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Inferências

Por dentro dos dias - BarreiroMais que «criticismo» o que precisamos é de «Barreirismo»

Registei a edição da noticia sobre a próxima inauguração da Unidade de Produção de Precursor de Fibra de Carbono da FISIPE, que vai contar com a presença de dois ministros.

Dou comigo a pensar, neste final de dia, que o Barreiro, cada vez mais, precisa, acima de certas «guerrilhas» e «divergências» que se cultive o «Barreirismo».

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Por dentro dos dias - Barreiro Mais que «criticismo» o que precisamos é de «Barreirismo»

Por Jornal Rostos


Uma nova semana começa. Embora, para mim, a segunda-feira funcione, normalmente, como um dia de «serviços mínimos».
Sai de casa, dei uma volta para ir comprar o jornal. Gosto de sentir o jornal de papel nas mãos.
Os sinais que as férias ficaram para trás começam a sentir-se no movimento das ruas. São pais e filhos rumo às escolas.
Encontrei a Lurdes Inácio a conversar à janela, com pais, um sinal vivo que as tarefas do quotidiano estão a regressar. Prepara-se mais um ano lectivo, ali, naquele espaço pedagógico.
“Menina está à janela, com o teu cabelo à lua”, comecei a cantar. Foi a forma de dizer «Bom Dia» e desejar «Bom Ano Lectivo».

No regresso encontrei o Pavel, e a sua esposa, um homem ligado ao desporto, que ajudou a formar gerações. Trocámos breves palavras.
Ele perguntou-me pelo meu cachimbo. Está guardado.
“Tenho que pensar em fumar menos, pela saúde e pelo custo. O preço do tabaco do cachimbo está a voltar ao tempo que se dizia – fumar de cachimbo é para burgueses”, comentei,
Pois, não sou burguês, mas tenho este hábito adquirido desde há muitos anos. Recordo mesmo, nos tempos do PREC, por vezes era olhado de lado por fumar cachimbo. Coisas.

Sentei-me a ler o jornal. De repente tocam-me no ombro. Era a Ana Lourenço, ex-directora do «Jornal do Barreiro». Um encontro agradável.
Recordámos o «bichinho», esse, que nos toca e faz viver som intensidade a produção de um jornal e as vivências do mundo do jornalismo.
Foram dias intensos, de azáfama, de plena entrega e paixão, aqueles que vivi, quer como Chefe de Redacção, quer como Director do «Jornal do Barreiro».
Recordo, com tristeza, o dia que a Ana Lourenço, me telefonou a solicitar que escrevesse um artigo para a última edição impressa do JB. Não esqueço esse seu gesto.
O dia continuou, com leituras e descanso. Registei a edição da noticia sobre a próxima inauguração da Unidade de Produção de Precursor de Fibra de Carbono da FISIPE, que vai contar com a presença de dois ministros.

E, depois, notei que este foi o «leit motiv» para outras deambulações.
Dou comigo a pensar, neste final de dia, que o Barreiro, cada vez mais, precisa, acima de certas «guerrilhas» e «divergências» que se cultive o «Barreirismo».
Percebo as diferenças ideológicas. Percebo as lutas pela conquista do poder.
Mas uma coisa tenho a certeza, há coisas na vida de uma cidade e de um concelho, que estão acima de todas essas conflitualidades.
Uma rua bem arranjada. Um jardim bonito. A existência de um bom hospital. O funcionamento de boas escolas. Um bom abastecimento de água. Uma boa rede de saneamento. O bom aproveitamento estratégico dos antigos espaços industriais. Uma boa ligação da cidade ao rio. A criação de condições para boas práticas associativas. A valorização do património industrial ferroviário.
Tudo isto e muito mais, não se destina a servir nenhuma ideologia, trata-se de valorizar a cidade, o concelho, o território e dar-lhe dimensão económica e social.

Quando falo em «barreirismo» é essa angústia que me toca, sobre a necessidade e urgência, de se encontrarem caminhos e soluções para problemas que se arrastam e não vislumbro soluções, nem propostas que gerem de uma vez por todas o consenso, acima das guerrilhas ideológicas, que provaram nada resolvem.

Gostava de ver o «Barreirismo» a levantar a sua voz, em uníssono, independentemente da força politica que é governo, ou que está no Poder Local, por exemplo, em defesa e valorização do Hospital do Barreiro. Sem preocupações de culpar o governo «a» ou «b», mas, apenas, com a finalidade de dar a esta unidade hospitalar uma dimensão regional, não lhe reduzir valências e dar-he especializações para a região.

