Por dentro dos dias – BarreiroAs emoções estão vivas nas ruas da cidade
“Bom dia. Feliz Dia da Mulher”, comentamos.
“Ofereceram-me esta flor na farmácia. Gostei. Mas, nunca liguei ao Dia da Mulher, porque toda a vida trabalhei no Dia da Mulher”, refere e sorri.

Por Jornal Rostos
Há dias que nós sentimos as emoções a florir nos olhos. Todos os pormenores, no espaço e no tempo, cruzam-se na memória e no ser. Olhamos o sol e sentimos o brilho reluzente dos pensamentos. Os nossos passos são a certeza que estamos vivos. Caminhamos. Sorrimos.
A vida real está ali, e nós sentimos. Saímos de casa e encontramos uma mulher de flor, erguida, nas mãos.
“Bom dia. Feliz Dia da Mulher”, comentamos.
“Ofereceram-me esta flor na farmácia. Gostei. Mas, nunca liguei ao Dia da Mulher, porque toda a vida trabalhei no Dia da Mulher”, refere e sorri.
Atravessamos a rua. Uma jovem diz – “Bom dia”, com um sorriso alegre. Acabou de sair do Ginásio.
No carro, passa por mim, uma amiga do facebook, acena adeus e sorri. Vai com um ar brilhante nos olhos.
Outra mulher, fala ao telemóvel, enquanto empurra o carrinho do bebé.
“Vim aqui à escola não está ninguém. Estão todos na SFAL. Achas isto normal?”, interroga. E lá vai rumo à SFAL.
Na rua um grupo de mulheres conversa animadamente.
“Bom Dia mulheres”, digo, acenando.
“É Dia das Mulheres, mas as flores são só para algumas. Ficam-se pela Avenida, não chegaram aqui”, salienta uma.
“Eu vou trazer-vos uma flor”, comento.
“Uma não, quatro”, protestam.
Vou caminhando e penso. “Como um dia pode dar emoções sobre a vida”.
No carro sentado a escutar música está o Gastão, antigo futebolista do Grupo Desportivo da CUF. Sempre que o encontro recordo a minha infância, quando colecionava os cromos da bola e, ele, ficou-me na memória, porque era o “mais difícil”, aquele que era único e fechava a caderneta.
Mais à frente, cruzo-me com um campeão do mundo, o guarda redes de Hóquei Patins, da selecção nacional, Vítor Domingues. À memória surgem aqueles relatos que escutava no meu rádio transístor azul. As emoções de Portugal marcar dezenas de golos.
Vou comprar o jornal. Encontro o Tamissa. Trocamos bocas. O costume.
Entro na SFAL. O salão está repleto, mais de 150 crianças estão sentadas pelo chão, escutando com entusiasmo o escritor Richard Towers, que os cativa com a sua história Sinfonia do Tempo.
Penso. “Esta é mesmo um terra que pulsa todos os dias, tem ritmo, tem coração”.
No Café –Bar da SFAL, há uma azafama, organiza-se o espaço para receber as dezenas de mulheres que, todos os anos, ali, num almoço festejam o seu dia, cantam, conversam, divertem-se, e, como sempre, neste dia são os homens a servir.
A Irene lá está na cozinha, hoje, mesmo sem ser dirigente, continua a dar o seu contributo na vida associativa, porque vive o associativismo fazendo.
Sento-me a ler o jornal. O tema do dia continua a ser os “milhões dos offshores” e a saga do Governador do Banco de Portugal. Esse Portugal dos senhores que brincam com as nossas vidas. E, nós, cá vamos, lutando e fazendo os dias, sorrindo e construindo cidadania.
Regresso a casa. No caminho encontro o pai de Mário Gomes, fotógrafo, natural do Barreiro.
“Sabe que o meu filho conquistou mais um prémio”, refere, com um brilho nos olhos.
“Não sabia”, disse-lhe. Ele procura a nota que tinha guardada, para eu ler. Não encontra.
“Deixe estar. Vou tentar descobrir”, disse-lhe.
Mário Gomes, é natural do Barreiro. Desde 2006 encontrou na fotografia uma paixão, emoção e satisfação em cada disparo da sua câmara fotográfica. A fotografia da natureza é a sua grande paixão, tendo sido galardoado com diversos prémios ao nível nacional e internacional.
É. sem dúvida, mais um dos rostos da fotografia, essa vertente criativa que tem no Barreiro muitos criativos.
Antes, passo junto ao GRATITUDE, um novo estabelecimento de restauração, na Praceta José Domingos dos Santos – a minha rua - um projecto de dois jovens barreirenses que sonham e querem construir a sua vida, hoje e aqui, com luta com esperança.
O espaço está bonito. Eles apostam numa cozinha que cative a juventude. Todos os dias têm um prato saboroso, para todas as idades.
Lá estão na luta. É assim, a vida só se constrói arregaçando as mangas e fazendo.
Sento-me e decido escrever esta crónica por “dentro dos dias” , para exprimir, coisas simples, tão simples, como esta sensação de dar uma volta pela rua e registar emoções e sentir que esta terra tem gente que faz e nela acredita e quer viver…basta acreditar e lutar!
S.P.













