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Inferências

Barreiro – Por dentro dos diasFaleceu o Gil um homem que ajudou a fazer Abril

O Gil partiu hoje, deixando para trás, na sua vida, contributos para Abril e para a Liberdade. Mesmo nos tempos difíceis. Coloco um cravo no teu rosto e recordarei sempre o teu sorriso. Até sempre Gil!

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Barreiro – Por dentro dos dias Faleceu o Gil um homem que ajudou a fazer Abril

Por Jornal Rostos

Um dos meus encontros diários, por razões ligadas à minha actividade, é visitar o facebook. Por vezes, digo mesmo, que perco tempo demais nas minhas visitas e procuro não comentar, limito-me a maior parte das vezes a colocar um «gosto».
Não comento, evito mesmo comentar, nem sequer aqueles comentários que me tocam. Nestes casos, limito-me a recordar a velha história do rapaz, do velho e do burro.
O facebook dá-nos alegrias. Proporciona reencontro de amigos. Dá noticias boas. Dá noticias tristes. Esta é a «esquina» dos tempos de hoje, o ponto de encontro com o «Diz que diz-se». Ate há, na verdade, por aí, uns peritos que criam perfis, com outras identidades, e, usando essa «capa» comentam, comentam e o mais engraçado é quando se auto-elogiam. Enfim. Novas tecnologias.

Mas, hoje, ao abrir a página deparei com uma noticia triste. Ana Porfirio divulgava a morte de seu amigo Gil.
Conheci o Gil – Hermenegildo – antes do 25 de Abril. Não vou afirmar que era um íntimo amigo. Conheciamo-nos há muito. Vivemos momentos em que partilhamos lutas. Chegamos a fazer parte de equipas de trabalho. Cultivamos sempre uma relação de respeito.
A vida é o que é, e, por vezes, por decisões, que cada um sabe de si, as nossas opções alteram-se. Eu mudei as minhas leituras do mundo e da vida. Ele, homem de convicções, quando me encontrava, no seu feito, prazenteiro e sempre disposto a lançar a sua ferroada, lá me dirigia os seus epítetos. Sempre nos cumprimentámos e saudámos. Nunca deixou de me falar. Manteve sempre aquela sua postura critica e de respeito. Nunca ofendeu, nem nunca tocou na minha dignidade. Dizia a verdade – «mudasti». Era a verdade, que eu assumia, com verticalidade. E respondia-lhe, muitas vezes, com outros epítetos.

Nas noites do 25 de Abril. Lá estava sempre no Parque da Cidade. Bonacherirão. Feliz, sempre com um ar feliz. Nunca vi o Gil com ar triste. Apertávamos as mãos. E lá vinham as bocas. Eu sorria. E, de facto, irei sempre sorrir, porque sinto-me bem e não tenho pesos na consciência. São opções do coração.
O Gil partiu hoje, deixando para trás, na sua vida, contributos para Abril e para a Liberdade. Mesmo nos tempos difíceis, esteve na luta por um mundo melhor.
Recordo aqueles seus tempos no MJT – Movimento da Juventude Trabalhadora. Nesse tempo eu por outros caminhos, a viver a intensidade do PREC.
Lamento a sua perda. Sinto tristeza. Agora já não vou mais escutar as tuas bocas, mas nunca esquecerei, que tu, foste daqueles, que nunca me voltou as costas e sempre, mesmo com criticas fortes, nunca colocaste de lado a palavra amizade. Agradeço-te.
Afinal, acho que será sempre assim para todos aqueles que viveram e sentiram Abril a pulsar no sangue e na vida.
A luta pela Liberdade ensinou-nos a cultivar a amizade e os valores da solidariedade.
Coloco um cravo no teu rosto e recordarei sempre o teu sorriso.
Até sempre Gil!

S.P.

Foto - Ana Porfirio

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