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Inferências

Barreiro - «25 de Abril sempre!»Escutou-se a «Grândola Vila Morena» no adeus a Manuela Fonseca

Realizou-se, hoje à tarde, o funeral de Manuela Fonseca, filha de ferroviários, uma mulher da cultura e da educação, natural do Barreiro, onde nasceu a 30 de Novembro de 1949, distinguida com o galardão «Barreiro Reconhecido» na área da Educação, no ano 2009.

Uma colunista do jornal «Rostos» que deixou, nas nossas páginas, um legado de textos e memórias de uma riqueza cultural, histórica e humanistas.

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Barreiro - «25 de Abril sempre!» Escutou-se a «Grândola Vila Morena» no adeus a Manuela Fonseca

Por Jornal Rostos

Manuela Fonseca, foi uma mulher apaixonada pelas letras, de grande rigor na sua escrita e critica literária de uma grande dimensão poética e hermenêutica.
Uma mulher de causas, que descobriu e viveu a Liberdade, antes de Abril acontecer. Uma mulher de coragem e combate, sem medos de ter opinião e de encontrar caminhos de acordo com a sua consciência. Afirmava-se pelo que sentia e amava.

Travou nos últimos anos uma luta corajosa pela vida, dias de resiliência, de dor, que contando com a dedicação de seu companheiro Manuel Alpalhão, superou para lá de todas as forças humanas. Uma luta quotidiana de paixão pela vida. Sempre, até ao último instante lutou a pensar e a sonhar. A discutir. A opinar. A protestar. A sonhar.

Partiu hoje, rodeada de flores e de muitos amigos, de lágrimas discretas, de recordações, de saudade, de amizade, de memórias.
O Filipe, o Rui, o Manel e os seus próximos, com ela, silenciosamente, aguentaram dias de grande alegria, emoções. Tempos que vão guardar, como lembrança, única. do que é viver e lutar por manter um sorriso todos os dias.
Após as celebrações religiosas, pelo Padre Azevedo, que a Manela fez questão de ser ele a celebrar, um amigo com quem partilhou momentos da sua vida, quando leccionou na Escola Secundária de Santo André.
Chegou a hora de partir, com a bandeira do seu Futebol Clube Barreirense a cobrir a urna e muitas, muitas flores...

A Manuela partiu e, naquele instante, que deixava para trás a terra que a viu nascer, onde combateu e sonhou, escutou-se aquele cântico que ela tanto amava - «Grândola Vila Morena" e um grito que, afinal ela, muitas vezes inscreveu na sua página de facebook - "25 de Abril sempre".
Era sim, muitas vezes assim, que ela começava a sua viagem diária pela rede social que a ligava ao mundo e à vida - "Grândola, vila morena" ou "25 de Abril sempre", era a forma de dizer - Bom Dia ou Olá!

"Grândola Vila Morena, terra da fraternidade", o seu cântico foi escutado na hora do adeus, mo mesmo momento que uma pomba, ergueu voo sobre a sua urna, e, ao seu lado, a Manuela suavemente disse - "Obrigado Barreiro".

Ao fim da tarde, no Cemitério da Quinta do Conde, rodeada de muitos amigos, seu corpo foi cremado. Partiu e deixou a sua memória no coração de muitos alunos, colegas de profissão e companheiros de luta.

Até sempre! Um beijo!

S.P.

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