Notas do meu blogueDEMOCRACIA
Barreiro

Por Jornal Rostos
Democracia
O mês de Janeiro é sempre um tempo que nos deitamos sobre o tempo. Paramos.
É o começo de um novo ano e todos os começos são sempre um ponto de partida. Ir ou não ir, eis a questão. Pensamos.
Fazemos planos. Mergulhamos nas experiências. Recordamos.
Sentimos aquelas frases ditas que marcam o tempo percorrido. É mesmo verdade. A vida é feita de fases. Sim. E, afinal, fazes ou não fazes? Interrogamos.
Olhamos o mundo. Pensamos o mundo. Lemos. Sentimos. É mesmo verdade, a democracia não acaba no voto, nem para os vencedores, nem para os vencidos. Aliás, a força da democracia é que ela, tem dentro de si, essa energia criadora de ir para além das ideologias – dos populismos, da demagogia, dos discursos politicamente correctos ou incorrectos, das verdades impostas, dos fanatismos, e, por fim, impõe-se em todas as agendas do nosso viver, porque é através dela que respiramos liberdade, inquietações e sonhos.
O viver democracia, sua valorização, sua defesa, afirmando-a como centralidade da cidadania é, talvez, um dos grandes desafios da humanidade neste começo do tempo que vivemos.
E, por isso, o ponto de partida para todos os democratas, os que sentem que é pelo pluralismo, pelo respeito pelas diferenças que se constrói cidadania e democracia, deve ser, mais que recordar discursos de verdades inquestionáveis, afirmar o respeito pela diversidade, fazer propostas alternativas que marquem a diferença, pela diferença, porque essa é uma das maiores riquezas da democracia. Viver e fazer cidadania, afirmando diferenças, construindo diferenças.
Neste começo, de um novo ano, que vai ser agitado, turbulento, mais que apontar o dedo e estimular ódios de estimação, o desafio que se coloca a todos, aqueles que amam a democracia, que lutaram pela democracia – é, sem dúvida, esta luta inacabável pela afirmação da LIBERDADE.
Todos que sonharam o sonho conquistado com Abril e, também, todos aqueles que viveram os frutos desse sonho, devem, acima de tudo, demonstrar que sabem e sentem que a democracia não acaba, nem começa no voto – esse, é, isso, apenas isso, um momento de decisão e opção.
Mas, viver democracia é respeitar as diferenças e saber que uma cidade constrói-se na pluralidade e na diversidade.
A democracia precisa de instrumentos que a valorizem e consolidem, porque são eles que a alimentam e movem a vontade de participar, agir e ser cidadão. Há muitos modelos.
Quem quer construir cidadania deve ser um lutador pela cidadania e a luta pela cidadania é essa, essa mesmo, que nos diz – a democracia não acaba com o acto de votar.
Pensei muito nisso, senti muito isso, quando, por todo o mundo, milhões de mulheres nas ruas ergueram as suas vozes, acima de tudo para afirmar a democracia e a Liberdade.
E, esta, acreditem, vai ser a grande causa da humanidade no século XXI!
É um novo começo…e o desafio é mesmo esse - fazes ou não fazes?!Fazer é fazer.
O ódio não faz democracia nem constrói Liberdade!
S.P.
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