Gostava de ver o «Barreirismo» a apontar soluções concretas e objectivas para o território da Baía do Tejo, integrando-no no espaço urbano, contribuindo para afirmar o concelho e a cidade no contexto regional e retirando-o, de uma vez por todas, daquela classificação patente no PROT como sendo uma zona critica.
Temos uma pérola que sofreu os efeitos óbvios e naturais da desindustrialização que se arrasta, há décadas, com propostas que não passam de ilusões.
Deixemos de encontrar culpados e repudiar propostas. Discutamo-las com firmeza e afirmemos o potencial daquele território, para criar emprego e deixar de ser um espaço sem futuro.
Aqui, elogio, o trabalho que foi feito pela actual adminsitração da Baía do Tejo e a articulação com a autarquia no sentido de projectar e abrir janelas de oportunidade.
Não sou apologista do Terminal de Contentores, se o mesmo se limitar a ser um espaço de armazenamento, mas, se como se afirma, na proposta que tem sido apresentada for uma plataforma intermodal, acredito que pode ser um, valor acrescentado.
Já escutei isto, de especialistas da área, que trabalham no Porto do Barreiro, há décadas, com uma experiência enorme, que em entrevista ao Rostos, sublinharam ter o Barreiro enormes potencialidades na área portuária, se a aposta for um Plataforma Multimodal – atrai empresas á região, dá-lhe dimensão internacional.
Não percebo mesmo, porque não escuto argumentos válidos, certas contestações a este projecto.
Clarifique-se. Se não é isto, então o que se quer para aquele território?

Gostava de ver o «Barreirismo» a discutir, numa voz única, seja com este governo, seja com outro qualquer, a necessidade e urgência da construção da ponte Barreiro-Seixal.

Gostava de ver o «Barreirismo» a discutir a afirmar a importância da construção do prolongamento do IC21 para o concelho de Sesimbra, acessibilidade que contribuiria para dar escala à região e potenciar o futuro da zona rural do concelho, que está a 30 minutos de Lisboa, por comboio.

Gostava de ver o «Barreirismo» a discutir onde e como construir ou valorizar o existente ao nível de equipamentos desportivos, porque existem condições únicas de existência de um complexo desportivo com capacidade de ser uma mais valia na Área Metropolitana de Lisboa, onde podia existir um hotel, proporcionando a estadia de equipas que se deslocam a Lisboa para provas europeias e como local de estágios – para o futebol e basquetebol, onde temos história e valores.

Gostava de ver o «Barreirismo», sem querer culpar ninguém, nem este governo, nem outros anteriores. Pronto o que está está, mas, de uma vez por todas, potenciar a Estação do Sul e Sueste e o o imenso património ferroviário.

Gostava de ver o «Barreirismo» a pensar uma estratégia para uma cidade que está envelhecida – não é só o Barreiro Velho – e que carece de um plano de curto, médio e longo prazo de requalificação urbana, envolvendo o ensino académico da cidade, os proprietários, a autarquia e o Poder Central, abrindo janelas ao nível de fundos comunitários.

Gostava de ver o «Barreirismo» a pensar a Mata da Machada e o Sapal de Coina, como elementos centrais e estruturantes, para se pensar o «concelho-cidade», potenciando aquela zona natural, não só na sua vertente ambiental, mas na sua riqueza histórica e tendo daquele espaço a visão do nosso «central parque» que une dois polos do concelho – um de renovação urbana, outro de expansão urbana. Pensando futuro.

Gostava de ver o «Barreirismo» a pensar tudo isto e muito mais, com propostas concretas e credíveis, olhando, simultaneamente, para a realidade orçamental da Câmara Municipal do Barreiro. Com verdade.

Era em tudo isto que eu pensava, ao fim do dia, e, por isso, como gosto de ter opinião, aqui fica uma pequena parte do que penso.
É isso, precisamos de ideias, propostas, projectos.
Cada vez penso, pela passagem do tempo e das experiências que tenho acompanhado, que nós precisamos, para construir futuro é mais que «criticismo», o que precisamos é de «Barreirismo»

O «Barreirismo» não deve anular as diferenças, nem abafar a discussão, nem sequer negar a critica, mas é encontrar o que existe de comum para valorizar a cidade e o concelho.

O «Barreirismo» é um patamar superior de olhar e sentir o concelho e a cidade com paixão e desejo de mudança.
É unir em torno do que une, e o que deve unir é valorizar o que temos e que ao longo dos anos…vai se definhando!
Por aqui me fico.

S.P.

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