InferênciasUrgente «compromisso politico» em torno do futuro do Hospital do Barreiro

Por Jornal Rostos
Um destes dias, neste mês de Outubro, escutei uma entrevista na Antena 2, um médico do Porto, cujo nome apenas registei ser Cunha, ligado ao PS.
Comentava que, em tempos, no decorrer de uma visita ao Porto da então Ministra da Saúde, Leonor Beleza, PSD, perguntava aos profissionais como estavam as coisas, ele, “rasgando” o politicamente correcto dos “protocolos”, disse – “Está tudo mal!”.
Foi um burburinho. Mas, passados uns dias, recordou, a Ministra Leonor Beleza, solicitou a sua presença no Ministério da Saúde, para lhe dizer, como tinha gostado da sua resposta e que pretendia, perante as questões que colocou, encontrar respostas e soluções para as dificuldades – reduzir a mortalidade infantil no país e promover politicas que contribuíssem para resolver situações ao nível da saúde infantil.
Recordou o entrevistado que, após essa conversa, foi constituído um grupo de trabalho, que estudou e implementou diversas medidas que foram essenciais para a melhoria dos cuidados de saúde ao nível infantil.
Sublinhou que a Ministra, não se preocupou com as opções politicas dos membros da referida Comissão, composta por elementos das mais diversas sensibilidades politicas da esquerda à direita – “o importante era fazer com lealdade”.
Escutava esta entrevista e pensava no Hospital do Barreiro, nas dificuldades, nos problemas, nas indefinições, que afectam os utentes, os profissionais de saúde e até a definição de uma estratégia de curto, médio e longo prazo.
Governo após governo. Quando o PSD é governo os socialistas criticam a gestão e os modelos. Quando o PS é governo os sociais democratas criticam a gestão e os modelos. Depois vão surgindo modelos experimentais. As soluções arrastam-se. As dificuldades financeiras. O desgaste dos profissionais. O mau serviço prestado aos utentes, principalmente ao nível do Serviço de Urgências, pelo excesso de horas de espera, pelo excesso de horas de serviço, pelas condições de trabalho.
Isto, apesar de existirem serviços no Hospital do Barreiro, reconhecidos pela sua excelência e pela existência de equipas, em diversos serviços, que vestem a camisola, exercem a profissão com paixão, porque foi a aposta de vida e de entrega ao próximo que colocaram nas suas vidas.
Enquanto os políticos discutem digladiam-se, mudam e remudam Conselhos de Administração e equipas clinicas, os profissionais vão dando tudo quanto podem, para dar respostas, numa unidade hospitalar, nuclear na região, conscientes que – “casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”.
Os utentes protestam. Pressionam. Num permanente jogo do gato e do rato.
Tudo isto me ocorreu enquanto escutava a entrevista e pensava, afinal, é fácil, é mesmo esta a solução para o Hospital do Barreiro.
Não está aqui em causa, a força politica x ou y, nem sequer o governo A ou B. O que está em causa é, na verdade, de uma vez por todas, sem mais adiamentos, encontrar consensos – um compromisso politico que contribua para definir uma estratégia sobre o papel e posicionamento do Hospital do Barreiro no contexto da Área Metropolitana de Lisboa e no contexto da Península de Setúbal.
Definir valências. Perspectivar elementos diferenciadores. Apostar na qualidade.
Acima de tudo, caracterizar as funções e papeis de três hospitais e a sua articulação – Hospital Garcia da Orta, em Almada, Hospital Nª Srª do Rosário, no Barreiro e Hospital S. Bernardo, em Setúbal. Não são concorrentes. Não devem ser concorrentes. Devem articular-se entre si e, naturalmente, entre si e Lisboa.
Depois, a função e papel do Centro Hospitalar Barreiro – Montijo, e, essa, é outra dimensão, deve e tem que ser devidamente equacionada com os Cuidados Primários de Saúde.
Já escutei esta matérias serem abordadas, nos mais diversos debates sobre saúde, no concelho do Barreiro e na região.
Ao escutar a entrevista, acima referida, o que me ocorreu é que, de facto, tem que existir vontade politica, acima de interesses ou jogos partidários que são circunstanciais, e, estudar, projectar, planear - com lealdade – o futuro, colocando esta unidades hospitalar ao serviço da comunidade e da região, servindo os utentes.
Ao escutar a entrevista acima registada, conclui, que se existir vontade e lealdade, feito o diagnóstico técnico, com estratégias de curto, médio e longo prazo, assumidas em «compromisso politico» - da esquerda à direita - será possível fazer um caminho, construir futuro e todos sabermos – o que se quer, para onde vai e qual será o futuro do Hospital do Barreiro.
É que, meus senhores, quando se trata de esperar horas nos Serviços de Urgência, ou de ter, ou não ter respostas ao nível dos serviços, isto toca a todos, votem no PSD, votem no PS, votem, na CDU, votem no BE, ou mesmo que não votem em ninguém – todos sofremos e continuaremos a sofrer com o adiamento de soluções.
Repito foi tudo isto que me ocorreu ao pensamento ao escutar aquela entrevista. É isso o que se precisa, o que é necessário, para construir futuro - “o importante era fazer com lealdade”.
António Sousa Pereira













