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Inferências

A(nota) mentosEstação Fluvial do Sul e Sueste do Barreiro
– Uma mancha, um nódoa, uma ferida

Parafraseando António Costa, a Estação do Sul e Sueste no Barreiro - “É uma nódoa negra que persiste no entrada do Barreiro. É uma vergonha para a cidade o estado em que o Estado está a manter este imóvel de grande valor arquitectónico”.

Já é tempo, de olhar para este património, ver e sentir a sua importância na ligação entre as duas margens, até com o Seixal, e, pensar o sitio, como um projecto estruturante do Arco Ribeirinho Sul, agindo e tomando decisões que possam valorizar um património único e dar-lhe escala metropolitana..

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A(nota) mentos Estação Fluvial do Sul e Sueste do Barreiro – Uma mancha, um nódoa, uma ferida

Por Jornal Rostos

Em 1875 começaram os trabalhos de construção da nova Estação Ferroviária do Barreiro, com base num projecto de Miguel C. C. Pais.
Em 4 de Outubro de 1884, foi inaugurado aquele que é, sem dúvida, um património ícon do Barreiro e uma referência para muitas gerações.
A Estação do Fluvial do Sul e Sueste do Barreiro, é considerada pelos especialista como tendo uma arquitectura civil de equipamento tardo-romântica, revivalista neomanuelina, onde a técnica do ferro é aplicada a suportes arquitectónicos.
A retirada da importância dos Caminhos de Ferro no Barreiro, a electrificação da Linha do Sado, a construção de uma nova estação, a construção de um novo terminal-rodo-ferro-fluvial, foram um conjunto de projectos de modernização que contribuíram para o abandono da antiga Estação Fluvial do Sul e Sueste.

Com a passagem dos anos tem vindo a agravar-se o seu estado e a degradação do edifício é cada vez mais sentida, até com pequenas derrocadas das suas paredes.
Um espaço mítico. Um espaço idílico. Um espaço de ligação da cidade ao Tejo, com potencialidades, mas, para o qual, não se vislumbra uma solução.
Não vale a pena procurar culpados. Nem vale a pena estar a encontrar bodes expiatórios, num processo natural, fruto das mudanças epocais, evoluções tecnológicas e alterações das realidades sócio-económicas da região.
O importante, isso, sim, era que todos se envolvessem na procura de soluções, contribuindo para valorizar um património e um lugar que pode ser de referência e nuclear na aproximação das duas margens, atraindo visitantes ao Barreiro e proporcionando aos barreirenses um espaço único, de uma beleza natural, e, onde se inscreve a história de Portugal e da região.

Recentemente, o município, e bem, lançou um concurso de ideias para a área da antiga Estação Ferro-Fluvial do Sul e Sueste e espaços contíguos.
Na circunstância foi reconhecido o seu potencial por, ser um sítio, já com uma “identidade”, onde “podem mesmo acontecer coisas”, salientando-se que era importante “tornar o espaço mais atrativo de modo a revelar as suas mais-valias”, acrescentando-se que ali, “muito do que consideram necessário existir já lá está, quer a nível de infraestruturas, quer as condições naturais”.

Uma “bela vista”, o rio, um local de passagem, uma entrada no Barreiro. Neste Concurso de Idieas foi atribuído um Prémio à equipa de arquitetos de Paris/França; uma Menção Honrosa, a uma equipa de Roma/Itália, e uma Citação Especial, a equipa de Almada/Portugal. Ideias e projectos não faltam.
São ideias para o presente e para o futuro. Gostava de, em vida, ainda, um dia, poder ver aquele espaço recuperado e com dinâmica cultural e económica.

No âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano, o concelho do Barreiro vai apresentar uma candidatura visando a criação de uma rede pedonal e ciclável de ligação do Barreiro ao Seixal, com a sua ligação directa ao sitio da Estação do Sul e Sueste.
Hoje, ao ler a noticia, que no âmbito da requalificação da frente ribeirinha de Lisboa vai avançar um projecto de requalificação da Estação do Sul e Sueste de Lisboa, de forma a valorizar e manter aquele património de grande valor arquitectónico e promover a criação de uma gare marítima-turística, com base nas verbas da Taxa Municipal Turística. Pensei, pois, é isto que falta ao Barreiro – verbas – porque ideias já existem e boas!
Comentava, ontem, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que a Estação do Sul e Sueste, em Lisboa, - há muito fechada e sem qualquer utilização era – uma mancha, um nódoa, uma ferida”.
António Costa, na Presidência da Câmara de Lisboa, afirmava que aquela Estação – “É uma nódoa negra que persiste no Terreiro do Paço. É uma vergonha para a cidade o estado em que o Estado está a manter este imóvel de grande valor arquitectónico”.

Pois é, parafraseando António Costa, a Estação do Sul e Sueste no Barreiro - – “É uma nódoa negra que persiste na entrada do Barreiro. É uma vergonha para a cidade o estado em que o Estado está a manter este imóvel de grande valor arquitectónico”.
Em conclusão, já é tempo, de olhar para este património, da Estação do Sul e Sueste do Barreiro, ver e sentir a sua importância na ligação entre as duas margens, até com o Seixal, e, pensar o sitio, como um projecto estruturante do Arco Ribeirinho Sul, agindo e tomando decisões que possam valorizar um património único e dar-lhe escala metropolitana.
O Barreiro agradece!

António Sousa Pereira

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