Quando a poesia se diz e canta com…uma lágrima de saudadePor António Sousa Pereira
Barreiro

Por Jornal Rostos
Ontem à tarde, no auditório da Cooperativa Cultural Barreirense, realizou-se o lançamento do livro «O sonho...permanece», de Jorge Fagundes, que me convidou para prefaciar a sua obra.
Aqui fica, o texto do prefácio, que nasceu ao mergulhar por dentro das palavras e sentimentos do homem e poeta Jorge Fagundes.
Quando a poesia se diz e canta com…uma lágrima de saudade
Antes de mais, quero começar por agradecer a Jorge Fagundes esta honra que me deu de ser autor do prefácio do seu segundo livro de poemas. Conheço-o desde os meus primeiros passos pelo mundo do jornalismo local, então no seu exercício do cargo de vereador da Câmara Municipal do Barreiro. Ao longo dos anos sempre mantivemos uma relação de proximidade, de partilha de muitos momentos, de diálogos sobre a vida local.
Jorge Fagundes foi sempre um homem ligado à palavra, colaborador regular e permanente na imprensa local – cronista e contista – com uma escrita limpa, serena irónica e poética.
Após o seu primeiro livro de poemas - «Dois Suspiros» - decide brindar-nos com mais uma obra poética, porque, afinal…«O Sonho…permanece».
Li os seus poemas. E, por vezes, quase que apetecia cantar. Os seus poemas são sonhos para sentir e cantar.
Uma obra marcada por palavras, palavras com ritmo, cadência e emoção. Sonho. Solidão. Felicidade. Esperança. Vida. Saudade. Amor. Poesia.
Uma obra com uma cadência de sentimentos. Pulsa nos nervos, no olhar, num beijo, no desejo, com palavras escritas de “coração aberto”.
Como tudo na vida, na sua “teia de ilusões”, o primeiro andamento toca os acordes da palavra «Sonho». Numa afirmação plena de quem vive os dias com paixão e que “não desiste de sonhar”.
Depois, noutro andamento, “um sonho se desfaz” e “outro sonho” nasce mergulhando por dentro da palavra «solidão». Por dentro do tempo, as memórias de infância, a vida um fado, a vida um poema que se canta e sente no sol e no luar.
Nesse percurso melódico, Jorge Fagundes, descobre o mar, essa imensidão que abre as portas “antes da última viagem”, com o desejo de ser feliz, ali, poema a poema, cultiva a palavra «felicidade». Feita de beijos virtuais, tocando o sorriso da morena, cruzando olhares e desejos. Nesse lugar onde o “coração não dói”, porque ama, mesmo sem ser amado.
Tocamos com os dedos nas palavras. Os poemas são pétalas, estão escritos com os ritmos de uma guitarra. O fado. Aí, então, outra palavra é cantada, poema a poema, com ternura – a «Esperança».
Nos sons de um piano, entramos, subitamente por dentro do tempo vivido pelo poeta, real – o que fui, o que sou – um tempo onde nasce a palavra «Vida».
Essa batalha de generais e poetas, que todos vivemos e um dia, pode ser, “um enfarte” o momento que nos dá o sinal para uma eternidade, onde, talvez possam estar à nossa espera reencontros – “aquele abraço”.
O poeta canta. O poeta sonha. O poeta tem no seu olhar, esta terra – Barreiro - que sente como sua, mas lá no fundo do tempo, surge a palavra «Saudade». Da Ponta do Sol emerge suavemente – “uma lágrima de saudade”.
Percorremos as páginas. Sentimos as palavras. Vivemos as palavras. Escritas e sentidas de “coração aberto”, porque afinal é de “coração aberto” que o poeta nos ensina o caminho para a descoberta da palavra «Amor».
E, numa apoteose musical, num eco sonoro sinfónico, o poeta reencontra-se consigo, com a sua paixão, levando-nos a reflectir sobre a palavra «Poesia», esse lugar idílico onde diz que está semear – “os meus versos».
Uma obra com ritmo. Uma obra com o ritmo do coração.
Uma obra onde o tempo, vivido e por viver, só faz sentido se entre o sonho e a solidão, entre a felicidade e a saudade, entre a vida e o amor, a esperança se afirme como “um coração aberto” à mudança, esse “raio de sol” que podemos encontrar na poesia!
Foi esse desafio que descobri, ao ler, mergulhando nos sentimentos que nascem nas palavras, nestes versos de mármore, onde, afinal…o sonho permanece!
António Sousa Pereira













