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Inferências

As Festas e a CidadeUm tempo de reencontro

As Festas de uma qualquer “cidade” devem, cada vez mais, ser encaradas tendo como objectivo central a promoção da “imagem” da cidade.
Uma “cidade em festa” é uma cidade que procura viver um tempo para se reencontrar, recuperar forças, mostrar-se no trabalho realizado, apresentar-se nos seus projectos de futuro.
A festa é sempre um tempo de reencontro – passado, presente e futuro.
6 min de leitura

Por António Sousa Pereira

As Festas do Barreiro têm passado por diversas metamorfoses e temporalidades. Já foram em Outubro, em torno do dia 7 de Outubro – Dia de Nª Srª do Rosário, Padroeira do Barreiro. Mas também, em Outubro, já foram denominadas – Festas da Paz e da República.
Durante anos Agosto, tendo o 15 de Agosto como data nuclear, foi o tempo que todos nos habituámos a agendar as Festas da Nª Srª do Rosário, como ponto de encontro e de retomar as energias, entre as férias e um novo ano de trabalho.
Por fim, com a elevação do Barreiro à categoria de cidade e a designação do 28 de Junho como Feriado Municipal, durante alguns anos foram as FESTAS DA CIDADE, realizadas em Junho, tendo como data nuclear o Feriado Municipal.
A BARRIND – Exposição Industrial e Comercial – foi um certame que, durante alguns anos marcou, pela positiva, as Festas da Cidade – a BARRIND era, de certa forma, uma complementaridade das Festas. A cidade habituou-se a viver as suas Festas com a BARRIND.
Mas, de qualquer forma, ao longo de anos, as Festas da Cidade – Festas do Barreiro – careceram sempre de uma opção estratégica, sendo marcadas por alguma indefinição do verdadeiro papel na vida da cidade e do concelho.
São as Festas do concelho ou são as Festas da Cidade ? São um espaço de mero divertimento ou são um elemento estruturante nas políticas de desenvolvimento do concelho?
As Festas do Barreiro, nos últimos anos têm vindo a transformar-se numa mera rotina – um espaço anual para proporcionar diversões. Por vezes parecia que o importante era apostar num “bom fogo de artificio” a fechar as Festas – “o pessoal diverte-se e fica à espera de mais para o ano”.

Festas e Comunicação

As Festas do Barreiro deviam merecer uma profunda reflexão de forma a que todos os agentes locais que, de uma forma ou de outra, nelas podem e devem participar as assumissem como parte integrante dos seus planos anuais de actividades. Desde o Movimento Associativo, passando pelos empresários e instituições locais, todos deviam viver este acontecimento como uma grande aposta de promoção do concelho, dos seus valores, das suas actividades, dos seus projectos.
As Festas do Barreiro devem ser parte integrante das políticas de promoção da imagem do concelho, de uma política de comunicação municipal. E quando refiro “comunicação municipal” distingo perfeitamente do conceito de “comunicação autárquica”. As Festas do Barreiro devem ser parte integrante das políticas de promoção de uma cultura de cidade. Que é isso de “cultura de cidade” ? Não é mais que a valorização daquilo que vamos sendo – o que fazemos, o que somos – a nossa criatividade.
As Festas do Barreiro devem ser parte integrante na promoção do tecido empresarial do concelho, de atracção de novos empresários, de motivação para as qualidades que caracterizam o esforço económico daqueles que decidem trabalhar e viver no Barreiro, com o Barreiro e pelo Barreiro.
As Festas do Barreiro devem ser um momento, anual de projecção do concelho na região, apostando-se na sua afirmação como um elemento essencial de divulgação das suas potencialidades no contexto da Região de Turismo Costa Azul e de atracção na Área Metropolitana de Lisboa.
Repensar as Festas – no seu período de realização, na sua caracterização, na sua importância estratégica na promoção da imagem do concelho – é necessário e urgente.
As Festas do Barreiro não podem, nem devem, continuar a ser uma realização que se concretiza para cumprir calendário, porque têm que se fazer, porque são uma “tradição administrativa”.

Alma Alentejana

Este ano as Festas do Barreiro adoptaram como tema – A Alma Alentejana – e de acordo com palavras escritas pelo Presidente da Câmara Municipal do Barreiro este facto é bem demonstrativo de como o Barreiro é uma “porta aberta” ao Alentejo.
É verdade, o Barreiro é uma porta aberta ao Alentejo e ao sul de Portugal e isso marca a sua centralidade e sua importância numa estratégia de desenvolvimento que aposte na ligação norte-sul e de descentralização de serviços do Estado e institucionais de Lisboa para a Margem Sul.
De louvar esta ideia de afirmar o Barreiro – que sempre tem sido – como uma cidade onde a “Alma Alentejana” está viva e presente, mas não devemos esquecer que o Barreiro é, de facto, essa cidade feita de muita gente vinda de muitos lados.
E, talvez, aquilo que estamos a assistir nos dias de hoje, uma das mudanças que marca a cidade é que o conceito “ser do Barreiro” está, cada vez mais diluído, nesta realidade de o Barreiro ser uma terra com uma “ALMA ABERTA” ao mundo – porque “pelo Tejo vai-se para o mundo”.

Mostra Empresarial

A realização da MEI – Mostra Empresarial e Institucional – este ano, integrada nas Festas do Barreiro vem demonstrar, mais uma vez, como é possível manter um espaço onde a cidade se “mostre” se apresente, se divulgue, se dinamize – a festa é um ponto de encontro, onde todos podemos encontrar-nos olhos nos olhos, sorrirmos e sentirmos que pudemos viver numa cidade onde se respeitam e afirmam as diferenças.
O tecido empresarial do concelho do Barreiro merece este carinho e este estímulo, para que os barreirenses sintam esta cidade como parte do seu quotidiano, como os seus empresários e as suas instituições.
Este ano, de certa forma, é como um recomeçar e erguer das cinzas aquilo que foi durante anos ignorado – demonstrar que o Poder Político está solidário com o Poder económico e que ambos vivem as mesmas intencionalidades – afirmar e dinamizar o concelho do Barreiro.
Esperamos que esta Mostra Empresarial e Institucional se desenvolva e prossiga, retomando as tradições da BARRIND que chegou a ser, no momento próprio, o mais importante certame desta natureza ao sul do Tejo ( na altura estava embrionária a FATACIL, na Lagoa, no Algarve, que hoje é um importante projecto turístico e empresarial). E anos depois nasceu a MONTIAGRI, no Montijo.
O Barreiro não soube ou não quis estudar e potenciar uma imagem de marca que estava em desenvolvimento. Perdeu oportunidades e até, talvez, fundos comunitários.
As Festas do Barreiro aqui estão de novo. Nós que estamos a construir este “projecto” Rostos, também marcamos presença.
Estamos presentes porque acreditamos que as Festas do Barreiro e a MEI – Mostra Empresarial e Institucional são um importante instrumento de promoção da imagem da cidade e do concelho na região.
Esperamos que as Festas do Barreiro de 2003, pelas suas novas características e pelo modelo que pretende começar a apostar seja também um PROJECTO vivo, dinâmico, que vá crescendo, crescendo... apostando na promoção da imagem da Cidade e no seu desenvolvimento.
Parabéns Barreiro !

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