A (nota)mentosQue anda a fazer esta gente?!

Por Jornal Rostos
Sentia, ali, em milhares de gestos voluntários, de entrega e amor aos espaços públicos e à escola, uma entrega de quem sente e gosta da terra onde vive, porque afinal, a gente só dá quando ama.
E eram milhares, muitos, mesmo muitos, também registei quem passasse nos locais, olhando de lado, com um ar de distanciamento, como se aquilo que ali estivesse a acontecer fosse uma manobra, um movimento gerado, para iludir e ser uma mera acção de marketing social.
E mesmo que o fosse, há marketing social que deve ser feito e quando é bem feito motiva a sentir, a pensar, a abraçar, a aderir, a fazer, a tocar, a cheirar, a amar – dou só o exemplo da Campanha do Pirilampo Mágico.
É por isso que o DIA B, vale a pena apoiar e sentir, porque é um dia que motiva a olhar e sentir a cidade que é nossa, esta terra onde vivemos e gostamos de viver e queremos mais linda, Porque é sempre possível fazer a nossa terra mais linda.
Vi dirigentes e associados de colectividades a dar outro ar aos seus espaços sociais.
Vi escuteiros a alindar os espaços das suas Igrejas e a Misericórdia do Barreiro.
Vi gente de diferentes etnias nas ruas a sentir o seu espaço público, no Bairro das Palmeiras, na Quinta da Mina.
Vi jovens e pessoas idosas, vi famílias inteiras, ali, dando de si, só com essa vontade de dar e ter em troca a alegria de valorizar os espaços públicos, abraçando-os como continuidade das suas vidas.
Vi jovens estudantes, brincando e divertindo-se. partilhando sorrisos, e, descobrindo que uma cidade se constrói de forma solidária e fraterna.
O DIA B é, sem dúvida um grande projecto de cidadania, é aquilo que o Barreiro precisa, de gente que se junta, que se une, independentemente das suas convicções religiosas ou politicas, para grita bem alto – EU amo o Barreiro!
Espero que o DIA B se perpetue, se aperfeiçoe, se aprofunde, se discuta e deixe de ser olhado como uma acção de quem está no poder politico, porque esta é uma acção da cidade e para a cidade, foi isso que eu vi nas ruas, nas escolas. Tudo o resto, aqueles que olham de lado e com desdém, esses, sempre os houve e sempre haverá. A democracia não era democracia se eles não existissem. É a Liberdade de optar, estar no lado do fazer, ou estar no lado do criticar. Nas minhas vivências associativas de décadas, aprendi que é sempre mais fácil criticar que fazer.
Quando estava na Quinta da Mina, e vi, ali, crianças, pais, avós, unidos de vassouras nas mãos a limpar o espaço público pensei- «Só por isto já valeu a pena fazer o DIA B”. Emocionante.
Que anda a fazer esta gente? Anda na ruas a dizer – num DIZER que é FAZER – todos temos que sentir esta cidade como um lugar que é nosso e que sentimos com as mãos.
É com as mãos, como dizia o poeta, que se faz a guerra, se faz a paz, com as mãos tudo se faz e se desfaz…estes milhares que estiveram na rua a fazer, esses, senti, como um exemplo que motiva e faz sentir que o Barreiro está vivo, o Barreiro existe, o Barreiro é uma cidade com uma cultura de fraternidade.
O resto, bom o resto é a …vida!
António Sousa Pereira













