A(nota) mentosEstação Fluvial do Sul e Sueste do Barreiro
– Uma mancha, um nódoa, uma ferida
Já é tempo, de olhar para este património, ver e sentir a sua importância na ligação entre as duas margens, até com o Seixal, e, pensar o sitio, como um projecto estruturante do Arco Ribeirinho Sul, agindo e tomando decisões que possam valorizar um património único e dar-lhe escala metropolitana..

Por Jornal Rostos
Em 1875 começaram os trabalhos de construção da nova Estação Ferroviária do Barreiro, com base num projecto de Miguel C. C. Pais.
Em 4 de Outubro de 1884, foi inaugurado aquele que é, sem dúvida, um património ícon do Barreiro e uma referência para muitas gerações.
A Estação do Fluvial do Sul e Sueste do Barreiro, é considerada pelos especialista como tendo uma arquitectura civil de equipamento tardo-romântica, revivalista neomanuelina, onde a técnica do ferro é aplicada a suportes arquitectónicos.
A retirada da importância dos Caminhos de Ferro no Barreiro, a electrificação da Linha do Sado, a construção de uma nova estação, a construção de um novo terminal-rodo-ferro-fluvial, foram um conjunto de projectos de modernização que contribuíram para o abandono da antiga Estação Fluvial do Sul e Sueste.
Com a passagem dos anos tem vindo a agravar-se o seu estado e a degradação do edifício é cada vez mais sentida, até com pequenas derrocadas das suas paredes.
Um espaço mítico. Um espaço idílico. Um espaço de ligação da cidade ao Tejo, com potencialidades, mas, para o qual, não se vislumbra uma solução.
Não vale a pena procurar culpados. Nem vale a pena estar a encontrar bodes expiatórios, num processo natural, fruto das mudanças epocais, evoluções tecnológicas e alterações das realidades sócio-económicas da região.
O importante, isso, sim, era que todos se envolvessem na procura de soluções, contribuindo para valorizar um património e um lugar que pode ser de referência e nuclear na aproximação das duas margens, atraindo visitantes ao Barreiro e proporcionando aos barreirenses um espaço único, de uma beleza natural, e, onde se inscreve a história de Portugal e da região.
Recentemente, o município, e bem, lançou um concurso de ideias para a área da antiga Estação Ferro-Fluvial do Sul e Sueste e espaços contíguos.
Na circunstância foi reconhecido o seu potencial por, ser um sítio, já com uma “identidade”, onde “podem mesmo acontecer coisas”, salientando-se que era importante “tornar o espaço mais atrativo de modo a revelar as suas mais-valias”, acrescentando-se que ali, “muito do que consideram necessário existir já lá está, quer a nível de infraestruturas, quer as condições naturais”.
Uma “bela vista”, o rio, um local de passagem, uma entrada no Barreiro. Neste Concurso de Idieas foi atribuído um Prémio à equipa de arquitetos de Paris/França; uma Menção Honrosa, a uma equipa de Roma/Itália, e uma Citação Especial, a equipa de Almada/Portugal. Ideias e projectos não faltam.
São ideias para o presente e para o futuro. Gostava de, em vida, ainda, um dia, poder ver aquele espaço recuperado e com dinâmica cultural e económica.
No âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano, o concelho do Barreiro vai apresentar uma candidatura visando a criação de uma rede pedonal e ciclável de ligação do Barreiro ao Seixal, com a sua ligação directa ao sitio da Estação do Sul e Sueste.
Hoje, ao ler a noticia, que no âmbito da requalificação da frente ribeirinha de Lisboa vai avançar um projecto de requalificação da Estação do Sul e Sueste de Lisboa, de forma a valorizar e manter aquele património de grande valor arquitectónico e promover a criação de uma gare marítima-turística, com base nas verbas da Taxa Municipal Turística. Pensei, pois, é isto que falta ao Barreiro – verbas – porque ideias já existem e boas!
Comentava, ontem, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que a Estação do Sul e Sueste, em Lisboa, - há muito fechada e sem qualquer utilização era – uma mancha, um nódoa, uma ferida”.
António Costa, na Presidência da Câmara de Lisboa, afirmava que aquela Estação – “É uma nódoa negra que persiste no Terreiro do Paço. É uma vergonha para a cidade o estado em que o Estado está a manter este imóvel de grande valor arquitectónico”.
Pois é, parafraseando António Costa, a Estação do Sul e Sueste no Barreiro - – “É uma nódoa negra que persiste na entrada do Barreiro. É uma vergonha para a cidade o estado em que o Estado está a manter este imóvel de grande valor arquitectónico”.
Em conclusão, já é tempo, de olhar para este património, da Estação do Sul e Sueste do Barreiro, ver e sentir a sua importância na ligação entre as duas margens, até com o Seixal, e, pensar o sitio, como um projecto estruturante do Arco Ribeirinho Sul, agindo e tomando decisões que possam valorizar um património único e dar-lhe escala metropolitana.
O Barreiro agradece!
António Sousa Pereira













