro dos dias Afinal parece que há vida no Barreiro

Por Jornal Rostos

Hoje, pela manhã, entrei na Universal, uma das mais antigas papelarias do concelho do Barreiro, agora, a funcionar no Bairro Operário, ali, senti a azáfama do começo de um novo ano escolar, as compras de cadernos, canetas, lápis, malas. Um espaço amplo, aberto, onde há de tudo para escolher. Um espaço cosmopolita, num antigo Bairro Operário, onde, afinal, a própria Torre do Relógio – da CUF – dá o sinal que o Barreiro existe, está vivo, tem pessoas.
Há alunos prestes a iniciar mais um ano lectivo. Há escolas a mexer. Há professores a planear.
Uma coisa que, ao longo dos anos tenho pensado, é como seria viável dar mais visibilidade a muitos projectos que nascem nas salas de aula, envolvem dezenas de alunos e, depois, ficam dentro da escola, não chegando à comunidade. Uma matéria que merecia uma reflexão – como ligar mais a escola à comunidade?.
Ena, dei uma ideia para pensar e projectar o futuro do Barreiro!

A Marina, uma das funcionárias da Universal, simpática – elas são todas simpáticas, a começar pela «patroa» Orquídea. Dizia, que a Marina, veio falar comigo para dizer: “Afinal, conhecia o meu tio, o Ricardo, que faleceu recentemente? ”.
“Sim, conheci”, disse-lhe. O Ricardo foi um activista do Movimento Associativo, um dos muitos que construiu páginas da história do Futebol Clube Beira Mar, no Lavradio, com quem partilhei momentos da vida. Nos últimos anos esteve ligado ao teatro de revista da Zona Norte, na Baixa da Banheira.
Faleceu, recentemente, de forma inesperada. Deixou a saudade e a ternura do seu sorriso.
Conversava com a Marina e na trocas de palavras, partilhávamos pensamentos : “A vida é para viver. Viver mesmo, porque de um dia para o outro, chega o final”.
Um cliente chamou, a Marina foi ao trabalho. Continuei por ali, enquanto a Lurdes tratava dos seus cadernos e compras. Ela vive essa paixão do ensino e vai recomeçar o seu encontro diário com as crianças que adora e adoram-na.

Numa breve troca de palavras falei, por acaso, com a Orquídea sobre um vídeo realizado com poemas de Fernando Pessoa – que começa com Fernando Pessoa a beber um ginja, na Ginjinha do Rossio, segue rumo ao Martinho, passa pelo Cais das Colunas, entra no barco – nos antigos – ruma ao Barreiro, onde finda a sua viagem bebendo outra ginjinha no Manuel da Galega.
Um vídeo no qual o poeta era interpretado por Carlos Ramos, um jovem actor do Barreiro, que, infelizmente já não está entre nós.
Isto, tudo, que veio a propósito de uma troca de palavras com a Lidia, funcionária da Universal, a quem referi que Fernando Pessoa, tinha um lindo poema, onde escreveu: “Vem sentar-te comigo, Lidia, à beira rio…”.

A Lili, por quem nutro um carinho especial, queria demonstrar que a sua pele estava mais bronzeada. Eu olhei e comentei – “Está mesmo, mesmo, muito mais bronzeada, principalmente no coração”.
Ela, comentava o evento – Summer Set - que vai decorrer na SFAL – Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense, a festa de despedida do Verão, já este sábado, com Dj André Howard.
“Eu conheço o André. É um DJ de futuro”, dizia a Lili.
É assim, o Barreiro é uma terra de gente com futuro e que faz futuro todos os dias.

Deixei a Universal e fui dar uma volta pelo Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita. Uma delicia. Lá fomos, serenamente, eu e a Lurdes, olhando o Tejo, e, sentindo a aragem suave deste Setembro.
Cumprimentei o José Luis Correia, meu companheiro das lides dos Jogos Juvenis do Barreiro, de antes do 25 de Abril, quando ambos participámos na Comissão Organizadora.
Como sou um pouco louco, e, como está na moda dar ideias, lançar uns bitaites, para mudar o Barreiro, pensei ao ver o José Luís – e se o Barreiro organizasse, de dois em dois anos, os Jogos Juvenis de Portugal, num projecto devidamente estruturado, envolvendo os vários concelhos, onde os JJ foram uma prática, por exemplo – Abrantes, Guimarães, Moita, Seixal. Há outros, não recordo.
Grande evento : Barreiro - «capital dos Jogos Juvenis de Portugal».

O José Luis Correia, está ali, no Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita, diariamente, conversando e fruindo daquela linda paisagem sobre o Tejo. São um grupo de amigos, que, pelo que consta, se define como – “Os Amigos da Muralha”.
Tomei um café na esplanada dos «Dadores de Sangue”. Olhei o Tejo. Lindo.
Ao longo das margens, com a água pela cintura, algumas dezenas de mariscadores, lá estavam, na faina de mais um dia.

A passear por aquela zona, comentei com a Lurdes, sobre a criação da 5ª Esquadra, mesmo ali muito perto do Tejo. O edifício, no seu último piso, de certeza, vai ficar com uma esplêndida vista sobre Lisboa e sobre o rio.
E, a propósito, na minha crónica de ontem, não fiz um registo do contributo de André Pinotes Batista, deputado do PS, do Barreiro, que, de facto, também esteve envolvido ao longo dos caminhos para encontrar uma solução.
Mas, no meio de tudo isto, o importante, assim o espero, é que a 5ª esquadra avance, que obra comece no terreno e que o Barreiro Velho possa, de alguma forma, beneficiar deste policiamento de proximidade.

S.P.

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