Barreiro - Notas do meu blogueSorrir…sorrir..sorrir.. .

Por Jornal Rostos
Uma menina, talvez de 12 ou 13 anos, lá ia, pela rua, saltitando, cantando, gesticulando, o mundo exterior, as pessoas que com ela se cruzavam não existiam, era ela, sorridente, feliz, dentro do seu mundo imaginário, seguia, cantarolando e fazendo movimentos de dança. Sorrindo. Sentia-se que vivia uma felicidade única e intransmissível. Olhei e também sorri.
A vida por vezes é isto, cada um faz nascer dentro de si um mundo imaginário, onde só ele se encontra consigo mesmo, gesticula, dança, sorri, diverte-se, uma vivência única. Até há, na verdade, quem transfira para a vida real esse seu imaginário querendo à força que o real se transforme no seu pensamento.
Há uma grande diferença entre ver o real, sentir o real, com todos os seus defeitos e virtudes, e, querer que esse real, com todas as suas insuficiências seja aquilo que impositivamente queremos que ele seja, por muitas voltas que demos, o real é o real, e a invenção do real imaginário, não é mais que a invenção do real imaginário. A vida corre e faz-se com pessoas, reais, essas que são as cidades. Todas.
E, neste país, de tantas ficções, há, sem dúvida, muito espaço para a criatividade, invenção, ilusões.
Depois de ter vivido os anos da troika, deixei de acreditar em mundos perfeitos. O mundo é este, onde vivo, real, tão real, que amanhã, num instante, para o outro, pode ter fim, para mim e para muitos. É por isso, só por isso que quero viver, viver e sentir a vida. Viver.
Pensava em tudo isto, enquanto olhava, aquela miúda de 12 ou 13 anos, a saltitar, em passos de dança, reais, tão reais como a musicalidade que vibrava dos seus lábios.
Cheguei ao café, sentei-me a ler, descansadamente, fumando, olhando as gaivotas e sorrindo. Pessoas passavam a sorrir. Ainda há pessoas que sabem e gostam de rir nesta cidade – mesmo quando estão fartas e cansadas – porque uma cidade sem sorrisos é uma cidade triste.
Uma das coisas que mais gosto, pela manhã, é passar junto às redes da escola do Ensino Básico e escutar aquele burburinho matinal de gritos, sorrisos, brincadeiras, e, registar aquelas trocas de mimos de mães e avós. Sinto que há vida. Sinto que há futuro.
As pessoas quando se fecham, num mundo fechado, naquele mundo fechado onde só se escutam a si mesmas e as suas certezas, acabam por ignorar que há mais mundo, que esse mundo, que eles cultivam, intelectualmente, tornam-se como aquela criança de 12 ou 13 anos, que sorri e só sente o seu mundo.
Gosto de escutar os sorrisos nas ruas da cidade, porque são os sorrisos nas ruas da cidade que lhe dão vida e brilho, todos os dias, mesmo em dias como o de hoje, com o sol escondido...escutei sorrisos e fortes gargalhadas.
É que, na verdade, há coisas nos dias que nos fazem mesmo rir, rir e… sorrir…sorrir..sorrir.. .
S.P.













